Espetáculo da Cia de Ballet Dalal Achcar transforma em dança os impactos da doença sobre uma família e faz parte dos cinco anos de criação da companhia
A perda gradual da memória, a delicadeza do cuidado e a permanência do amor diante do esquecimento são o ponto de partida de “Evanescência”, novo espetáculo do coreógrafo belga Éric Frédéric para a Cia de Ballet Dalal Achcar, que estreia nos dias 10, 11 e 12 de julho, no Teatro Total Energies, no Rio de Janeiro. A estreia integra uma triple bill que marca os cinco anos da Cia de Ballet Dalal Achcar, patrocinada pela Vale, com a realização da Associação de Ballet do Rio de Janeiro e produção Aventura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O programa reúne também “Macabéa”, com coreografia de Márcia Jaqueline inspirada em A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, e o pas de deux “Tarde Azul”, extraído de “Floresta Amazônica”, balé criado por Dalal Achcar a partir da música de Heitor Villa-Lobos. A obra de Éric Frédéric encerra a noite.
Inspirado na experiência pessoal de Frédéric após o diagnóstico de Alzheimer da mãe, dona Florentine, “Evanescência” transforma em dança a travessia silenciosa da doença e seus impactos sobre toda a família. Concebido como uma homenagem, o espetáculo parte de uma história íntima para alcançar diferentes públicos, retratando o desaparecimento progressivo das lembranças e dando destaque não apenas sobre quem vive com o Alzheimer, mas também sobre aqueles que permanecem ao seu lado, sustentando laços de afeto, cuidado e presença. No palco, os bailarinos representam Florentine, o próprio coreógrafo e seu irmão mais velho, Marc, traduzindo esse processo com leveza e emoção.
“A melhor maneira, para mim, de colocar um sentimento para fora é por meio da dança, da coreografia. Minha mãe morreu há 17 anos, e passei todo esse tempo processando essa perda e imaginando este espetáculo. Foi somente depois de assistir ao primeiro ensaio completo que consegui, enfim, chorar o luto”, conta Éric Frédéric, que cresceu nos bastidores da Ópera de Liège, na Bélgica, onde a mãe trabalhava e o incentivava a seguir a carreira artística.
Com duração aproximada de 90 minutos, a apresentação completa da Triple Bill celebra os cinco anos da Cia de Ballet Dalal Achcar reunindo obras que transitam entre a literatura, a música brasileira e a criação contemporânea. Em uma única noite, o público acompanha três coreografias que representam diferentes momentos e linguagens da companhia, refletindo a diversidade de seu repertório.
Sobre Macabéa
Inspirada no romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, a bailarina e coreógrafa Márcia Jaqueline apresenta Macabéa. A obra parte da trajetória da protagonista criada por Clarice para propor uma reflexão sobre a indiferença nas relações humanas e a invisibilidade social de pessoas que, muitas vezes, passam despercebidas em meio à rotina acelerada da vida contemporânea.
Segundo Márcia, o livro marcou sua vida e foi a inspiração para desenvolver a coreografia, que convida o público a refletir sobre a importância da empatia e do olhar para o outro. A montagem aborda como o ritmo acelerado do cotidiano pode nos afastar das necessidades e dos sentimentos de quem está ao nosso lado, tornando a indiferença um traço cada vez mais presente na sociedade.
Sobre Floresta Amazônica
O espetáculo também apresenta o pas de deux Tarde Azul, um dos momentos mais românticos do balé Floresta Amazônica, criado por Dalal Achcar a partir da obra A Floresta do Amazonas, de Heitor Villa-Lobos. A montagem original estreou em 1975, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e coreografia assinada por Dalal Achcar e Sir Frederick Ashton.
O ballet narra a história de amor entre um homem branco e uma deusa indígena que se transforma em mulher. Em Tarde Azul, esse romance ganha destaque ao som da música de Villa-Lobos sobre poema de Dora Vasconcellos, na interpretação de Maria Lucia Godoy.
Sobre a CIA de Ballet Dalal Achcar
A Cia de Ballet Dalal Achcar se apoia em mais de cinco décadas de dedicação da fundadora, a diretora e coreógrafa Dalal Achcar, à dança e à formação artística no país, em trajetória ligada também à Associação de Ballet do Rio de Janeiro. À frente da companhia, Dalal imprime um trabalho que combina rigor técnico e expressão artística, guiado pela convicção de que a arte é também um espaço de afeto, encontro e transformação. Formada por 18 bailarinos de diferentes origens, a companhia reúne no palco excelência técnica, sensibilidade e um repertório que transita entre o clássico e o contemporâneo
Sobre a Vale
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo sexto ano consecutivo é a maior apoiadora privada da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.
Desde a sua criação, em 2020, o Instituto Cultural Vale já esteve ao lado de mais de 1.000 projetos, contemplando as cinco regiões do país com investimento de mais de R$ 1 bilhão em recursos próprios da Vale e via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Dentre eles, uma rede de espaços culturais próprios, com visitação gratuita, identidade e vocação únicas: Memorial Minas Gerais Vale (MG), Museu Vale (ES), Centro Cultural Vale Maranhão (MA) e Casa da Cultura de Canaã dos Carajás (PA). Onde tem Cultura, a Vale está. Visite o site do Instituto Cultural Vale: institutoculturalvale.org
Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch
Localizado no histórico Edifício Manchete, na Glória, Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx, o Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch é palco de momentos célebres da cultura brasileira. Desde maio de 2019, o Instituto Evoé assumiu a missão de devolver à cidade esse ícone cultural, agora ainda mais moderno e plural.
Graças à genialidade de Niemeyer, que concebeu um palco reversível, tornou-se possível realizar espetáculos e eventos tanto na área interna quanto na externa, ao ar livre, ou mesmo em ambos os espaços simultaneamente, em formato arena. Essa versatilidade proporciona aos artistas, produtores, cariocas e turistas múltiplas formas de criar, vivenciar e consumir arte e entretenimento.
Único teatro da cidade do Rio de Janeiro com um palco reversível, o espaço permite que o público se acomode também no jardim externo. Em 2021, o local foi adaptado para o formato arena, com capacidade para 359 lugares na área interna e 120 na externa, além de um palco de 140m², equipado com infraestrutura técnica de alto padrão. O espaço abriga ainda um centro de convivência, cinco salas de ensaio e o bistrô Bettina Café & Arte. Desde sua reabertura, já foram realizadas mais de 1000 apresentações, reunindo uma plateia de mais de 400.000 pessoas.
Serviço:
Espetáculo “Evanescência”
Cia de Ballet Dalal Achcar – Triple Bill / 5 anos
Teatro: Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch
Endereço: Rua do Russel, 804 – Glória – Rio de Janeiro
Datas e horários: 10 de julho, às 20h; 11 e 12 de julho, às 17h
Programa: Macabéa (35 min), Tarde Azul – pas de deux de Floresta Amazônica (7 min) e Evanescência (35 min)
Duração: Aproximadamente 90 minutos (incluindo intervalo de 15 minutos)
Ingressos: Plateia A – R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia-entrada) | Plateia B – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: Livre

