Chamada pública recebeu inscrições de todo o Brasil e os dois escolhidos pelos jurados são do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Eles recebem cachê de R$ 6 mil e R$30 mil de verba de produção para a criação de obras inéditas que serão expostas ao lado de trabalhos de mais quatro artistas convidados diretamente pela curadoria a partir de 13 de setembro, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo

A 15ª Mostra 3M de Arte, que nesta edição histórica terá o tema “A Cidade das Crianças”, anuncia os dois artistas selecionados em edital que recebeu inscrições de todo o Brasil. São eles: Isabela Prado de Belo Horizonte, com a obra “Sonhar é preciso”, e Juca Fiis do Rio de Janeiro, com a obra “Que Onda”. Eles foram escolhidos a partir de uma criteriosa avaliação por parte da curadoria, da Elo 3 -empresa produtora e realizadora do projeto-, e de dois jurados convidados: Clarissa Diniz e Igor Simões. Os dois contemplados terão um aporte de R$ 30 mil para a produção das obras e R$ 6 mil referente ao cachê artístico e direitos autorais de exibição. A mostra acontecerá em São Paulo, no Parque Villa-Lobos, a partir de 13 de setembro de 2026.
Pela primeira vez em sua trajetória, o evento apresentará o universo infantil como eixo central, revelando a potência do imaginário criativo como ferramenta de construção social. O conceito propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a infância não como uma etapa preparatória, mas como uma força política e criativa capaz de renovar o convívio urbano.
Consolidada como um dos projetos mais relevantes da arte contemporânea em espaços públicos no Brasil, a Mostra 3M de Arte neste ano tem a proposta de ressaltar as crianças como grande fonte de reavaliação e renovação, expressando a força transformadora do brincar como a prazerosa arte de experimentar ordenações alternativas da vida. A brincadeira cria um território onde o real e o imaginário se entrelaçam, produzindo uma forma provisória de ordem que ensina sobre o arbitrário no mundo e a possibilidade de transformá-lo. Cada regra compartilhada, cada rodada e cada negociação inerente a uma brincadeira ensinam o respeito, o pacto, o comum, o desejo de vencer, a desimportância das derrotas e a importância da cooperação e do convívio.
Ao centralizar as infâncias, a 15ª Mostra 3M de Arte defende a urgência de ouvir as crianças na reinvenção, reconhecendo que a vida urbana excede seus contornos planejados e pode ser recriada constantemente pela imaginação, sem conceitos limitantes e projeções exclusivamente de futuro. A tônica é enaltecer que muitas habilidades infantis podem agregar no presente, a partir de interpretações e adaptações de brincadeiras para a vida real.
Cada obra funcionará como um dispositivo de encontro e fruição, jogo e reflexão, propostas em que as crianças exercitam entre si modos de escuta, decisão, partilha e elaboração comum. A mostra reflete sobre a importante relação entre brincadeira e convívio para a construção e experiência das cidades. Afinal, talvez seja isso que as crianças saibam tão bem e os adultos não se lembrem com frequência: toda cidade é, antes de tudo, um emaranhado de formas de brincar junto.
“A Mostra 3M de Arte é reconhecida por sua experimentação artística, promovendo acesso gratuito à arte contemporânea em espaços públicos e de grande circulação. Tornou-se instrumento educacional para grupos de jovens que visitam o evento e tem envolvido parcerias estratégicas com escolas públicas em prol do fomento à cultura democrática”, comenta Marcela Ribeiro, diretora da Elo3, empresa idealizadora e produtora do projeto. A exposição tem o patrocínio da 3M via lei de incentivo à cultura.
Artistas selecionados no edital
Isabela Prado, de Belo Horizonte, é mãe do Antônio, da Cora e do Jorge, é artista visual, pesquisadora e professora. É graduada em gravura e desenho pela UFMG, Mestre em Artes Visuais pela Indiana University (EUA), e Doutoranda no PPGARTES / UERJ. Desenvolve pesquisas no campo da arte contemporânea, com foco na relação entre indivíduo, cidade, paisagem e meio ambiente. Participou de programas de residência artística em diversos países e de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. É idealizadora do projeto Entre Rios e Ruas (desde 2006), contemplado com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2011. Artista finalista do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas 2019. Autora do projeto de intervenção urbana Sobre o rio, que sinaliza com 230 placas de esquina os córregos invisibilizados na área central de Belo Horizonte. Na 15ª Mostra 3M de Arte, o título de seu trabalho será “Sonhar é preciso”.
Juca Fiis, do Rio de Janeiro, atua no encontro entre arte, arquitetura e educação, com uma prática dedicada ao trabalho colaborativo, muitas vezes com crianças. Participou de residências artísticas e educacionais, incluindo Documenta Fifteen (Kassel), ART OMI (Hudson, NY), Demonstra (Lisboa), QMA (Viena), Pivô (São Paulo), Fahrender Raum (Munique) e o Museo Tamayo (Cidade do México). Sua experiência em educação museológica inclui atuação no departamento de Educação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e como consultor educacional no Museu do Amanhã. Também colaborou com o Museu Paranaense de Curitiba e atuou como membro do Conselho Educacional da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Foi convidado a apresentar seu trabalho em simpósios e palestras em locais como Universidade de Hildesheim (Alemanha), Drawing Projects (Reino Unido), Museu de Arte Moderna do Rio e Oficina Francisco Brennand (Brasil). Na 15ª Mostra 3M de Arte, sua obra será intitulada “Que Onda”.
Curadoria da 15ª Mostra 3M de Arte e jurados do edital
A concepção conceitual e a interlocução artística desta edição histórica de 15 anos são assinadas por uma dupla de peso no cenário das artes visuais: Bernardo Mosqueira e a curadora assistente Ana Clara Simões Lopes. Juntos, eles refletem um olhar que une prestígio internacional, rigor acadêmico e uma profunda sensibilidade voltada para as práticas colaborativas e educativas no espaço público.
Bernardo Mosqueira é curador, escritor e pesquisador radicado em Nova York. É fundador e diretor artístico da Solar, no Rio de Janeiro. De 2023 a 2025, atuou como curador-chefe do Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA) em NY, após trabalhar na equipe curatorial do New Museum (2021–2023). Em 2020, cofundou o Fundo Colaborativo, o primeiro fundo emergencial dedicado a artistas e trabalhadores da arte no Brasil. Em 2017, recebeu o Prêmio Lorenzo Bonaldi e, mais recentemente, em 2025, recebeu o prestigioso Prêmio da Vilcek Foundation por seu trabalho curatorial. Mosqueira possui mestrado em estudos curatoriais pelo CCS Bard (2021).
Ana Clara Simões Lopes vive e trabalha no Rio de Janeiro. Bacharel em História da Arte pela UERJ, desenvolve sua prática entre escrita, pesquisa e curadoria, com especial interesse por práticas artísticas e institucionais radicais. Assinou o texto crítico de Memória Bambi, individual da artista Ana Miguel (Galeria Cavalo, 2026). Foi curadora da individual Desenhos de chegada (SESC Ramos, 2025), da coletiva Fazer com, pensar junto (Centro Cultural dos Correios, 2025) e da residência Casa Europa (2024). Atuou também como curadora assistente da I e II Bienal das Amazônias (CCBA, 2023/2025), somando forças com Mosqueira nesta edição histórica.
Os jurados da Mostra 3M deste ano são: Clarissa Diniz, escritora e educadora na área de artes, professora adjunta da Escola de Belas Artes da UFRJ, mestre em história da arte pela UERJ e doutora em antropologia cultural pela UFRJ; e Igor Simões, historiador da arte e professor brasileiro, cuja atuação se concentra na arte moderna e contemporânea, desenvolvendo uma série de pesquisas voltadas às histórias artísticas e intelectuais da diáspora africana nas Américas, com especial atenção ao conceito de Amefricanidade. Igor Foi curador adjunto da 12ª Bienal do Mercosul (Brasil) e bolsista do programa Connecting Art Histories, da Getty Foundation. Em 2024, co-curou, ao lado de Andrea Giunta, a exposição Rosana Paulino: Amefricana, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – MALBA (Argentina). Recentemente, foi curador da exposição Brasil Beyond Brazil, apresentada pela 154 Art Fair, em Nova York.
15 anos de arte pública: uma trajetória de transformação
Criada em 2010 com o propósito de democratizar o acesso à cultura, a Mostra 3M de Arte iniciou sua jornada focada na arte digital, ocupando espaços como a Universidade Mackenzie e o Memorial da América Latina. Entre 2012 e 2014, consolidou sua relevância em uma temporada de três anos no Instituto Tomie Ohtake, sob curadorias de nomes como Giselle Beiguelman e Paulo Miyada.
Em 2017, o projeto realizou uma transição histórica: retirou o “digital” do nome e levou as obras de arte contemporânea diretamente para as ruas, ocupando o Largo da Batata. Desde então, a mostra transformou-se em um marco de intervenção urbana, passando por cartões-postais como o Parque Ibirapuera, o Parque Augusta e o bicentenário Parque da Luz.
Ao longo de uma década e meia, o evento já comissionou dezenas de obras de artistas nacionais e internacionais, promovendo o diálogo direto entre a população e a arte contemporânea de forma totalmente gratuita.
Sobre a Elo3
Há 22 anos atuando com projetos culturais, a Elo3 tem sido líder na transformação social, democratizando o acesso à arte e à cultura em mais 180 cidades brasileiras. Com projetos inovadores em exposições, fotografia, literatura e educação, a organização alcançou mais de 8 milhões de pessoas e distribuiu 140 mil livros. Destacam-se eventos como a exposição Santos — Dumont Designer e a Mostra 3M de Arte, juntamente com iniciativas educativas como Retratos da Terra e a Jornada Sabiá de Leitura. A Elo3 oferece à sociedade projetos questionadores, inovadores e transformadores, como a Mostra 3M de Arte.
Serviço
15ª Mostra 3M de Arte no Parque Villa-Lobos, em São Paulo
Site oficial: www.mostra3mdearte.com.br
Idealização e realização: Elo3
Redes sociais: @mostra3mdearte | @elo3cultura

