Com curadoria de Fábio Magalhães, a mostra “Alex Flemming Apocalipse” reunirá 30 obras distribuídas no Palacetes da Sé
A exposição “Alex Flemming Apocalipse” marca o retorno do artista plástico Alex Flemming ao Brasil após mais de três décadas vivendo em Berlim. A mostra poderá ser visitada gratuitamente entre os dias 9 e 30 de agosto na região central de São Paulo, no Palacetes da Sé, à Rua Roberto Simonsen 97. O artista apresenta 30 obras produzidas ao longo de sua vivência na Alemanha, sendo que sua temática concentra-se no retrato da figura humana como centro do Universo, e também, paradoxalmente, na destruição provocada pelas guerras apocalípticas.
Segundo o artista, a mostra propõe um diálogo entre as obras e o espaço escolhido para recebê-las, convidando o público a refletir sobre o tempo, a fragilidade da existência e a impermanência das construções humanas. Ele destaca que a exposição ocupará as ruínas de um edifício histórico, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, inaugurado em 1919, como sede da Policlínica e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, importantes instituições de saúde da época, prédio este que sofreu processo de deterioração após mais de 85 anos de situação de abandono.
“Trata-se de uma experiência radical. O público visitará a exposição dentro de uma ruína, com pátina e marcas do tempo, para refletir sobre o ser humano, referência presente em todos os meus trabalhos. Também poderá meditar sobre a impermanência da luz e sobre a rapidez do declínio, em um contexto arquitetônico profundo. Minha proposta é estimular uma reflexão sobre o espaço que habitamos e a efemeridade dos valores, tanto na História da Arquitetura quanto na Arte”, afirma Alex Flemming.
Distribuída por diversos cômodos do espaço, a exposição será organizada em duas séries intituladas “Apocalipse” e “Retratos Invisíveis”. “As sequências reúnem diferentes momentos da minha produção. As obras expostas falam entre si e se completam, sendo que conceitualmente dialogam com o espaço expositivo de maneira expressiva. É uma exposição que foge dos modelos convencionais e se destaca como uma grande experiência imersiva. Diferentemente de outras mostras, ela será realçada pela relação com as ruínas, pela ausência de luz elétrica em parte dos ambientes e pelo aproveitamento da iluminação natural. Minha proposta é trabalhar com o entorno e com a natureza, com elementos que nos circundam e que muitas vezes acabamos esquecendo”, destaca o artista.
Para Flemming, a mostra apresenta uma alternativa aos formatos tradicionais de exposição e estabelece conexões entre sua experiência em Berlim e o cenário das ruínas de Ramos de Azevedo. “Quero mostrar justamente o oposto do ambiente asséptico do chamado ‘cubo branco’. Trata-se de uma exposição conceitual e estética que aborda o apocalipse, o fim das coisas e a inevitabilidade da passagem do tempo. Tudo é fugaz e, um dia, tudo será ruína”, conclui.
“Alex retorna ao Brasil depois de viver 34 anos em Berlim, mantendo, contudo, uma presença constante na vida artística brasileira. Muitas das obras apresentadas nesta exposição são inéditas e representam sua produção mais recente. Nelas, a vida pulsa em sua beleza fugaz e cotidiana sobre um fundo agitado e incorpóreo, construído por pinceladas vigorosas em preto e prata. Vale destacar que Tânatos, personificação da pulsão de morte, é representado com olhos e cabelos prateados”, sintetiza o curador da mostra. “Na série Retratos Invisíveis, a carne e o corpo, que sempre ocuparam um lugar de forte protagonismo em sua poética visual, são agora apagados. Essa ausência instaura uma atmosfera de inquietação apocalíptica, convidando o espectador a refletir sobre a fragilidade da existência e os limites entre presença e desaparecimento.”, completa Fábio Magalhães.
A mostra “Alex Flemming Apocalipse”abre a agenda de artes visuais do Palacetes da Sé, novo espaço multidisciplinar da região central de São Paulo. A iniciativa integra o projeto de revitalização do edifício, liderado pelos empresários Allan Ruiz e Chico Lowndes, que buscam consolidar o espaço como um pólo futuro de atividades culturais na capital paulista.
“Nosso espaço complementa a proposta do projeto apresentado por Flemming, que precisava de um local capaz de dialogar com o conceito da mostra. A própria edificação funciona como uma extensão da experiência imersiva oferecida aos visitantes, pois reforça a interpretação sobre o fim do mundo. Além disso, a exposição celebra importantes retornos: o de um dos principais artistas plásticos brasileiros à sua terra natal e a reabertura de um dos endereços mais simbólicos da história da cidade, após 85 anos de desativação”, explica Allan Ruiz.
Sobre o artista
Alex Flemming é fotógrafo, pintor e artista multimídia. Nascido em São Paulo, em 1954, possui uma carreira nacional e internacional com obras em importantes museus brasileiros e estrangeiros. Suas obras públicas mais conhecidas são a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, a fachada da Biblioteca Mário de Andrade e na Estação de CPTM de Santo André. Ao longo de sua carreira, participou de exposições em instituições nacionais e internacionais.
Sobre o Palacetes da Sé
Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o palacete situado na Rua Roberto Simonsen, 97, uma das vias mais antigas da cidade de São Paulo, foi inaugurado em 1919, como sede da Policlínica e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, instituições pioneiras no desenvolvimento da capital paulista. Em 1939, uma crise financeira levou ao fechamento do edifício e ao seu completo abandono até 2026.
Serviço:
Exposição: Alex Flemming Apocalipse
Local: Palacetes da Sé – Rua Roberto Simonsen, 97 – Centro, São Paulo (SP)
Período: de 9 a 30 de agosto de 2026
Horário: das 11h às 16h
Entrada gratuita

