Já em seu primeiro livro, a autora consolida seu nome como uma nova voz da literatura contemporânea brasileira. A publicação, lançada pela M.inimalismos, utiliza a ficção para traduzir experiências cotidianas frequentemente invisibilizadas e dar voz a mulheres que, embora chamadas de “comuns”, carregam histórias profundas e complexas. Psicóloga clínica, Ana Castro garante não usar histórias de nenhum dos pacientes, mas recorre a uma mescla de situações vividas por mulheres em diferentes contextos, usando, para tanto, uma linguagem concisa, direta e emocionalmente contundente. A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acontecerá de 22 a 26 de julho.
A escritora e psicóloga clínica Ana Castro chega à programação da Festa Literária Internacional de Paraty impulsionada pela repercussão de seu livro Contos de uma Mulher Qualquer, obra que despertou a atenção do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão durante a FliPoços. A publicação, lançada pela M.inimalismos, vem consolidando a autora como um nome promissor da nova literatura brasileira ao abordar, com intensidade e delicadeza, as dores silenciosas e os processos de reconstrução vividos por mulheres comuns. Em Poços de Caldas, Loyola Brandão destacou o impacto imediato causado pela leitura da obra. Em texto publicado após sua participação na FliPoços, o autor afirmou ter encontrado em Ana Castro uma escritora “forte”, capaz de “ir fundo” e de transformar experiências femininas em literatura visceral. O reconhecimento ganhou ainda mais força após a menção feita por Gloria Kalil na orelha do livro: “Não conheço nenhuma mulher, de nenhuma classe social, de nenhuma idade que não se reconheça em Ana Castro”.
O livro de Ana Castro poderá ser encontrado na Casa Tyiwaras Tikunas + Neomarginais + Capitolinas, este último, coletivo do qual a autora faz parte, localizada na Rua do Comércio, 31, no Centro Histórico de Parati, onde no sábado, dia 25 de julho participará, das 17h10 às 19h, do debate na Mesa 12, que terá como tema “O Conto é Romance do Futuro?. Com mediação de Vitor Miranda, além de Ana Castro estarão nesta mesa os escritores Flavio Assub, Marcelino Freire e, Anderson Estevan. A editora M.inimalismos fará sessão de autógrafos com a autora na sexta-feira, dia 24, às 20h, na Casa Gueto.

Sobre o livro
Com linguagem concisa, direta e emocionalmente contundente, Contos de uma Mulher Qualquer reúne narrativas sobre maternidade, violência psicológica, abusos, sexo, amor, culpa, silenciamento e renascimento. A autora utiliza a ficção para traduzir experiências cotidianas frequentemente invisibilizadas e dar voz a mulheres que, embora chamadas de “comuns”, carregam histórias profundas e complexas. Entre os textos mais marcantes da obra estão os contos que abordam relações abusivas e a dificuldade feminina em ser vista e ouvida dentro de vínculos afetivos. Um dos trechos mais comentados do livro — destacado inclusive por Loyola Brandão como “angustiante” —, trata-se de uma mulher que implora para ser enxergada emocionalmente, sintetizando a atmosfera da publicação: intensa, dolorosa e profundamente humana.
Texto mescla ficção e realidade
Segundo Ana Castro, o livro nasceu da necessidade de transformar em literatura as inquietações observadas tanto em sua trajetória pessoal quanto em sua atuação como psicóloga clínica. Participante ativa de grupos de leitura e fortalecimento feminino, como o Capitolinas e o Mulheres que Leem Mulheres (MQLM), a autora afirma que sua escrita é atravessada pelas discussões sobre misoginia, violência de gênero e os conflitos da mulher contemporânea. “Escrevi esse livro porque percebi que muitas mulheres vivem dores parecidas, mas em silêncio. A literatura foi a maneira que encontrei de transformar essas experiências em reflexão, acolhimento e identificação”, destaca Ana Castro. A autora também ressalta que o livro não pretende oferecer respostas prontas, mas provocar reconhecimento e diálogo.
“Espero que as leitoras se sintam vistas e que os leitores consigam enxergar aquilo que muitas vezes é ignorado dentro das relações humanas.” Influenciada por nomes como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade, Ana Castro constrói uma escrita híbrida entre poesia, prosa e crônica, marcada pela síntese e pela força emocional.


