Aulas do Ciclo Formativo da mostra audiovisual EmVelhoSer, realizadas em setembro em parceria com o CultSP Pro, seguem disponíveis para quem quiser aprender a transformar histórias de vida em vídeo, afirma Karen Worcman, diretora e fundadora do museu
Como se escreve um roteiro de documentário? Como se pesquisa um acervo? O que muda quando alguém monta um filme a partir da vida de outra pessoa? Essas e outras perguntas guiaram as quatro masterclasses gratuitas do Ciclo Formativo da Mostra Audiovisual EmVelhoSer, do Museu da Pessoa, realizadas às sextas-feiras de setembro, sempre às 18h. Os encontros já aconteceram, mas continuam disponíveis para o público no YouTube.
Para Karen Worcman, diretora e fundadora do museu, a ideia foi derrubar a distância entre quem tem uma história para contar e quem acredita que não sabe fazer cinema.
“O Museu da Pessoa nasceu da convicção de que toda história de vida importa, e a mostra EmVelhoSer coloca essa convicção nas mãos de quem tem vontade de contar. Muita gente olha para uma câmera ou para uma linha do tempo de edição e acha que aquilo não é para ela. O Ciclo Formativo foi pensado para quebrar essa barreira. São quatro encontros com profissionais que trabalham há décadas com histórias reais, falando de roteiro, de pesquisa, de montagem, do olhar de quem faz documentário. As aulas já aconteceram, mas queremos que sigam disponíveis, porque quem escolher uma entrevista do nosso acervo, ou simplesmente quiser entender como um documentário é construído, pode aprender com quem sabe. Cada pessoa que transforma uma história em vídeo ajuda a manter essa memória viva e a olhar de novo para o tempo, que é a pergunta desta edição“, afirma Karen Worcman.
Quatro etapas do fazer documental
O ciclo foi desenhado para quem quer participar da mostra, mas não sabe por onde começar. Ou ainda, para quem já conhece o tema e quer se aprofundar mais na arte do documentário. Cada masterclass tratou de uma etapa da criação: o roteiro, a trajetória de quem faz documentário, a pesquisa em acervo e a montagem. As aulas são abertas a qualquer pessoa interessada, participante da mostra ou não.
Quem conduziu cada encontro
A cineasta e roteirista Eliane Caffé abriu o ciclo em 4 de setembro com a aula “Criação de roteiros para documentários”. Formada em Psicologia pela PUC-SP, construiu uma trajetória entre o cinema e as questões sociais brasileiras. Dirigiu Narradores de Javé, um de seus longas mais premiados, Era o Hotel Cambridge, docuficção sobre refugiados e pessoas em situação de rua que dividem um prédio ocupado no centro de São Paulo, e Filhos do Mangue, lançado em 2025. A aula está disponível neste link.
Em 11 de setembro, Joel Zito Araújo falou sobre sua “Trajetória no cinema e documentários”. Cineasta, pesquisador, escritor e roteirista, é uma referência do cinema negro brasileiro e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Entre suas obras estão A Negação do Brasil, documentário sobre a presença de personagens negros nas telenovelas, tema que também investigou em livro, e As Filhas do Vento, que recebeu oito prêmios no Festival de Gramado de 2004. A aula está disponível neste link.
Já a historiadora e pesquisadora audiovisual Eloá Chouzal conduziu, em 18 de setembro, a masterclass “Pesquisa em acervo para documentários”. Graduada em História pela FFLCH-USP e pós-graduada em cinema-documentário pela Fundação Getulio Vargas, atua há mais de 30 anos na pesquisa de conteúdo, personagens, imagens e acervos. Sua trajetória inclui documentários, séries, filmes, museus e exposições, como a equipe de pesquisa do Museu da Língua Portuguesa e a coordenação de pesquisa do Museu Cais do Sertão. A aula está disponível neste link.
Fechando o ciclo, Cristina Amaral deu em 25 de setembro a aula “Montagem audiovisual”. Formada em Cinema pela ECA-USP, construiu sua carreira na montagem de filmes de diferentes gerações do cinema brasileiro. Montou obras de Andrea Tonacci e Carlos Reichenbach, entre eles Serras da Desordem e Alma Corsária, e hoje trabalha também com realizadores mais jovens, como Adirley Queiroz. A aula está disponível neste link.
Todos os encontros contaram com a participação e mediação da jornalista Joyce Pais, fundadora do Cinemascope, que está há dez anos no ar com site, canal, redes sociais e plataforma de educação. Pós-graduada em Mídias Digitais, ela é membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e do Coletivo Elviras, de mulheres críticas de cinema, e atuou no jornal O Estado de S. Paulo e no próprio Museu da Pessoa.
Da aula ao vídeo: a mostra EmVelhoSer
O Ciclo Formativo faz parte da Mostra Audiovisual EmVelhoSer, que convidou o público a escolher uma entre as 200 histórias de vida selecionadas do acervo do museu e transformá-la em vídeo de 90 segundos a 4 minutos, a partir da pergunta “Como nos relacionamos com o tempo?”. A mostra tem as categorias Livre, Novos Talentos (até 25 anos) e Criadores 60+, novidade desta edição. Serão premiados dez vídeos, com R$4 mil cada. Agora, já com as inscrições encerradas, os inscritos têm até 15 de outubro para enviar o vídeo para a seleção final.
Quem já escolheu sua história tem até 15 de outubro para enviar o vídeo. O anúncio dos vencedores e o lançamento da mostra estão previstos para a segunda quinzena de novembro, em São Paulo, com transmissão pelo canal do Museu da Pessoa no YouTube e exibição aberta ao público no Cine Petrobrás em São Paulo – SP.
A Mostra Audiovisual EmVelhoSer é viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Lei Rouanet), por meio do Ministério da Cultura. O projeto também conta com o patrocínio do Mercado Livre, 3M e Klabin, além do apoio da Cult Pro e IDG, Kinoforum e Canal Futura; parceria com o Instituto Criar, Casa Redonda, Navega e apoio de mídia do Canal Curta! e CurtaOn.
SERVIÇO
Evento: Ciclo Formativo da Mostra Audiovisual EmVelhoSer, masterclasses gratuitas
Aulas realizadas: 4/9 (roteiro, com Eliane Caffé), 11/9 (trajetória no cinema e documentários, com Joel Zito Araújo), 18/9 (pesquisa em acervo, com Eloá Chouzal) e 25/9 (montagem, com Cristina Amaral)
Acesso: gratuito
Mais informações: www.museudapessoa.org/
Sobre o Museu da Pessoa
O Museu da Pessoa é o maior acervo de histórias de vida do Brasil. Como um museu virtual e colaborativo fundado em 1991, tem como objetivo registrar, preservar e transformar histórias de vida em fonte de conhecimento, compreensão e conexão.
A proposta é democratizar o acesso à memória social, valorizando as experiências de vida de qualquer pessoa como parte fundamental da construção da história coletiva. O acervo reúne mais de 18 mil depoimentos em vídeo, áudio e texto, além de cerca de 60 mil imagens e documentos digitalizados. Saiba mais: www.museudapessoa.org/.

