Exposição individual no Complexo Cultural Oswald de Andrade, de 8 de novembro a 10 de janeiro, apresenta gravuras e instalações imersivas que reinterpretam as florestas tropicais das Américas, convidando o público a completar as obras
O Complexo Cultural Oswald de Andrade recebe, de 8 de novembro a 10 de janeiro, a exposição “Floresta Invisível”, da artista sul-coreana Seungyoun Lee. A mostra, que integra uma iniciativa do Centro Cultural Coreano no Brasil para promover a sustentabilidade por meio da arte durante a COP30, reúne uma série de gravuras e instalações imersivas que exploram os valores de ciclo, regeneração e coexistência, tendo a floresta e os cogumelos como eixos centrais.
A mostra nasceu a partir do livro ilustrado “A Floresta do Mofo Dourado”, que conta uma história de cogumelos e florestas imaginárias e será lançado junto com a mostra no Brasil pela editora AMELÌ, com o apoio do Centro Cultural Coreano. Essa narrativa inicial, que foi selecionada para a categoria “Amazing Bookshelf” da seção Prateleiras (ODS) na Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2025, se expandiu para uma exposição no Museu de Arte Kumho, na Coreia, e agora cresce no Brasil, incorporando novos materiais e a participação do público, que, por meio de reflexos e luzes, integra-se a imagens impressas.
“Esse processo se assemelha ao próprio princípio de uma floresta. A vida não se completa sozinha. Uma floresta é formada por inúmeras conexões e transformações. Esta exposição é um experimento que expressa essas conexões por meio da arte”, reflete a artista.
“Floresta Invisível”, obra em destaque na exposição, é uma instalação que expande as imagens florestais desenvolvidas pela artista na sua série “Raízes Inclinadas”. Enquanto a instalação coreana apresenta raízes encostadas a uma parede, criando uma sensação de tensão como se estivessem prestes a cair, a instalação brasileira (3,6mx6m) enfatiza o fluxo do “rio que flui para baixo”, posicionando a obra sobre uma superfície inclinada.
A obra é uma pintura em painel de grande escala baseada em serigrafia e monotipia, inteiramente criada à mão. O processo de serigrafia cria camadas de cor e textura através de impressões repetidas, enquanto a monotipia introduz traços de imprevisibilidade e acaso. Essas camadas impressas assemelham-se às redes ecológicas de raízes e micélio, visualizando as energias e memórias invisíveis que sustentam a floresta.
Na instalação brasileira, a superfície da obra não é plana, mas sim projetada com gradações em degraus, criando um perfil em camadas. Isso revela os planos laterais da obra, permitindo aos visitantes acompanhar o fluxo das imagens enquanto também leem os textos inscritos nas margens. Os escritos poéticos contam histórias de raízes, rios, fungos e florestas, acrescentando uma outra dimensão narrativa que se estende para além do visual.
A obra parte do reconhecimento de que “o mundo não existe apenas na vertical e na horizontal”. A vida é sempre inclinada, oscilante e retorcida; no entanto, dentro desta instabilidade, as raízes agarram-se umas às outras e perduram. A mensagem reflete tanto a sobrevivência e a coexistência da ecologia da floresta como a forma como a humanidade pode encontrar novos caminhos no meio da crise.
PROGRAMAÇÃO PARALELA
Além da exposição, Seungyoun Lee também participará de outras atividades em São Paulo. No dia 15, haverá um bate-papo com ela e com a tradutora do livro, Yun Jung Im, na livraria Aigo. A conversa abordará o processo de trazer os sentidos em coreano. A artista conduzirá, ainda, um workshop de gravura no dia 16 de novembro, no qual convidará o público a experimentar as técnicas que compõem seu processo criativo. A atividade será uma oportunidade para os participantes colocarem a mão na massa e vivenciarem de perto o modo como Seungyoun Lee desenvolve suas obras.
Paralelamente, levará sua reflexão sobre a floresta para a Galeria de Mídia Digital da FIESP entre os dias 4 e 24 de novembro. Com o objetivo de causar uma sensibilização visual e sensorial sobre os sistemas ocultos da floresta, a obra será uma animação baseada em seu livro.
SOBRE A AUTORA
Seungyoun Lee nasceu em Seul em 1982. Filha de um físico, mudou-se com a família para a Austrália e depois para Daejeon, a capital científica da Coreia. Escolhendo o caminho artístico, formou-se em Design pela Universidade Hongik, na Coreia, e é mestre em Narrativas Ecológicas pela Central Saint Martins, em Londres.
Influenciada pela formação do pai, interessa-se por questões fundamentais da física, buscando respostas para elas por meio da linguagem artística. Seus trabalhos, que frequentemente reinterpretam questões como civilização, religião, guerra e etnia sob a perspectiva de uma coreana, partem do desenho e se expandem para diversos meios, como ferro, madeira, tecido e vídeo.
SERVIÇO
Exposição “Floresta Invisível”, de Seungyoun Lee, com realização do Centro Cultural Coreano, organização da Seletivo.art e da Transipot, e apoio do Complexo Cultural Oswald de Andrade
Local: Complexo Cultural Oswald de Andrade
Endereço: Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo – SP
Data: 8 de novembro a 10 de janeiro de 2026
Horário: de segunda a sexta das 10h às 21h; sábados das 11h às 18h
Entrada: gratuita
