Evento online e gratuito realizado pelo Instituto Brasil-Israel traz seleção de filmes contemporâneos que narram fraturas e silêncios que atravessam vidas comuns, muitas vezes à margem dos discursos oficiais
Entre os dias 10 e 19 de novembro, o Instituto Brasil-Israel (IBI) realiza a 4ª edição da Mostra de Cinema Israelense. O evento, que tem apoio do Sesc e do Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, acontece de forma online e gratuita, apresentando ao público uma seleção de filmes contemporâneos que narram fraturas e silêncios que atravessam vidas comuns, muitas vezes à margem dos discursos oficiais. Haverá sessões exclusivas presenciais na abertura e no encerramento na cidade de São Paulo.
A curadoria da mostra é de Bruno Szlak e, nesse ano, teve como proposta uma jornada cinematográfica por paisagens físicas e afetivas que tensionam a ideia de pertencimento, deslocamento e intimidade.
“Em vez de centralizar as já conhecidas discussões sobre diversidade cultural ou identitária no contexto israelense, esta mostra convida o público a observar como o cinema atual se dedica a contar as inquietações cotidianas. São cinemas de escuta, corpos em travessia. É nesse terreno, onde as narrativas não buscam resolver, mas coexistir com suas contradições, que a seleção de filmes dessa mostra se inscreve”, destaca Szlak.
A abertura da 4ª Mostra de Cinema Israelense será no dia 10 de novembro, presencialmente para convidados, em São Paulo, com a exibição do filme Soda, ambientado em Israel, nos anos 1950, especialmente entre 1954 e 1956. O drama, dirigido por Erez Tadmor, acompanha Shalom Gottlieb (Lior Raz), um líder comunitário e ex-partisan judeu da Segunda Guerra Mundial que hoje trabalha em uma fábrica de água com gás (soda). Sua rotina e liderança tranquila são abaladas pela chegada de Ewa (Rotem Sela), uma costureira misteriosa que vem com sua filha e desperta a atenção de Shalom. Rumores sobre um possível passado como Kapo num campo nazista desencadeiam tensão na comunidade de sobreviventes do Holocausto. Dividido entre desejo e responsabilidade, Shalom enfrenta uma crise moral profunda. Enquanto isso, sua esposa, Gita, e outros vizinhos lidam com traumas não resolvidos do passado.
O filme combina realismo social com um delicado ritmo visual: a câmera íntima, ambientada em um kibutz e fábricas, traz proximidade emocional com personagens ainda marcados por memórias dolorosas.
Após a abertura, o filme estará disponível online e gratuitamente na plataforma do cinesesc, na companhia de títulos como Halisa, que traz para a telona questões que envolvem estruturas familiares e sociais em transformação; EID, que conta o drama de jovem que viveu na divisa entre seu mundo interior e a vida destinada a ele; e The Road To Eilat, que narra a viagem de um pai com seu filho num trator por toda Israel, conhecendo outras pessoas que, como eles, lutam por uma vida melhor.
A programação da mostra também contempla os filmes Real Estate, que narra a jornada de um jovem casal prestes a se tornar pais por um lar transformada em uma viagem ao coração de sua relação apaixonada; e Cabaret Total, que traz o dilema vivido por Assi, um ator fracassado que ganha os holofotes repentinamente por um acontecimento inesperado. Assi se vê forçado a escolher abandonar ou perseguir seus sonhos com todas as forças.
O encerramento da 4ª Mostra de Cinema Israelense acontecerá de forma presencial no dia 19 de novembro, em São Paulo, com a exibição do documentário Holding Liat, que ocupa um lugar significativo na memória visual contemporânea ao transformar uma tragédia pessoal em reflexão política. Ele narra com sensibilidade o drama vivido pela família Beinin‑Atzili após a sequestro de Liat, cidadã israelense-americana, durante o ataque da Hamas ao Kibutz Nir Oz em 7 de outubro de 2023.
O filme ganhou o Prêmio de Documentário da Berlinale 2025 e o Prêmio do Júri Ecumênico, abrindo caminho para sua elegibilidade ao Oscar na categoria melhor documentário. Holding Liat questiona dualidades simplistas entre vítima e agressor, patrocinando uma narrativa acolhedora e complexa da experiência humana em meio a conflitos, convidando o público a refletir sobre empatia, ativismo individual e os limites do diálogo, especialmente em tempos de polarização.
Serviço
4ª Mostra de Cinema Israelense
De 10 a 19 de novembro de 2025
Online e gratuito
Assista na plataforma do Sesc Digital.
Mais informações em institutobrasilisrael.org.
PROGRAMAÇÃO 4ª MOSTRA DE CINEMA ISRAELENSE
SODA (2024) é um filme ambientado em Israel, nos anos 1950, especialmente entre 1954 e 1956. O drama acompanha Shalom Gottlieb (Lior Raz), um líder comunitário e ex-partisan judeu da Segunda Guerra Mundial que hoje trabalha em uma fábrica de água com gás (soda). Sua rotina e liderança tranquila são abaladas pela chegada de Ewa (Rotem Sela), uma costureira misteriosa que vem com sua filha e desperta a atenção de Shalom. Rumores sobre um possível passado como Kapo num campo nazista desencadeiam tensão na comunidade de sobreviventes do Holocausto. Dividido entre desejo e responsabilidade, Shalom enfrenta uma crise moral profunda. Enquanto isso, sua esposa, Gita, e outros vizinhos lidam com traumas não resolvidos do passado. A direção de Erez Tadmor combina realismo social com um delicado ritmo visual: a câmera íntima, ambientada em um kibutz e fábricas, traz proximidade emocional com personagens ainda marcados por memórias dolorosas.
HALISA (2024) encontra no cotidiano uma delicadeza crua, captando com olhar atento os gestos quase imperceptíveis que revelam estruturas familiares e sociais em transformação. Sara, interpretada por Noa Koller é uma enfermeira que cuida de bebês em Haifa, anseia por seu próprio filho após anos de tratamentos de fertilidade fracassados. Quando a jovem mãe Anya chega com o bebê Eden, elas criam um vínculo, suprindo a necessidade de Sara por uma família e a de Anya por apoio.
EID (2024) tensiona o tempo, o das celebrações, das esperas, das memórias, para construir um retrato afetivo da repetição e da interrupção, das ausências que moldam as presenças. Num retrato da sociedade árabe-israelense, Eid é um trabalhador da construção civil que mora em Rahat. Seu sonho é criar um teatro. Ele descobre que seus pais, que veem a formação de uma família como um valor supremo, arranjaram um casamento para ele em um acordo, no qual ele e sua irmã se casarão com dois irmãos de outra família. Sem escolha, Eid se casa com Abir, que para ele simboliza a prisão. Ao mesmo tempo, ele escreve secretamente uma peça baseada em uma agressão sexual que sofreu quando criança por um homem da cidade. Ele também tem um caso pelo Skype com Dounia, uma atriz de Paris, que o ajuda com seus textos. E assim, Eid viveu na divisa entre seu mundo interior e a vida destinada a ele. Ele não pode deixar seu ambiente de vida, mas luta por sua liberdade dentro dos limites que lhe são impostos.
THE ROAD TO EILAT (2022) se aproxima de uma geografia marcada pela travessia e pela promessa, embaralhando a distinção entre o épico e o íntimo, o coletivo e o solitário, num típico road movie de resgate da relação de pai com filho. Albert, um veterano de guerra idoso faz uma aposta: dirigirá seu trator surrado (velocidade máxima: 35 km/h… ladeira abaixo) por toda a extensão de Israel até Eilat — em uma semana. Ben, seu filho rabugento e desempregado, é obrigado a acompanhá-lo. A jornada divertida e agridoce em busca do perdão e da compreensão os leva em uma viagem de trator por regiões esquecidas de Israel, conhecendo outras pessoas que também lutam por uma vida melhor.
Em REAL ESTATE (2023), Tamara e Adam formam um casal intenso e instável, que estão prestes a se tornar pais, e suas vidas estão um caos. Pouco antes de serem despejados de seu apartamento em Tel Aviv, Tamara decide procurar um novo lar na cidade natal de Adam, Haifa. Ao longo de um dia inesquecível em busca de um apartamento, a jornada por uma casa transforma-se em uma viagem ao coração de sua relação apaixonada, e ao mesmo tempo impossível.
Em CABARET TOTAL (2024), Assi, um ator fracassado, retorna para casa e para sua família após concluir o serviço militar de reserva durante a guerra. Embora sonhe em se tornar um artista de sucesso, a realidade o coloca dando aulas de teatro na escola local e apresentando um show de cabaré todas as noites no centro comunitário. Um acontecimento inesperado o leva repentinamente aos holofotes — mas não pelos motivos que ele esperava. Assi se vê forçado a escolher entre abandonar seus sonhos ou persegui-los com todas as forças.
*O documentário HOLDING LIAT (2025), narra com sensibilidade o drama vivido pela família Beinin‑Atzili após a sequestro de Liat, cidadã israelense-americana, durante o ataque da Hamas ao Kibutz Nir Oz em 7 de outubro de 2023. O filme ganhou o Prêmio de Documentário da Berlinale 2025 e o Prêmio do Júri Ecumênico, abrindo caminho para sua elegibilidade ao Oscar na categoria melhor documentário. Holding Liat ocupa um lugar significativo na memória visual contemporânea ao transformar uma tragédia pessoal em reflexão política. Ele questiona dualidades simplistas entre vítima e agressor, patrocinando uma narrativa acolhedora e complexa da experiência humana em meio a conflitos. O filme convida o público a refletir sobre empatia, ativismo individual e os limites do diálogo, especialmente em tempos de polarização.
*Exibição presencial
