A exposição Tom sobre Tom, faz parte da programação do Coletivo Pink aberta ao público na Casa das Rosas, em São Paulo, reúne fotos, vídeos e relatos para mostrar a importância dos relacionamentos e vínculos familiares para as pessoas que vivem com câncer de mama ou de próstata
Pessoas que recebem o diagnóstico de câncer enfrentam inúmeros desafios para além do tratamento. Entre eles, está a falta de apoio emocional e, em muitos casos, até o fim de relacionamentos no momento em que mais precisam de suporte: para homens com câncer de próstata e mulheres com câncer de mama.
De forma leve e sensível, a exposição Tom Sobre Tom disponível até o dia 09 de novembro na Casa das Rosas, em São Paulo, integra a programação da oitava edição do Coletivo Pink, um movimento que reúne as principais organizações sociais que atuam na área de oncologia do Brasil e visa levar informação de qualidade sobre saúde para toda a população Brasileira.
A exposição conta com o patrocínio da Pfizer via Lei de Incentivo à Cultura, produção da Colmeia Social com coprodução da Aflora Cultural. A mostra reúne fotografias, vídeos e depoimentos de 10 pessoas — cinco com diagnóstico de câncer de mama e cinco com câncer de próstata — destacando suas relações com parceiros, filhos e familiares durante o diagnóstico e o tratamento.
A exposição faz parte da programação do Outubro Além do Rosa que é reconhecida em nível nacional e com diversas ações, contudo a diferença de 2025 é o fato de ter antecipado o Novembro Azul e já falar sobre a saúde do homem que na maioria das vezes negligencia seu autocuidado.
As entrevistas foram conduzidas por Andrea Moreira, consultora e produtora cultural que dialoga com as pessoas que vivem com câncer e seus familiares traduzindo de forma leve a jornada de cada indivíduo e suas famílias.
“Nas entrevistas com os homens que vivem ou viveram a experiência do câncer de próstata foi interessante perceber o impacto do preconceito ainda nos dias de hoje, a maioria deles optou por não revelar o diagnóstico e tratamento em seu meio social restringido a informação à família apenas. Ao contrário das mulheres que abrem o tema para além da família para as amigas”, conta Andrea.
Segundo a produtora Cultural, outro ponto interessante de perceber, é que o câncer de próstata faz os homens assumirem o protagonismo do tratamento. Um deles, engenheiro, mencionou que foi aos diferentes especialistas com um caderninho e depois criou uma planilha em excel para decidir qual seria o tratamento mais eficaz em termos de impacto, tempo de recuperação e custo. Durante o tratamento assumiu a responsabilidade sobre a alimentação. Por outro lado, suas esposas começaram as entrevistas fortes e valorizando a performance de seus maridos/pacientes, no entanto, ao aprofundar o diálogo com escuta ativa e afetiva ficou evidente o impacto emocional que o diagnóstico e tratamento causaram ou ainda causam em suas vidas. Há esposas que sinalizaram que se mantiveram fortes, pois, não se sentiam confortáveis em demonstrar aos maridos práticos/racionais sua apreensão e reservaram suas lágrimas aos momentos solitários no banho.
“Um ponto interessante, é que todas as mulheres estavam disponíveis para dar depoimentos, fossem esposas ou filhas para apoiar os homens diagnosticados com o câncer de próstata, o que evidencia que a rede de apoio já existia de forma imediata. No entanto, esta não é a realidade das mulheres que são diagnosticadas com câncer de mama. Das cinco mulheres entrevistadas apenas uma mulher participou da ação com seu esposo e filho e outra foi acompanhada pela sua esposa”, comenta.
As demais pacientes foram acompanhadas de suas mães e filhas. “O fato é que no diálogo sobre saúde no relacionamento, as mulheres héteros sinalizaram o desafio de manter relacionamento com os homens a partir do diagnóstico de câncer de mama. Uma mulher jovem com menos de 40 anos, sinalizou que não se sente vista pelos homens como ser humano e mulher, pois, parece que o que vale é somente o corpo, mas que no caso dela é um corpo com cicatrizes e destacou quão desafiador é viver tal realidade”, observa Andrea.
Além disso, duas mães que são rede de apoio de filhas que vivem com câncer de mama, uma delas com 83 anos, sinalizou que aprendeu a ser uma rede de apoio e sofre ao ver a filha passando por tantos desafios e tratamentos, mas que também ciência que precisa ficar bem para seguir a vida dela, conta.
A exposição Tom Sobre Tom é sensível, traz informações de qualidade sobre saúde para a população, mas traz muita sensibilidade e identificação com tal situação. Além disso, é feito por pessoas e para pessoas.
Andrea também informa que, se por um lado as mulheres gostam de estar em evidência em suas fotos, por outro, os homens estão dispostos em janelas que precisam ser abertas para que as histórias deles e suas famílias sejam reveladas.
“A narrativa da exposição foi trazer um novo olhar tanto para o câncer de mama e, principalmente para o câncer de próstata. A exposição busca, portanto, não apenas sensibilizar sobre a importância do cuidado físico, mas também provocar reflexões sobre empatia, solidariedade e a necessidade de fortalecer os vínculos familiares diante de uma das doenças mais desafiadoras da atualidade”, finaliza Andrea Moreira.
Serviço
Exposição Coletivo Pink: Edição Tom sobre Tom
Data: De 1 de outubro a 9 de novembro, de terça a domingo
Horário: 10h às 17h30
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37 – Bela Vista, São Paulo – SP
Site: www.exposicaocoletivopink.com.br
Sobre a Colmeia Social
A Colmeia Social é uma organização fundada em 1975 que tem o propósito de contribuir para os direitos da criança, adolescente e idoso, por meio de ações sociais focadas em saúde e cultura. Braço social do Grupo YABÁ, para projetos Sociais e Culturais, realiza projetos apoiados via Leis de Incentivo Fiscal e/ou verba direta integrando a estratégia de negócio das empresas às necessidades da sociedade. A organização social atua com inovação educativa e integra temas de cultura, saúde e empreendedorismo em suas ações, contando com a Aflora Cultural como produtora de todos os seus projetos.
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