Co-fundadora do Shop2gether e referência no mercado de moda e comportamento, Ana Isabel compartilha suas melhores dicas para explorar Beijing, Pingyao, Xi’an e Shanghai com olhar apurado, curiosidade e sensibilidade
Cada vez mais central no cenário global, a China é um país de extremos que coexistem em harmonia: lanternas vermelhas e inteligência artificial; caligrafia milenar e QR codes. Foi nesse universo multifacetado que mergulhei, disposta a ir além dos pontos turísticos e observar os hábitos, os ritmos e as estéticas de um país em permanente transformação.
Com o olhar de especialista em comportamento do consumidor e inovação no varejo, viajei atenta às experiências, detalhes e contrastes que a China tinha a me oferecer. Mais do que visitar pontos turísticos, busquei decifrar os hábitos, ritmos e estéticas desse país em permanente mutação.
Minha base em Pequim foi o The Peninsula Beijing, um hotel elegante e silencioso, estrategicamente localizado perto da Praça da Paz Celestial. Ele combina tradição com luxo contemporâneo e tem um charme único: no café da manhã, você se encontra cercada por boutiques como Hermès e Chanel. Em Pingyao, cidade murada com ruas de pedra e atmosfera ancestral, fiquei na Jing’s Residence, uma antiga mansão da dinastia Qing convertida em hotel boutique. Tivemos ali um jantar memorável, servido no pátio interno, sob lanternas, com pratos locais apresentados com sofisticação. Já em Shanghai, escolhi um hotel com rooftop na região da Bund, onde é possível observar o skyline futurista de Pudong contrastando com os edifícios históricos da antiga concessão francesa. Para quem quer repetir a experiência, recomendo The Peninsula Shanghai, Waldorf Astoria on The Bund ou St. Regis — todos com vista privilegiada para o rio Huangpu.
Cheguei ao país por Pequim. De lá, fiz os trechos entre cidades com trens de alta velocidade, ágeis, silenciosos e pontuais, até Pingyao e Xi’an, e de avião até Shanghai. É importante saber: muitos aplicativos comuns no Brasil, como WhatsApp, Google Maps e Instagram, não funcionam sem VPN. Por isso, é fundamental instalar uma VPN confiável antes de embarcar. Dois aplicativos que se tornaram grandes aliados foram o Alipay, usado para praticamente todos os pagamentos (inclusive cafés, atrações e transporte), e o Didi Taxi, versão local do Uber com interface em inglês. Cartões de crédito raramente são aceitos, e o Apple Pay não funciona.
Na gastronomia, Pequim foi uma aula de tradição. Provei o clássico Pato Laqueado em lugares muito especiais. No Dadong Roast Duck, a leveza da receita e a apresentação são impecáveis. O restaurante Made in China, dentro do Grand Hyatt, oferece uma versão refinada em ambiente moderno. Também adorei o elegante 1949 The Hidden City, perfeito para um jantar mais especial. Quanjude é o mais tradicional, fundado em 1864. Para uma experiência mais contemporânea, Huaiyang Fu, estrelado Michelin, é uma ótima opção com releituras da culinária regional.
As compras e explorações urbanas renderam descobertas incríveis. Em Pequim, o bairro de Sanlitun tem um clima urbano, jovem e cheio de marcas internacionais. O mercado Panjiayuan foi um achado para antiguidades e peças artesanais. Já em Shanghai, amei caminhar pela French Concession, ruas arborizadas, cafés charmosos e boutiques autorais. Para quem busca moda de luxo, a Nanjing Road e o Plaza 66 reúnem as principais grifes e, no distrito artístico M50, instalado em um antigo complexo industrial, me encantei com o trabalho da estilista Judy Hua, cuja moda é escultural, minimalista e cheia de força artística.
Alguns momentos me marcaram profundamente: o silêncio poético de Pingyao à noite, quando lanternas se refletem nas pedras das ruas; a energia vibrante do bairro muçulmano de Xi’an, onde aromas, cores e sabores se entrelaçam; e a vista iluminada de Shanghai refletida no rio, revelando um vislumbre do futuro em tempo real.
Para quem vai, recomendo estar aberto ao novo e ao diferente. A China ensina sobre ritmo, escala, contraste e complexidade. Voltei impactada não só pelas paisagens, mas pelas perguntas que a experiência me deixou

