No dia 4 de novembro, cantora apresenta “Senhora das Canções”, espetáculo que celebra a obra da Divina e ganhou registro em álbum pela Biscoito Fino
Duas intérpretes. O mesmo amor pelo ofício. Mônica Salmaso e Elizeth Cardoso. Quem as vê no palco tão serenas, parafraseando ‘Faxineira das Canções’ (Joyce Moreno), crê ser simples aquilo que nasce de um rigor e dedicação incansáveis à música. Repertório que jamais busca a fórmula do sucesso, respeito aos compositores e músicos que as acompanham. Devoção ao público. Separadas por décadas, unidas pelo tempo que embaralha e unifica passado, presente e futuro. O encontro da voz de Mônica com a obra de Elizeth chega novamente ao Rio, onde o espetáculo nasceu. A única apresentação será no dia 04 de novembro, no Teatro Riachuelo Rio. O projeto ganhou um registro oficial pela Biscoito Fino.
O álbum foi gravado ao vivo em estúdio em um único dia, durante a temporada do show homônimo, no Rio de Janeiro, em 2025. “Achamos que seria bonito entrarmos no estúdio, concentrados, com o show “quentinho” e fazer um registro do trabalho. No dia anterior ao último show, fomos ao estúdio da Biscoito Fino e gravamos o disco inteiro ao vivo. As 16 canções. Foi uma sessão de gravação das mais lindas que eu já participei”, celebra Mônica.
A ideia inicial era homenagear Elizeth por ocasião do seu centenário, em 2020, mas a pandemia adiou os planos e o show só estreou em 2022, no Rio de Janeiro, passando por São Paulo e com nova temporada no Rio, em 2025, quando finalmente foi gravado. Mônica foi para o estúdio acompanhada pelos músicos que estavam com ela desde o nascimento do projeto: Luciana Rabello (cavaquinho), Mauricio Carrilho (violão de 7 cordas), Paulo Aragão (violão, direção musical e arranjos), Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn), Magno Julio (percussão) e Marcus Thadeu (percussão). Teco Cardoso (flautas) e Nailor Proveta (clarinete) participaram da apresentação em São Paulo e da gravação do álbum.
A homenagem surgiu de uma visita de Mônica Salmaso à Casa do Choro, no Rio de Janeiro, e do encontro com Luciana Rabello e Mauricio Carrilho, não por acaso músicos que atuaram ao lado de Elizeth, na década de 1980. Garimpeira das canções, Mônica há muito conhecia a obra de Elizeth, mas alcançou a dimensão da ‘Divina’ quando mergulhou no projeto. “Lembro de ter assistido a um programa Chico e Caetano onde ela foi convidada. Ela era de outra geração e sua presença no programa me chamou a atenção. Era uma dama reverenciada com muito respeito. E o olhar dela para todos era simples, concentrado e feliz. Só entendi de verdade o tamanho da Elizeth quando fui fazer a pesquisa de repertório para nossa homenagem. Ali, me dei conta do tamanho da discografia desta cantora”, explica.
A partir de um mergulho na extensa discografia, nasceu o repertório com um passeio pelos muitos caminhos musicais percorridos por Elizeth: sambas gravados nas décadas de 50 (‘Seresteiro’, de Raul Moreno, Renato Lima e Zé Keti); sambas-canções de discos antológicos como ‘Canção do amor demais’ e ‘Elizeth interpreta Vinícius’, clássicos que ela visitou (‘Violão Vadio’, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, ‘Sei lá, Mangueira’, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho), pérolas esquecidas (‘A mentira acaba’, de Rui de Almeida e Arnô Provenzano) e até mesmo uma rara composição da cantora (‘Se as estrelas falassem’).
O álbum traz canções não gravadas por Elizeth, mas que dialogam com seu universo: ‘Nossa Senhora do Silêncio’ (Mauricio Carrilho/Paulo César Pinheiro) e ‘De Bem Com o Amor’ (Luciana Rabello/Paulo César Pinheiro). “A Luciana Rabello e o Mauricio Carrilho tocaram com a Elizeth por anos, foram muito próximos dela e são compositores incríveis. Achei bonito colocar no repertório músicas deles, inclusive pensando que Elizeth amaria cantá-las”, pontua Mônica. A cantora abriu ainda uma terceira “janela”: ‘Deixa pra Lá’ (Dino e Meira), do repertório de Izaurinha Garcia, que descobriu em um CD de preciosidades presenteado por Cristina Buarque. Foi uma oportunidade para homenagear também o centenário de Izaurinha Garcia, celebrado em 2023.
‘Carta de Poeta’ (Baden Powell / Paulo César Pinheiro) quase ficou de fora do álbum e traz uma história curiosa. “O show tem uma canção muito difícil, ‘Valsa sem nome’. Estava na passagem de som do 2º show do “Terças no Ipanema”, quando comentei que era preciso coragem sempre pra cantá-la. Aí a Luciana e o Maurício disseram que, em shows, a Elizeth evitava cantar essa e ‘Carta de Poeta’. Dizia que “às vezes saia, outras vezes não” (risos). Não conhecia ‘Carta de Poeta’, eles me mostraram e caí de amores. É escandalosamente linda! E a gravação da Elizeth é primorosa. Fiquei “mordida” pela ideia de cantá-la. Aprendi e fizemos na passagem de som da terceira noite. No show não fiz, estava tomando coragem. Quando tínhamos terminado a gravação das músicas escolhidas para o cd no estúdio, no calor e na felicidade daquela sessão de gravação mágica, pedi pra gente gravar ‘Carta de Poeta’. E assim foi. Ela entrou no último show do “Terças no Ipanema” e veio pra ficar. Agora eu que lute, porque vale a pena!”.
Mônica e Elizeth. Estava escrito.
Teatro Riachuelo Rio
O prédio, tombado como patrimônio histórico-cultural, é imponente e se destaca na Rua do Passeio, número 40, reunindo passado, presente e futuro em um só lugar. O ícone da belle époque brasileira ficou com as portas fechadas por dois anos até 2016, quando foi devolvido à população como Teatro Riachuelo Rio, sempre com uma programação plural e acessível. Desde então, foram realizadas diversas peças, musicais, concertos e shows.
Com uma área de aproximadamente 3.500 m², o teatro oferece uma estrutura completa para seus frequentadores, incluindo foyer, salas de ensaio, escritórios, camarins, área externa e uma grande sala com plateia para 999 pessoas. Mais do que um espaço físico, o teatro representa um compromisso com a promoção da cultura e da arte em suas diversas formas. O espaço conta ainda com o Bettina, Café & Arte, que, além de abrir como bomboniere para atender ao público do teatro, funciona também para café da manhã e almoço.
Ficha Técnica
Mônica Salmaso – voz
Luciana Rabello – cavaquinho
Mauricio Carrilho – violão de 7 cordas
Paulo Aragão – violão, direção musical e arranjos
Teco Cardoso – flautas
Nailor Proveta – clarinete
Aquiles Moraes – trompete e flugelhorn
Magno Julio – percussão
Marcus Thadeu – percussão
Luz – Silvestre Jr e Carolina Autran
Som – Carlos Rocha (Técnico de PA)
Som – Daniel Tápia (Técnico de monitor)
Produção executiva – Carla Assis
Serviço
Mônica Salmaso – Senhora das Canções
Data: 04 de novembro (quarta-feira)
Horário: 20h
Valores:
Plateia VIP – R$ 200,00
Plateia – R$ 160,00
Balcão Nobre – R$ 100,00
Balcão – R$ 80,00
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 75 minutos
Ingressos: Venda online
Teatro Riachuelo Rio – Rua do Passeio, 40, Centro, Rio de Janeiro

