Com o tema “Carnaval: como as transformações sociais, econômicas e políticas vão impactar a festa”, o evento terá 5 mesas de debate, 1 painel e programação musical com os blocos Cordão da Bola Preta e Vem Cá, Minha Flor e o DJ JP
Carnaval é patrimônio cultural, ativo econômico estratégico e força estrutural da ocupação urbana da cidade. Mas diante de tantas transformações sociais, políticas e econômicas que se anunciam, como a festa poderá se manter de pé, com a força e a liberdade que precisa? Como lidar com os impactos da reforma tributária que se anuncia e com as políticas públicas de incentivo que devem desaparecer? São muitas perguntas para um setor que já mostrou sua importância, mas um dos primeiros que se vê ameaçado diante de tantas mudanças.
Essa é a proposta temática da edição especial de 20 anos do Desenrolando a Serpentina, projeto realizado pela Sebastiana, que acontecerá nos dias 16 e 17 de outubro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).
No sábado, 17 de outubro, o DJ JP abre a programação musical às 18h30. Em seguida, às 19h30, é a vez do bloco Vem Cá, Minha Flor. Às 21h, o Cordão da Bola Preta fecha a a edição especial de 20 anos do Desenrolando a Serpentina.
O encontro reunirá gestores públicos, pesquisadores, produtores culturais, representantes do setor turístico, imprensa e patrocinadores para debater os impactos econômicos, sociais e simbólicos do maior evento popular do planeta. A programação inclui cinco rodas de conversa e um painel promovendo o diálogo entre tradição, inovação e políticas públicas.
“Nosso objetivo é ampliar a compreensão do Carnaval como um ativo econômico estruturante do Rio de Janeiro, destacando sua capacidade de gerar empregos, movimentar a economia criativa, fortalecer o turismo e estimular a ocupação democrática da cidade ao longo de todo o ano. E diante de tantas mudanças que se anunciam, é preciso entender qual será o nosso papel e o nosso espaço de representação”, explica Rita Fernandes, presidente da Sebastiana.
Debates
No primeiro dia, 16 de outubro (sexta-feira), o foco será a troca de experiências entre carnavais de rua do Brasil, como Rio, Brasília e Belo Horizonte. A tarde, o tema é Carnaval como propulsor do turismo, com uma mesa dedicada ao impacto da festa na ocupação hoteleira, geração de emprego, no PIB e projeções para os próximos anos, reunindo representantes do poder público, do setor hoteleiro, da indústria do turismo e das entidades carnavalescas.
No segundo dia, 17 de outubro (sábado), o debate se volta para a economia criativa do Carnaval e como ela impacta um projeto de cidades que espelha o Carnaval como um ativo permanente de desenvolvimento cultural e urbano. Em seguida, na mesa os desafios do crescimento do Carnaval de rua, passando por temas como a necessidade de maior organização de trânsito e segurança, controle de ambulantes, tamanho da infraestrutura e o novo cadernos de encargos, direitos autorais, impactos no patrimônio material e novas propostas para garantir melhor organização e a sustentabilidade dos desfiles de 2027.
Economia do Rio
Dados recentes reforçam a relevância do tema: apenas em 2025, o Carnaval carioca movimentou mais de R$ 5 bilhões, impulsionando setores como hotelaria, comércio e transporte, além de gerar empregos diretos e indiretos e aumentar a arrecadação de impostos. Um estudo recente do Instituto Fecomércio RJ ampliou essa conta ao incluir efeitos diretos, indiretos e induzidos (cadeias de consumo e renda), apontando que o impacto pode chegar a aproximadamente R$ 8,8 bilhões em 2025, com um crescimento de quase 40 % em relação ao ano anterior. Esses números colocam o Carnaval entre os eventos culturais mais relevantes para o PIB do Rio de Janeiro.
PROGRAMAÇÃO 20º DESENROLANDO SERPENTINA
DIA 16/10 – Sexta-feira
MESA 1 – 11h ÀS 13h – Carnaval de Rua no Brasil. Os desafios diante de novas realidades
Gestores públicos trazem os principais desafios dos maiores carnavais de rua do Brasil, uma perspectiva de futuro em um país mais conservador. Conversa sobre onde há confluência de problemas e soluções que podem ser pensadas conjuntamente.
Carnaval de rua é uma das maiores manifestações culturais e populares do Brasil, capaz de transformar cidades inteiras em espaços de celebração, convivência e expressão cultural, mas também de mobilizar complexos desafios de gestão pública. Nesta mesa, gestores responsáveis pelos maiores carnavais de rua do país compartilham suas experiências e perspectivas sobre temas como planejamento urbano, segurança, mobilidade, limpeza, ordenamento do espaço público, sustentabilidade, financiamento, turismo, geração de renda e relação com blocos, artistas, moradores e iniciativa privada. A proposta é colocar diferentes cidades em diálogo para identificar os desafios que se repetem em realidades distintas, compreender soluções que já vêm sendo testadas e discutir quais experiências podem ser compartilhadas ou adaptadas. Mais do que olhar para os problemas de cada Carnaval de forma isolada, a conversa busca construir uma perspectiva de futuro para o Carnaval de rua brasileiro, explorando possibilidades de cooperação entre cidades, intercâmbio de conhecimento e desenvolvimento de soluções conjuntas para fortalecer, de forma sustentável, uma das maiores expressões da cultura brasileira.
Palestrantes:
Danielle Barros – Secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro
Bernardo Fellows – Presidente da Empresa Municipal de Turismo do Rio – Riotur
Daniele Rossi – Diretora de Eventos da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte – BELOTUR
Leandro de Oliveira – Subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural do Distrito Federal
Mediação: Rita Fernandes – Presidente da Sebastiana
MESA 2 – 14h às 16h – O Carnaval que move o turismo – Impactos da festa.
Ocupação hoteleira e dados do turismo; Impacto no PIB do RJ; Geração de renda e emprego; Dados e projeções.
Um dos principais motores da atividade turística da cidade, o Carnaval mobiliza uma ampla cadeia econômica que vai muito além dos desfiles e blocos e envolve diretamente setores como hotelaria, bares e restaurantes, transporte, comércio, entretenimento, serviços e economia criativa. Esta mesa reúne representantes dos segmentos diretamente e indiretamente beneficiados pela festa para discutir, a partir de dados e experiências concretas, o impacto do Carnaval na ocupação hoteleira, na chegada e permanência de turistas, na geração de empregos e renda e na movimentação da economia fluminense. A conversa também propõe analisar a contribuição do Carnaval para o PIB do Rio de Janeiro, os efeitos da circulação de visitantes sobre diferentes setores e territórios da cidade e as oportunidades de ampliar esse impacto ao longo dos próximos anos. Com dados, projeções e diferentes perspectivas da cadeia do turismo, a mesa pretende mostrar a dimensão econômica do Carnaval e discutir como planejamento, promoção turística, integração entre os setores e políticas públicas podem potencializar seus resultados, consolidando a festa como um dos grandes ativos turísticos e econômicos do Rio de Janeiro.
Palestrantes:
Marcel Balassiano – Subssecretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro
Jorge Chaves – Vice-presidente da HotéisRio
Fernando Blower – Presidente SindRio
Rafaela Bastos – Presidente do Instituto Fundação João Goulart e Vice-presidente de Projetos Especiais da Estação Primeira de Mangueira
Mediação: Pedro Guimarães – Presidente da Apresenta
MESA 3 – 16h às 18h – Um ecossistema chamado Carnaval – Como sobreviver às transformações tributárias, políticas e democráticas
Carnaval do Rio de Janeiro é muito mais do que uma festa: é um complexo ecossistema cultural, econômico, turístico e social que movimenta diferentes atores, territórios e cadeias produtivas, do bloco de rua à Marquês de Sapucaí. E que se insere em contextos sociais diversos. No Brasil, há anúncio de uma reforma tributária que vai impactar diretamente a festa. Como esses diferentes mundos se conectam e como vão lidar com esse futuro? Que relações de interdependência sustentam a maior celebração popular do Rio? Quais são os desafios de conciliar cultura, tradição, negócios, turismo, entretenimento, ocupação do espaço público e geração de renda? A conversa pretende revelar as engrenagens desse grande ecossistema e discutir como seus diferentes atores podem atuar de forma articulada para garantir que o Carnaval continue se renovando, gerando valor para a cidade e preservando aquilo que faz dele uma das mais importantes expressões da identidade carioca.
Palestrantes:
Renata Pimentel – Gerente Regional de Marketing – Ambev
Claudio Romano – CEO Dream Factory – Carnaval de Rua
Barizon – sócio da BarizON Entretenimento – VerdeRosa o camarote
Julia Zardo – Consultora de Inovação da Casa Firjan
Milton Cunha – Apresentador e reitor da UniCarnaval
Mediação: Rita Fernandes – Presidente da Sebastiana
DIA 2 – 17/10
Roda de Conversa – 10h às 12h – Olhares da fotografia na cobertura do carnaval – com fotógrafos com grande experiência na cobertura do Carnaval do Rio de Janeiro.
O Carnaval do Rio de Janeiro é também um espetáculo de imagens, e a fotografia tem papel fundamental na construção da memória, da identidade e do imaginário que se formam em torno da festa. Nesta roda de conversa, fotógrafos com ampla experiência na cobertura do Carnaval carioca compartilham seus diferentes olhares sobre os desafios e as particularidades de registrar uma manifestação tão diversa, dinâmica e intensa. A conversa propõe um mergulho nos bastidores da fotografia de Carnaval, discutindo escolhas estéticas, momentos decisivos, personagens, territórios, técnicas e transformações na forma de fotografar e distribuir imagens ao longo das últimas décadas. Entre a Sapucaí, os blocos de rua, os bastidores e as histórias que acontecem longe dos grandes palcos, a mesa pretende revelar como diferentes fotógrafos constroem narrativas a partir da festa e como seus registros ajudam a preservar, interpretar e ressignificar a história do Carnaval do Rio de Janeiro.
Palestrantes:
Moskow – Fotógrafo de carnaval de rua
Alex Ferro – Fotógrafo de carnaval de rua e Sapucaí
Publius Vergilius – Fotógrafo de carnaval de rua e Sapucaí
Lucíola Villela – Fotógrafa da Câmara Rio
Mediação – Marcela Esteves – Jornalista e roteirista da TV Globo
MESA 4 – 14h às 16h – Carnaval: economia criativa e projeto de cidades
Crescimento nacional do carnaval: festa, economia e desenvolvimento; Carnaval e trabalho – múltiplas possibilidades; Carnaval o ano inteiro – criação de calendários e políticas públicas; Desafios e perspectivas.
Esta mesa propõe discutir como o crescimento do Carnaval pode ser compreendido e planejado como parte de um projeto de cidade, articulando cultura, turismo, entretenimento, empreendedorismo e políticas públicas. A conversa parte das múltiplas possibilidades de trabalho e negócios geradas pela cadeia do Carnaval — dos artistas e produtores aos profissionais de comunicação, moda, gastronomia, tecnologia, serviços e economia popular — para refletir sobre como transformar essa dinâmica em oportunidades ao longo de todo o ano. Nesse contexto, o Carnaval deixa de ser apenas uma temporada e passa a integrar calendários culturais e estratégias permanentes de desenvolvimento, capazes de movimentar diferentes territórios e setores da economia.
Palestrantes:
Roberta Martins – Secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura
Lucas Padilha – Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
Dorival Brandão – Diretor da Associação Artise de Arte, Cultura a e Acessibilidade de Brasília
Célia Domingues – Vice-presidente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas
Leandro Vieira – Carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense
Mediação: Andrea Estevão – Doutora em Comunicação e Cultura e pesquisadora de Carnaval
MESA 5 – 16h30 às 18h30 – Os desafios do Carnaval de Rua para 2027.
Operação e infraestrutura necessária – uma revisão das necessidades; Ambulantes; Caderno de Encargos; Fomento; Propostas, soluções e atualizações; Iphan; Ecad.
Pensar o Carnaval de Rua do Rio de Janeiro para 2027 significa antecipar desafios e revisar estruturas para acompanhar a dimensão que a festa alcançou, garantindo uma operação capaz de conciliar a experiência de foliões, blocos, trabalhadores, moradores, poder público e demais agentes envolvidos. A mesa propõe discutir uma revisão das necessidades de infraestrutura e operação, incluindo ordenamento e atuação dos ambulantes, mobilidade, limpeza, segurança, banheiros, atendimento aos blocos e ocupação do espaço público, além de avaliar o Caderno de Encargos e os mecanismos de fomento ao Carnaval. Propostas de atualização e soluções para aprimorar o modelo de organização da festa, considerando questões relacionadas ao patrimônio cultural e à atuação do Iphan, bem como os direitos autorais e as atribuições do Ecad. A partir da experiência acumulada nos últimos carnavais, identificar gargalos, construir propostas concretas e discutir quais mudanças podem ser implementadas para que o Carnaval de Rua de 2027 tenha uma operação mais eficiente, sustentável e compatível com a dimensão cultural, econômica e social que a manifestação representa para o Rio de Janeiro.
Palestrantes:
Flavio Teixeira – Diretor de Operações da Riotur
Patrícia Wanzeller – Superintendente do IPHAN RJ
Marcos Costa – Gerente ECAD Rio de Janeiro
Jomar Jr. – Sócio da Dream Factory
Eider Figueiredo – Subsecretário de Operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) do Rio de Janeiro
Mediação – Rodrigo Rezende – Presidente da Liga do Zé Pereira e Rita Fernandes – Presidente da Sebastiana
Apresentações:
Dia 17/10 (sábado)
18h30 – DJ JP
19h30 – Bloco Vem Cá, Minha Flor
21h – Cordão da Bola Preta
Serviço
Desenrolando a Serpentina
Evento Gratuito
Datas: 16 de outubro (a partir das 11h) e 17 de outubro (a partir das 10h)
Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) – Avenida Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo (Aterro do Flamengo)

