“Disco é Cultura: Música, Gravadoras e Ditadura Militar no Brasil”
Livro de Claudio Jorge Oliveira relata a história da indústria fonográfica brasileira durante o regime militar.
Lançamento será em 14 de outubro, na Livraria da Travessa Ipanema, om participação de Charles Gavin e Silvio Essinger.
Em 1969, o governo militar criou uma lei que permitia às gravadoras abaterem 100% do ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) na criação de álbuns de artistas brasileiros. Era o selo “Disco é cultura”, estampado na contracapa de praticamente toda obra nacional. No livro Disco É Cultura – Música, Gravadoras e Ditadura Militar no Brasil, uma coedição das Edições Sesc com a Garota FM Books, o jornalista e doutor em História Claudio Jorge Oliveira oferece um amplo panorama sobre o surgimento e a consolidação da indústria fonográfica no Brasil, com destaque para a explosão do comércio de discos durante o período de ditadura militar (1964 a 1985). O prefácio é do jornalista Silvio Essinger e a orelha, de Charles Gavin.
“A proposta deste livro é contar uma história que é ‘o outro lado da MPB’, porque já conhecemos muito bem quem são os grandes nomes da nossa música e até a história do ‘lado B da MPB’, os malditos, os esquecidos, isso já foi objeto de atenção. O que eu busquei foi contar a história da indústria da música brasileira, da sua origem, quando o disco era o principal produto dessa indústria e a gravadora o único caminho para um artista alcançar o sucesso”, diz Claudio Jorge Oliveira.
Em 1941, os músicos do Rio de Janeiro entraram em greve paralisando todas as gravações de discos. A principal reinvindicação era o aumento do cachê, que não era reajustado há vinte anos. Em 1955, quando era deputado federal, o compositor Humberto Teixeira apresentou um projeto de lei que ficou conhecido como Lei Humberto Teixeira e que revolucionava o direito autoral e afetava diretamente os interesses das gravadoras. Nos anos 1960, a ABPD iniciou uma campanha para que o disco ganhasse isenção fiscal, assim como era com o livro. Além de lobby junto ao Governo, a campanha criou um selo com a frase “disco é cultura” que passou a estampar a contracapa de todos os discos. Resultado de um projeto de doutorado em História, Política e Bens Culturais de Claudio Jorge, trata-se de um estudo sobre o desenvolvimento da indústria fonográfica brasileira, sobretudo durante o regime, quando o mercado brasileiro de discos se tornou um dos maiores do mundo:
“Destaco a questão de ser uma pesquisa de História, porque isso influencia o formato, que é documental, baseado em fatos e fontes. A contextualização foi uma premissa. A história da MPB está ligada às transformações sociais, políticas e econômicas do Brasil. Não dá para pensar a indústria fonográfica sem considerar esse atravessamento. A música não existe isolada do resto da história do país.”
Com texto de orelha assinado pelo músico e pesquisador musical Charles Gavin e prefácio do jornalista Silvio Essinger, o livro é pontuado por entrevistas com nomes importantes da indústria e da música, como André Midani, Jards Macalé, Wilson Souto Jr. e Roberto Menescal. O trabalho minucioso de Claudio Jorge Oliveira oferece uma rica investigação sobre o mundo das gravadoras (desde 1902) e suas relações com o Estado brasileiro.
“Vamos conhecer quem eram os homens que mandavam nesse negócio, as suas relações com os artistas e com o poder constituído, com o Estado, com a ditadura militar. É uma história de sucesso, porque o Brasil chegou a ser o quarto maior mercado de discos do mundo nos anos 70, com crescimento anual de até 45%. E é uma história de fracasso também, porque a partir de 1980 essa bolha estourou e as gravadoras de capital nacional é que pagaram o pato”, afirma o autor.
Sobre o autor
Claudio Jorge Oliveira é historiador, escritor e jornalista, além de doutor em História, Política e Bens Culturais (FGV/CPDOC), com mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais (FGV/CPDOC) e pós-graduação em Gestão de Negócios (FGV/EAESP) e Comunicação Integrada (ESPM). Foi professor do MBA Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão (FGV). Na Petrobras, foi Coordenador de Patrocínio a Música e Patrimônio, Coordenador de Ativação de Patrocínios e Gerente de Eventos e Promoções.
Lançamento do livro ‘Disco É Cultura – Música, Gravadoras e Ditadura Militar no Brasil’ com bate-papo entre o autor, Charles Gavin e Silvio Essinger
Local: Livraria da Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema)
Data: 14/10/2026 (quarta-feira)
Horário: 19h
Editoras: Garota FM Books e Edições SESC
ISBN: 978-85-85091-11-8 (Garota FM Books) / 978-85-9493-395-9 (Edições Sesc)
Tamanho: 15 x 22cm, 408 páginas
Preço de capa: R$ 95
