No Teatro Clara Nunes, “Pandeirodê” aproxima crianças e adultos pela música, pelo corpo e por aquelas brincadeiras que começam sem ninguém perceber
Um pandeiro pode virar muita coisa quando cai nas mãos de uma criança. Pode ser instrumento, volante, chapéu, lua, esconderijo — e, alguns segundos depois, voltar a ser pandeiro. É desse olhar, tão próprio da infância, que Cris Barulins parte em “Pandeirodê”, show que chega ao Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro, às 16h. Cantora, percussionista e educadora infantil, Cris sobe ao palco com a Banda do Barulho para uma apresentação em que música e brincadeira acontecem juntas, sem pedir que as crianças fiquem apenas sentadas assistindo.
“Eu trabalho com criança há muitos anos e uma coisa que aprendi é que elas não entram numa experiência todas do mesmo jeito. Tem criança que já chega querendo dançar, outra fica olhando, outra só participa depois de um tempo. Eu não quero apressar nenhuma delas. Quero que o show tenha espaço para cada família encontrar o seu jeito de estar ali”, conta Cris.
O pandeiro é o fio que conduz o espetáculo. Pequenos, grandes, sonoros ou imaginários, eles aparecem entre canções, movimentos e jogos musicais. A partir deles, Cris atravessa ritmos como côco, samba, forró, capoeira e rock e mostra às crianças que fazer música também pode começar com aquilo que elas já têm: duas mãos, uma voz, os pés e vontade de experimentar.
“Às vezes a gente, adulto, acha que precisa ensinar a criança a brincar. E muitas vezes é o contrário. Você entrega uma possibilidade e ela leva aquilo para um lugar que você jamais pensaria. No ‘Pandeirodê’ eu gosto muito desses momentos em que preciso abandonar o que estava planejado porque uma criança acabou de inventar uma coisa melhor”, diz.
Essa conversa com a plateia atravessa músicas como “Tá Tá Tá”, “O Que é Valentim?”, “Sabiá do Quintal” e “Dilin Dilin”. Em uma, surgem respostas do público; em outra, adivinhações, assovios ou movimentos. O repertório inclui ainda “Entre o Morro e a Lua”, “Fogo Pequenino”, “Então Quem Foi?”, “Tralaô” e “Nas Tamancas”, sempre deixando espaço para que cada criança participe à sua maneira.
E os adultos também entram nessa roda. Para Cris, a experiência fica ainda mais interessante quando pais, mães, avós e responsáveis deixam por alguns instantes o lugar de quem apenas acompanha. “Eu gosto quando o adulto esquece um pouco que foi ao teatro ‘levar a criança’ e começa a brincar também. A criança percebe quando o pai ou a mãe está realmente ali com ela. Um canta, outro bate palma, alguém tenta acompanhar o ritmo. Essa presença muda tudo”, afirma.
Cantora, compositora, percussionista e educadora infantil, Cris Barulins desenvolve um trabalho que aproxima infância, música e cultura popular brasileira. Em 2015, lançou o disco “Mães e Bebês”, dedicado à primeira infância, e desde então vem construindo projetos em que escuta, imaginação e vínculo com as famílias ocupam o centro da cena. “Quero que as famílias levem um pouco daquele encontro com elas. Que saiam cantarolando, inventando uma brincadeira no caminho ou simplesmente com vontade de continuar aquele momento junto”, completa.
SERVIÇO
Cris Barulins apresenta “Pandeirodê”
Quando: 7 de setembro de 2026, às 16h
Onde: Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro
Quanto: R$ 60 (meia) e R$ 120 p/ sympla.com.br
Sobre Cris Barulins
Cris Barulins é cantora, compositora, percussionista e educadora infantil. Em seu trabalho, aproxima música, brincadeira e referências da cultura popular brasileira, criando experiências voltadas às crianças e suas famílias. Gravou em 2015 o disco “Mães e Bebês”, dedicado à primeira infância, e desenvolve espetáculos como “Pandeirodê” e “Planeta Peteca”. Atualmente, também trabalha no projeto Cris Bosch, com interpretações autorais voltadas à MPB.

