Adaptação da obra de Salim Miguel circula por quatro cidades fluminenses durante o mês de agosto e propõe uma reflexão sobre memória, identidade e pertencimento.
O Rio de Janeiro recebe, entre os dias 1º e 9 de agosto, a estreia de “Nur na Escuridão”, espetáculo contemplado pelo edital Literatura do Rio para o RJ, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec). Com entrada gratuita, a montagem será apresentada no Teatro Ruth de Souza, em Santa Teresa, nos dias 1º, 2, 8 e 9 de agosto, sempre às 17h. Adaptada da obra escrita por Salim Miguel, a peça narra a chegada do autor e de sua família ao Brasil, revisitando os desafios de quem atravessa fronteiras em busca de um recomeço.
Após a estreia na capital, o espetáculo segue com sua circulação gratuita por Nova Friburgo, com apresentações no dia 16 de agosto, às 11h e às 16h, no Teatro Irmã Sania Cosmelli. Depois, passa pela Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro, onde será apresentado nos dias 17 e 18 de agosto, às 11h e às 15h. A temporada se encerra em Campos dos Goytacazes, no dia 23 de agosto, com duas sessões no Teatro de Bolso Procópio Ferreira, às 11h e às 16h.
A adaptação estreia no ano em que se completam dez anos da morte de Salim Miguel, escritor nascido no Líbano e reconhecido como um dos principais nomes da literatura brasileira. Em 2009, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo conjunto de sua obra. Em “Nur na Escuridão” ele conta a história de como uma família de imigrantes libaneses se adaptou à cultura brasileira, ao idioma e ao novo território. O autor escreve sob a perspectiva de seu pai, Yussef (José), narrador da história, sem deixar de retratar também sua própria experiência como criança imigrante.
Para Antônio Carlos Miguel, filho do escritor, a força da obra está justamente na universalidade de seus temas e na maneira como a adaptação teatral preserva essa essência.
“O tema, no entanto, é universal, e bate fundo em corações e mentes de qualquer um ao redor do mundo. A questão do idioma, tão central para esse romance, é valorizada pela dimensão sonora no palco. A adaptação criada por Muna Omran joga habilmente com a lenta mudança no vocabulário do personagem, salpicando palavras e expressões árabes em seu português carregado de sotaque. Na velhice, sem nunca ter voltado à terra natal, José/Yussef criou uma família brasileira, mas não deixou de ser libanês”, afirma Antônio Carlos Miguel.
Idealizado por Muna Omran, que também assina a dramaturgia, com direção artística de Simone Kalil, ambas responsáveis pela produção do projeto, e realização da Trípoli Cultural, a iniciativa propõe um olhar sensível sobre a experiência migratória, tema que atravessa gerações e segue atual diante dos deslocamentos contemporâneos.
“O projeto Nur na Escuridão é mais do que uma simples adaptação: o espetáculo ilumina a coragem e os dilemas de quem deixa para trás a terra natal para recomeçar do zero em um país desconhecido, enfrentando a barreira da língua e a distância da cultura que deixaram para trás”, explica Muna Omran.
A diretora artística Simone Kalil destaca que um dos objetivos da montagem é resgatar a importância de Salim Miguel para a literatura brasileira, reconhecido como um dos autores mais relevantes da diáspora sírio-libanesa. Mais do que reconstituir sua trajetória, o espetáculo busca preservar a memória da imigração e ampliar o olhar sobre imigrantes de forma geral, revelando como o Brasil, ao mesmo tempo em que acolhe, também pode apagar a memória e a identidade de muitos dos que aqui chegam.
O ator Pedro Máximo protagoniza a montagem, alternando-se entre a figura do narrador e outros três personagens. Nascido em Del Castilho, no Rio de Janeiro, e atualmente radicado em São Paulo, o artista afirma que o processo de pesquisa e criação do espetáculo despertou reflexões sobre identidade, pertencimento e deslocamento, temas que atravessam tanto a obra quanto sua própria trajetória.
“Foi muito desafiador me relacionar com uma literatura libano-brasileira e mergulhar nesse universo. Ao mesmo tempo, pude trazer para a construção do espetáculo o meu olhar e os meus atravessamentos como artista afro-brasileiro. Também vivo um processo de deslocamento, e isso me fez perceber como o Brasil é um país forjado por diferentes movimentos migratórios e por histórias de deslocamento que continuam moldando quem somos”, afirma Pedro Máximo.
Outro elemento simbólico da montagem é o uso dos tijolos, presentes tanto na composição do cenário quanto na construção da linguagem cênica. Ao longo do espetáculo, eles assumem diferentes significados, transformando-se em muros, estruturas, bordas e fronteiras. Cada tijolo representa, simbolicamente, uma família de imigrantes que chegou ao Brasil, evocando o processo de edificar uma nova vida a partir de memórias, deslocamentos e trajetórias individuais.
Com classificação livre, duração de 50 minutos e entrada gratuita, “Nur na Escuridão” também foi pensado para ampliar o acesso ao teatro. Além de reservar 30% dos ingressos para pessoas trans, pessoas negras e pessoas com deficiência (PcD), o espetáculo apresenta uma iniciativa inédita de acolhimento a famílias sem rede de apoio, especialmente mães solo. Durante todas as apresentações, o público acompanhado de crianças contará com um espaço reservado, conduzido por uma monitora, onde os pequenos participarão de uma oficina gratuita de criação de brinquedos com material reciclado, enquanto mães, pais e demais responsáveis poderão assistir ao espetáculo com mais tranquilidade.
O projeto também reserva atenção especial à acessibilidade: haverá um espaço de acolhimento destinado a pessoas neurodivergentes, com luz mais amena, abafadores sonoros e brinquedos sensoriais. A última fileira do teatro será reservada exclusivamente para pessoas com TDAH, oferecendo maior conforto e liberdade para que possam sair da sala durante a sessão, sempre que necessário. Antes de cada apresentação, pessoas com deficiência visual poderão realizar o reconhecimento tátil do cenário e participar de um encontro com o elenco. O programa do espetáculo estará disponível em formato digital, com fonte ampliada e compatível com aplicativos de leitura para pessoas cegas. Além disso, uma sessão em cada cidade contará com tradução em Libras.
SERVIÇO
Espetáculo: Nur na Escuridão
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuitos
RIO DE JANEIRO
Teatro Ruth de Souza – Parque Glória Maria
Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa, Rio de Janeiro
Data: 1º, 2, 8 e 9 de agosto
Horários: 17h
Biblioteca Parque Estadual
Av. Presidente Vargas, 1.261 – Centro, Rio de Janeiro
Data: 17 e 18 de agosto
Horários: 11h e 15h
NOVA FRIBURGO
Teatro Irmã Sania Cosmelli
Rua Monsenhor Miranda, 74 – Centro, Nova Friburgo – RJ
Data: 16 de agosto
Horários: 11h e 16h
CAMPOS DOS GOYTACAZES
Teatro de Bolso Procópio Ferreira
Av. 15 de Novembro, 35 – Centro, Campos dos Goytacazes – RJ
Data: 23 de agosto
Horários: 11h e 16h
ACESSIBILIDADE
- Reserva de 30% dos ingressos para pessoas trans, pessoas negras e pessoas com deficiência (PcD).
- O espetáculo oferece um espaço de acolhimento para pessoas neurodivergentes, com iluminação mais amena, abafadores sonoros e brinquedos sensoriais.
- Última fileira do teatro reservada para pessoas com TDAH, proporcionando maior conforto durante a apresentação.
- Reconhecimento tátil do cenário e encontro com o elenco antes das apresentações para pessoas com deficiência visual.
- Programa do espetáculo em formato digital, com fonte ampliada e compatível com aplicativos de leitura de tela.
- Sessões com intérprete de Libras: uma apresentação em cada cidade onde o espetáculo será realizado.
AÇÃO DE ACOLHIMENTO
Durante todas as apresentações, o projeto oferece um espaço gratuito com monitoria para crianças. Enquanto os responsáveis assistem ao espetáculo, os pequenos participam de uma oficina de criação de brinquedos com materiais reciclados.
FICHA TÉCNICA
Idealização e dramaturgia: Muna Omran
Direção artística: Simone Kalil
Elenco: Pedro Máximo
Produção: Muna Omran e Simone Kalil
Cenografia e figurinos: Clarisse Oliveira
Iluminação: Ademir Lamego
Preparação corporal: Cátia Costa
Registro fotográfico e filmagem: Ariel Santos
Identidade visual: Fabrício Bittencourt
Assessoria de imprensa: Natália Vitória
Realização: Trípoli Cultural

