Um ano após o Brasil ser celebrado enquanto país de honra em Cannes e trazer a maior delegação de talentos à riviera francesa, o Nicho54 lançou a Sala54, plataforma de difusão e distribuição de filmes, no mais relevante evento de audiovisual do mundo. Em consonância com seu propósito de promover a presença estratégica de pessoas negras no audiovisual global, em especial talentos brasileiros, o Instituto posiciona cineastas e filmes diaspóricos e autorais cultural e comercialmente, oportunizando seu acesso ao mercado internacional e fazendo com que essas narrativas ecoem para além-mar.
A Sala54 foi oficialmente lançada nesta segunda-feira, dia 18, no Pavillon Afronova, situado no Village Internacional. A plataforma responde, principalmente, a uma demanda essencial do audiovisual brasileiro: a circulação de obras, uma vez que realizadores negros ainda estão apartados dos principais circuitos artísticos e comerciais do audiovisual. Com apoio institucional do Instituto Guimarães Rosa, esta é a 5ª missão da Nicho54 no Festival de Cannes.
Além disso, ao proeminente interesse internacional por narrativas da diáspora brasileira e por uma oferta qualificada de obras com potencial competitivo. Mais do que uma vitrine de filmes, a Sala54 alia visão artística, cultural, política e de negócios em um mesmo ecossistema, tornando-se um lugar adequado e seguro para que pessoas, festivais, críticos, curadores, pesquisadores e mercados se conectem.
A plataforma foi introduzida ao público por uma delegação feminina e negra, composta por executivas do Nicho54: Fernanda Lomba, cineasta e fundadora; Bethania Maia, curadora e articuladora audiovisual; Rubian Melo, produtora. “Retornar à Cannes para lançar a Sala54 com uma atuação alinhada à indústria internacional é fruto de visão estratégica e de anos investindo no próprio Marché du Film, que nos possibilitou aprender sobre o negócio e estabelecer conexões valiosas para expandir a visibilidade das narrativas negras brasileiras”, pontua Fernanda Lomba.
Há, além disso, o cuidado com o processo curatorial. O Brasil é um país continental e muito diverso. Em razão disso, o Nicho54 parte de uma filosofia de escolha coletiva e sensível, valorizando não apenas a excelência artística e técnica de projetos work in progress e em fase de distribuição, como também sua potência simbólica e geopolítica.
“A política curatorial da Sala54 foi construída de forma colaborativa, entendendo o pensamento negro como múltiplo e em movimento. Ao estabelecer autoria como principal critério para seleção, a plataforma enseja incentivar a emancipação criativa de profissionais negres na construção de suas narrativas e criar um ambiente que reflita a multiplicidade dos olhares negros no audiovisual brasileiro”, explica Bethania Maia, curadora e liderança associada da Nicho 54.
O lançamento da Sala54 marca ainda uma parceria inédita com o Pavillon Afronova, iniciativa internacional dedicada à promoção e articulação das indústrias audiovisuais africanas e da diáspora no contexto dos principais mercados globais de cinema. Instalado no Marché du Film, o espaço reúne anualmente produtores, realizadores, agentes de vendas e distribuidores, promovendo painéis, encontros e rodadas de negócios voltados à circulação dessas narrativas no circuito internacional.
Com um longa-metragem work in progress, a produtora executiva Rubian Melo, apresentou durante a cerimônia o filme “Sol a Pino”, que é realizado pela produtora audiovisual baiana Saturnema Filmes com direção da cineasta Ana do Carmo. A obra abre as atividades da Sala54, conectando com distribuidores, produtores e agentes do mercado internacional.
“Participar do Marché du Film com ‘Sol a Pino’ representa um passo importante na internacionalização da Saturnema Filmes e do audiovisual baiano. Há três anos apresentamos o projeto ainda em desenvolvimento em Cannes, e retornar agora com um primeiro corte, após todo esse processo de produção, é também uma forma de perceber como essa obra dialoga com o mercado global. Estamos falando de uma ficção científica brasileira, queer, afrocentrada e profundamente baiana. Existe uma ousadia estética e temática no filme que acreditamos ter potencial para atravessar fronteiras e despertar interesse de distribuidores, agentes de vendas e festivais interessados em novas perspectivas do cinema de gênero, eu estou animada para conferir a recepção do mercado sobre o projeto”, afirma Rubian Melo, produtora executiva na Saturnema Filmes.
Assim como “Sol a Pino”, outras obras audiovisuais brasileiras podem participar da plataforma. A Sala54 já está com convocatória permanente aberta para realizadores negros para projetos work in progress e em fase de distribuição e circulação internacional. As inscrições estão abertas através do formulário: Link .
A Sala54 tem apoio institucional do Instituto Guimarães Rosa (IGR), Projeto Paradiso, Spcine e SAV/MINC, além de apoio técnico do Cesnik e Gomake Digital.
Sobre a Nicho54
O Instituto Nicho54 é organização brasileira dedicada ao fortalecimento da presença estratégica de agentes negros do cinema no Brasil e internacionalmente. Ao longo de sua trajetória, desenvolve iniciativas que conectam talentos a mercados e constroem pontes entre o Brasil, o continente africano e as diásporas negras ao redor do mundo.
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