Skatista de rua há mais de 30 anos, atuante na cena nacional, Edu Lopes, também conhecido como apenasedu, fundou no início dos anos 90 em conjunto com BNegão o “The Funk Fuckers”, banda que integrou – assim como Planet Hemp, O Rappa e Black Alien – o núcleo que daria a cara da música produzida nas ruas do Rio de Janeiro durante os anos 90. No final da década de noventa criou o grupo A FILIAL e no início dos anos dois mil iniciou a fase onde foram lançados os discos:
“A FILIAL” (independente 2001), “Quem Menos Tem É Quem Mais Oferece” (Dubas Música/Universal, 2006), “$ 1,99” (Verge Records, 2008) – lançado nos Estados Unidos com ótimas críticas, desde a mídia underground americana até o New York Times; também lançado no Brasil no ano seguinte (2009) em parceria com o portal Bocada Forte, a revista Cemporcento SKATE e a marca de roupas Ezekiel; e “A FILIAL apresenta Eddie Lolo” de 2021 lançado em parceria com a plataforma de vídeos Odysee e o coletivo Ademafia, oriundo da comunidade carioca do Santo Amaro.
Nesse momento, dia 28/6, o grupo está lançando seu quinto e mais novo álbum chamado “Primeiro Disco”. Trabalho em que se torna evidente o retorno à raiz do autêntico rap, com forte influência da “golden era” do hip hop e da cultura de rua.
O quinto álbum do grupo se chama “Primeiro Disco”. Quinto álbum é o “Primeiro Disco”? Confuso? À primeira vista pode parecer que sim, mas ao ouvir a abrangente reformulação na linguagem musical e a reaproximação dos fundamentos do seu berço, tudo começa a fazer mais sentido. O álbum tem uma cara evidente de “começo”, que para um projeto com vinte oito anos de estrada é realmente um posicionamento claro de recomeço artístico.
Com participações de Daniel Shadow, Matéria Prima e Old Dirty Bacon, A FILIAL traz uma bagagem consistente de décadas dedicadas às rimas e batidas que empurra passos à frente os fundamentos dessa cultura de rua, que se desdobrou em sub gêneros e ganhou enorme abrangência dentro do mainstream brasileiro na última década. Bagagem que se traduz numa espécie de “mapa da mina”, um fôlego que contribui no ancoramento de valores inegociáveis para o hip hop original.

