Com direção de Nelson Baskerville e atuação de Helena Cerello, a temporada no Rio de Janeiro será no Teatro Domingos Oliveira, de 6 a 29 de JUNHO
Sexta 20h30, sábado 20h30 e domingo 19h
O monólogo “O Peso do Pássaro Morto” é um espetáculo teatral presencial, adaptação do livro de Aline Bei, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2018 (mais de 100 mil exemplares vendidos).
O livro de Aline Bei está entre os mais vendidos do Brasil, e nova edição será publicada pela Companhia das Letras, assim como o novo romance da autora, “Uma delicada coleção de ausências”. Aline Bei estará no Rio de Janeiro, na Bienal do Livro, no sábado, dia 19 de junho.
SINOPSE
A história de O Peso do Pássaro Morto, romance de estreia da autora, trata da vida de uma mulher dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um texto denso e leve, violento e poético, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.
O enredo leva o leitor a acompanhar como a criança lida com a morte, uma adolescente é impactada com a violência sexual e a maternidade solo, e como uma adulta encara as perdas e a solidão.
Com idealização e atuação de Helena Cerello, direção de Nelson Baskerville, luz de Reynaldo Thomaz e música original de Dan Maia.
HISTÓRICO
O trabalho está em cartaz há 6 anos, e já foi visto por milhares de pessoas. Teve temporadas online, durante toda a pandemia, quando a atriz e o diretor tomaram a atitude de desafiar novas formas estéticas e experimentaram criar uma possibilidade de teatro para a internet.
SUCESSO DE CRÍTICA E PÚBLICO
A versão teatral presencial, em cartaz desde 2022, segue o texto original da autora, e contém parte desse material, com qualidade cinematográfica, projetada no palco, com as devidas adaptações de encenação, propostas pelo diretor Nelson Baskerville, para a interpretação ao vivo da atriz Helena Cerello.
O enredo leva o leitor a acompanhar como a criança lida com a morte, uma adolescente é impactada com a violência sexual e a maternidade solo, e como uma adulta encara as perdas e a solidão.
Helena e Nelson optaram por dar voz à menina da infância à idade adulta e conceberam a montagem com cenas ao vivo e pré-filmadas. No primeiro caso das cenas ao vivo, no espetáculo, elas são interpretadas no palco. E as cenas filmadas, que foram captadas pela própria atriz, retratando a personagem narradora na adolescência, dão à experiência cênica, também um caráter audiovisual.
Com duração de 1 hora, a criação conta com o trabalho do músico e autor da trilha sonora original Dan Maia, atuando também como sonoplasta e editor de imagens, presentes nas projeções.
RELEVÂNCIA
Quantas perdas cabem na vida de uma mulher?
A história disseca a trajetória de uma menina que vira mulher e todas as perdas pelas quais essa personagem passa, nos convidando a olhar para a ressignificação da vida. Precisamos contar essas histórias para que elas não se repitam.
O livro, juntamente com o projeto em si, destaca a importância da consciência de contarmos histórias, onde o universo feminino pode ser profundamente adentrado, sem véus, nem idealismos, com uma visão da real violência silenciosa e explícita que mulheres, adolescentes e crianças podem ser expostas.
Como ser mulher dentro de um país, onde a cada 20 minutos, uma criança é estuprada? A obra traz ressonâncias dessa violência, com o objetivo de através do seu gênero dramático, com viés trágico, provocar a indignação, o espanto, a catarse e uma possibilidade de mudança em prol de uma ação empática, com essa causa. Parem de violentar nossas mulheres. Não queremos ser silenciadas. A peça traz esse grito, em forma de uma escrita e atuação contundentes, que apontam para as consequências desses atos, e convocam por mudanças.
Na história, a personagem criança tem uma relação conturbada com a mãe, que tem dificuldade de tratar com naturalidade temas considerados tabus sociais. Aos oito anos, a melhor amiga da menina morre, e o trauma tanto do fato em si quanto do medo dos adultos ao seu redor de conversar a respeito a acompanha pelo resto da vida. A protagonista também leva para a vida as marcas emocionais de uma violência na adolescência, o que carrega sua relação com o filho de culpa e distância. E é aí que o livro pode ganhar contornos de acolhimento para mães que passam por experiências parecidas. A depressão pós-parto da personagem, que não consegue lidar com as demandas daquela nova vida, é tratada de forma sutil e ao mesmo tempo bastante real, sem filtros nem concessões, reforçando a importância do diálogo franco sobre o assunto, e, por outro lado, do medo de julgamento como um agravante daquela condição.
“Acredito que ter um filho, o processo de gravidez, é algo bastante complexo, transforma rapidamente o corpo e a alma de uma mulher e quem pode garantir que ela está preparada para tudo isso? Essa história, infelizmente, é a história de muitas pessoas. Pais que não cumprem suas responsabilidades e mães que levam tudo nas costas. Temos que falar sobre isso, discutir até desnaturalizar esse tipo de comportamento masculino, o eterno cair fora apenas porque biologicamente o filho dos dois está crescendo no corpo da mulher”, defende a escritora Aline Bei
EXPERIMENTO cênico audiovisual
A companhia VADABORDO assina a realização da peça. Formada por Helena Cerello e pelo ator e palhaço Raul Barretto (responsável pela coordenação de produção do atual trabalho), a companhia cria obras híbridas entre o teatro e o audiovisual. O solo “O Peso do Pássaro Morto” segue esse conceito de mistura de linguagens.
O romance de Aline Bei também contém traços de hibridismo ao transitar pela prosa e a poesia, com forte vocação para uma adaptação dramatúrgica. “Assim como o livro, o espetáculo também se caracteriza como algo inevitavelmente híbrido, uma experiência cênica audiovisual”. conta a atriz.
HISTÓRICO da adaptação e colaboradores
Helena aproveitou os intervalos de uma filmagem no Pantanal, em 2019, onde passou 40 dias, para começar a adaptação dramatúrgica do livro, com a colaboração, nesta primeira versão, da atriz Cristiana Britto. As duas estudaram parágrafo por parágrafo, durante um mês, procurando as melhores combinações. “Foi extremamente doloroso fazer os cortes porque o livro é maravilhoso. Nosso maior trunfo é a palavra, o livro.”
Na volta para São Paulo, logo no início do processo, os ensaios foram interrompidos pela pandemia. Nelson Baskerville, o segundo colaborador na adaptação, entrou no projeto em meados de abril de 2020, para encarar a tarefa de organizar as ideias e dar uma identidade ao espetáculo. Helena destaca a sensibilidade, objetividade e o senso de humor do diretor, que aceitou prontamente o convite. “Depois de dois dias, a gente já estava ensaiando duas horas por dia. Nelson é muito parceiro. Um dia mostrei tudo e ele foi receptivo, enxergou o potencial da história, principalmente no momento de pandemia em que vivemos.”
O espetáculo estreou no segundo semestre de 2020, realizou apresentações online, durante toda a pandemia, e fez uma apresentação no SESC Londrina, no final de 2021, e enfim em 2022 ganhou o palco presencial na cidade de São Paulo, no teatro do Espaço Parlapatões. E segue, desde então, se apresentando pelo Brasil, tendo já passado por São Paulo (SP), Londrina (PR), Salvador (BA), Campo Grande (MS), Paraty (RJ), Sertão do Cariri (CE), em espaços convencionais e não-convencionais, alcançando todos os tipos de público.
A autora Aline Bei acompanha todo processo como ouvinte presente e silenciosa. As duas são amigas desde o tempo do curso de teatro no Célia Helena, onde foram alunas. A autora recebeu com emoção a ideia da adaptação. “Ainda mais tendo a Helena e mais tarde o Nelson no processo. Como fui atriz e sempre amei o teatro, ter o livro adaptado era um sonho. Estou muito ansiosa pra ver ao vivo no teatro’.
Helena teve liberdade no trabalho. “Ela me deu carta branca para fazer a adaptação. Sempre generosa, logo no início teve uma reação de encantamento com a possibilidade de o livro virar um espetáculo teatral. Gosto de dizer que Aline é uma evidência e um mistério. O talento dela é impactante, mas não tente desvendá-la. Ela vai pousar na sua mão, leve, te olhar profundamente e escapar antes de você conseguir elaborar todas as respostas.”
SOBRE PERDAS E DORES
Livro disseca a história de uma menina que vira mulher e todas as perdas pelas quais essa personagem passa e nos convida a olhar para este momento pós-pandêmico, como uma possibilidade de ressignificação da vida. “É como se estivéssemos todos reaprendendo a viver.”
Helena Cerello ficou impactada pela leitura do livro, vislumbrando as imagens. “O livro me tocou muito, principalmente na questão da oralidade, parecia que a voz da personagem chegava direto na minha alma. A teatralidade se materializou principalmente na voz de uma criança sofrendo uma perda e não encontrando a escuta necessária para lidar com ela.”
O desenrolar dos acontecimentos, até a idade adulta da personagem, seguiu envolvendo Helena. “Aline Bei encontra as palavras certas ao falar sobre perdas, o que nesse momento pós-pandemia se torna necessário e urgente. A leitura do livro nos abre, como se fôssemos um livro também e nos convida a olhar para as nossas dores e às dores dos outros com escuta, num exercício de empatia. Por mais cortantes que sejam as situações do livro, a sensação que dá é que, ao tocarmos nas dores, elas respiram. Como se elas dissessem obrigado por me verem, eu estou aqui, e por alguns segundos elas se tornam mais leves.”
ALINE BEI – autora
Escritora brasileira. Depois de ganhar o Prêmio Toca, criado pelo escritor Marcelino Freire, escreveu em 2017 seu primeiro romance, O Peso do Pássaro Morto, pela Editora Nós. Com ele, foi a vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2018 na categoria Melhor Romance de Autor com Menos de 40 anos. Seu segundo livro, Pequena Coreografia do Adeus, foi publicado pela Editora Companhia das Letras, e foi indicado ao Prêmio Jabuti. E seu terceiro livro, Uma delicada coleção de ausências, será publicado em junho, pela Companhia das Letras, assim como uma nova edição do livro O Peso do Pássaro Morto.
HELENA CERELLO – atriz
No teatro, além de O Peso do Pássaro Morto, Helena concebeu a peça “Il Viaggio (di G. Mastorna)”, inspirada em roteiro inédito de Federico Fellini, com adaptação de Marcelo Rubens Paiva. Trabalhou como atriz com os grupos Cemitério de Automóveis, Parlapatões, Pia Fraus, entre outros. Integrou a Cia Le Plat du Jour, uma companhia de mulheres palhaças, por 10 anos, com a qual recebeu os Prêmios APCA e Indicação ao Prêmio de Melhor atriz no Prêmio Zilka Salaberry (RJ). Foi indicada ao Prêmio APCA juntamente com Raul Barretto por ter levado ao teatro as obras de Hundertwasser, em O Mundo de Hundertwasser, espetáculo pelo qual recebeu o Prêmio Aplauso Brasil em 2019. No teatro, atuou em mais de 20 espetáculos teatrais. Como dramaturga, é co-responsável pela adaptação teatral de O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei. E também pela adaptação teatral do livro Terrapreta, de Rita Carelli. No cinema, como atriz, atuou em diversos curtas e no filme “My Hindu Friend” de Hector Babenco e em “Erotic Man” de Jorgen Leth, produção Lars Von Trier. Na televisão esteve no elenco das séries “O Negócio” de direção de Michel Tikhomiroff (HBO), “Família Imperial” direção de Teo Poppovic (Canal Futura), em “Como Aproveitar o Fim do Mundo” direção de José Alvarenga (Globo Play), “Trago Comigo” de Tata Amaral (TV Cultura), “No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais” direção Cao Hamburguer (Canal Futura), “Alice” direção de Karin Ainouz (HBO) e “Descolados” direção de Luis Pinheiro (MTV). Publicou o romance “Ninguém abandona o paraíso pela porta da frente”, pela editora Quelônio, 2018. Desde 2012, é responsável artística da Companhia Vadabordo, com a qual desenvolve espetáculos com a mistura de linguagens e conteúdo audiovisual. Atualmente, Helena se dedica ao roteiro e direção de um documentário, “Terrapreta, o sonho de uma pajé”, inspirado na vida da Pajé Mapulu Kamayura, e sua vinda para São Paulo, para a realização de uma peça de teatro.
NELSON BASKERVILLE – diretor
Santista, é ator, diretor e autor teatral, além de artista plástico. Tem quatro indicações ao Prêmio Shell de melhor diretor por “As Estrelas Cadentes do Meu Céu são feitas de Bombas do Inimigo”, em 2013; por “Eigengrau”, em 2015, e por “Os 3 Mundos”, em 2018. Ganhador do Shell de 2011 por “Luis Antonio-Gabriela”, além do Prêmio APCA 2011 de melhor espetáculo, o de melhor espetáculo pelo júri popular do Prêmio Governador do Estado e Prêmio CPT de melhor diretor e melhor conjunto, pelo mesmo espetáculo. Baskerville ainda recebeu indicações ao Shell por melhor texto, cenário e luz em 2011 e por melhor iluminação em 2013 por “As Estrelas Cadentes do Meu Céu são feitas de Bombas do Inimigo”.
Como artista plástico teve exposições de suas obras em Guimarães, Portugal, e na Galeria PoP e Dicromatopsia em São Paulo. Atualmente é representado pela Smith Galeria na Nova Zelândia e Galeria Tribo, em São Paulo. Em televisão, atuou na minissérie “Maysa” e nas novelas “Viver a Vida” e “Em Família”, todas de Manoel Carlos, com direção de Jayme Monjardim. Atuou também nas séries “O Negócio” da HBO; “Carcereiros”, de Eduardo Belmonte, para a Rede Globo, e “Coisa Mais Linda”, na Netflix. Em cinema atuou em “Hebe”, de Mauricio Farias; “O Vendedor de Sonhos”, de Jayme Monjardim, e “Divaldo Franco”, de Clovis Melo.
DAN MAIA – Músico e ator
É sound designer e compositor. Colaborou com diretores como Gabriel Villela (indicado ao prêmio Shell de melhor música para Fausto Zero e Vestido de Noiva), Marcelo Lazzaratto, Maria Thais, Tadashi Endo, Alexandre Reinecke, Lígia Cortez, Marcio Aurelio, Dan Stulbach, Cia. de Dança Palácio das Artes (Prêmio Sesc/Sated – Melhor Trilha Sonora de Espetáculo de Dança de 2002 e Prêmio Sesc/Sated – Destaque Especial 12 anos em Trilha Sonora de Dança), Roberto Alencar, Mika Lins, Nelson Baskerville (indicado ao Prêmio Shell de melhor música com 1Gaivota – é Impossível Viver sem Teatro), entre outros. Entre seus últimos trabalhos estão: Concerto para João, com direção de Cassio Scapin e texto de Sérgio Roveri; A-VÓS, da Nave Gris Cia. Cênica de Dança; O Rio, de Jez Butterworld, com Maria Manoella, Nelson Baskerville e Virginia Cavendish; Romeu e Julieta 80, com Renato Borghi e Miriam Mehler, e Ha Dô, de Tadashi Endo.
FICHA TÉCNICA do monólogo inspirado no livro
O PESO DO PÁSSARO MORTO de Aline Bei.
Idealização e Atuação: Helena Cerello. Direção: Nelson Baskerville. Adaptação Dramatúrgica: Cristiana Britto, Helena Cerello, Nelson Baskerville. Música Original e Edição de Cenas: Dan Maia. Luz: Reynaldo Thomaz. Figurino: Claudia Schapira. Assessoria de ilusionismo: Henry Vargas e Klauss Durães. Participação especial: Aline Bei e Aurora Cerello. Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira – Arteplural. Captação de Imagens: Helena Cerello. Fotos: Aurora Cerello. Participação especial canina: Caramelo e Borges. Coordenação de Produção: Helena Cerello. Realização: Companhia VADABORDO.
SERVIÇO
Espetáculo O PESO DO PÁSSARO MORTO Adaptação teatral de “O peso do pássaro morto”, romance de Aline Bei, vencedor do Prêmio São Paulo de literatura 2018, com a atriz Helena Cerello, direção de Nelson Baskerville.
Temporada no Rio de Janeiro
Teatro Domingos Oliveira
Av. Padre Leonel Franca, 240
Gávea [Planetário]
Finais de Semana de Junho de 2025
Dias 6, 7, 8, 13, 14, 15, 20, 21, 22, 27, 28 e 29 de junho
sextas 20h30
sábados 20h30
domingos 19h
ingressos estarão disponíveis na plataforma:
riocultura.eleventickets.com
Valores:
50 reais ingresso
25 reais meia-entrada
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
