Luiz Lins lança aguardado álbum de estreia “Plástico”
Compositor gravado por grandes nomes como João Gomes, Ludmilla e Glória Groove, o multiartista de 28 anos Luiz Lins, nascido em Nazaré da Mata, na zona da mata de Pernambuco, lançou seu álbum de estreia, “Plástico”, no dia 27 de julho.
Com milhões de ouvintes em todo o mundo, o cantor e produtor musical potente e versátil é também artista visual, que assina seus projetos.
Desde o lançamento de seus singles, a partir de 2016, apresenta uma promissora trajetória que se concretiza num primeiro disco com sonoridade múltipla.
Com influências de hip hop, rap, R&B, soul, jazz, funk, canção e brega pernambucano, as dez faixas trazem temáticas afetivas, carregadas de honestidade e intensidade, marca de Luiz. Tudo sempre imerso num universo musical psicodélico, co-produzido pelo artista e por Mazili, com elementos como sintetizadores e guitarras.
Os singles “A Música Mais Triste do Ano”, “Jamais” e “Eu To Bem” possuem dezenas de milhões de plays em plataformas de streaming. A edição do projeto “Poesia Acústica” com participação de Luiz Lins ocupa hoje o posto de música mais reproduzida do gênero rap no Brasil. O artista tem músicas regravadas por João Gomes (“Mete Um Block Nele” e “Sem Você”) e por Ludmilla e Gloria Groove (“A Música Mais Triste do Ano”). Em 2022, Luiz Lins participou novamente do “Poesia Acústica 12”, que já soma mais de 50 milhões de visualizações.
Faixa a faixa “Plástico”
HORIZONTE
Mazili
De todas as músicas do disco, essa foi a que mais teve influência da banda na produção. Uma vez Luiz me mostrou todas as composições na casa dele. Mas foi na primeira execução para a banda, que definimos que a bateria teria essa pegada tribal e experimental. A música foi surgindo enquanto a gente testava timbres nos sintetizadores e ensaiava para alguns shows. Acabou sendo a preferida de todo mundo até as outras músicas tomarem forma. Ela tem essa vibe empolgante e leve. Infelizmente, a pandemia começou quando a gente ia gravar alguns instrumentos. Isso mudou toda a dinâmica de produção das músicas. Mas também sinto que levou o tempo necessário para que a gente amadurecesse o som.
Luiz Lins
Retrata o amor romântico, a ilusão e até a imaturidade. De um ponto de vista dependente, em que uma pessoa sofre ao se relacionar com um parceiro evasivo. A incompatibilidade entre eles no presente evidencia como as relações são incertas e a vida não é linear. Veio bem rápido, melodia primeiro, lembro de achar que soava engraçado. Foi a primeira depois que me isolei pra compor, e que foi amarrada a ideia de que se faria um disco.
TE AMAR
Mazili
Pra mim é a música mais refrescante que já ouvi. No início era bem mais carregada mas precisava manter o ritmo de uma maneira leve. É uma música de uma pessoa que tá abrindo o coração, ela precisa ser aberta e convidativa. Eu comecei essa produção com alguns sintetizadores, que foi algo que usamos bastante nesse disco. Na época, Luiz estava estudando síntese de som, então saiu modulando e automatizando alguns timbres, Apesar de ser simples, acabou com bastante dinâmica. Mandei o instrumental para Jnr Beats, que sempre colabora conosco e ele acabou colocando a cereja do bolo que são os sintetizadores do refrão. Toda vez que ouço fico emocionado pensando: queria ter feito essa música! Ainda bem que fiz.
Luiz Lins
Essa fala sobre paixão e impulsividade. Ele fala de um ponto de vista em que vale a pena apostar no presente, apesar do passado de ambos, de onde isso pode levar. Mas de um lugar também inconsequente e quase irreal. A melodia dessa ficou na minha cabeça um tempão e gosto de como soa. Lembro dela vir bem rápido.
ERRO
Mazili
Essa música desde a primeira guia tinha uma vibe anos 1980/ 90. Tentei não perder isso nela porque Luiz tinha feito um instrumental de referência e ele tinha essa cara. Foi a primeira do disco que a gente ouviu, ela tinha sido gravada para um projeto chamado “Quintal”. Mas acabamos não lançando porque entraria no disco. Depois a gente puxou uns timbres mais modernos, muita mistura de ideias até chegar onde foi… Acho essa música uma experiência. Me apaixonei por ela durante o processo, também acho que ela tem uma abordagem muito única, é uma história bem contada com uma mensagem importante. Luiz tem essa característica de colocar melodia e frases grandes e algumas ideias passam despercebidas diante de todo o resto. Essa faz a gente abrir a cabeça pra vida.
Luiz Lins
Fala de entrega, de uma perspectiva de se atrever diante das situações ao invés de se acovardar. Considera que o tempo anda pra frente, mas na direção das nossas escolhas. A letra aponta como nos abstemos de experiências e até de escolhas por medo, como isso também é uma escolha e uma forma de se anular da própria vida. As melodias vieram primeiro. É cheia de vícios de voz de músicas que ouvi a vida inteira, como em todo o disco. A letra só surgiu na melodia, escrevi num violão também nas fases iniciais do projeto.
DIZ ALGUMA COISA
Mazili
Precisava ter um brega nesse disco. É muito do que a gente faz, do que a gente ouve e quem somos. Já tivemos essa experiência em “Dois Lados”, mas “Diz Alguma Coisa” veio antes. Ela já nasceu pronta. É só colocar para ouvir e puxar alguém pra dançar. Se não tiver um par, a música vai colocar você pra pensar. É uma situação comum que todo mundo já deve ter passado uma vez na vida. Antes da situação acontecer no mundo real, às vezes ela acontece na nossa cabeça. Você imagina toda a conversa com a pessoa, a situação já foi reavaliada muitas vezes no seu íntimo.
Luiz Lins
Essa fala de distância, frieza e dúvida, especialmente dentro de um casamento. Aponta a falta de diálogo como a maior fonte de problemas e oferece o alívio do diálogo para o parceiro, que simplesmente diz o que realmente está acontecendo. E assim, os dois podem lidar com a verdade. A melodia me veio há muito tempo e eu não consegui me livrar dela. Foi tomando forma aos poucos e se consolidou no momento em que me isolei para compor as músicas. Eu sempre ouvi e ouço até hoje muito brega, então sinto que é uma linguagem familiar e que eu tive prazer em fazer.
MEUS AMIGOS ME ODEIAM (ft. KONAI)
Mazili
Quando Luiz começou a aprender a tocar piano, gostava de criar progressões de acordes enormes. Acho que músicas importantes tem essa característica. Ele começou essa canção e a gente foi fazendo juntos. A tensão antes do refrão foi bem experimental. A gente queria trazer uma dissonância para a música, para traduzir o sentimento de altos e baixos. O pianista de Maceió Junior Bragazion regravou as teclas que eu tinha criado, com muita sutileza. Adicionou ainda coisas que deram um charme único para a música. Para dar um respiro num disco cheio de guitarras e sintetizadores, esta faixa não tem guitarras. Já colaboramos com Konai em outra oportunidade, sou muito fã do trabalho dele, teve uma evolução gigante nos últimos anos. No processo de criar e experimentar, acabou mudando a estrutura do instrumental, adicionando camadas de vozes. Espero que essa música seja um abraço pra todo mundo que ouvir e se identificar.
Luiz Lins
A letra fala não só sobre problemas de autoimagem e autoestima, mas também de um ponto de vista depressivo e de ideações paranóicas. O que parece carência é na verdade o medo inconsciente de ser abandonado, que como um trauma não acessado, se reflete em padrões afetivos e nas relações. Ele mina as próprias relações por medo de lidar com o abandono e se repete nesse lugar. A ignorância sobre o problema ou não saber explicar gera ainda mais sofrimento, junto com o que ele pensa de se mesmo ou como acha que é visto e isso pode ou não ser real. O texto é pequeno mas tem várias nuances de interpretação. Lembro de ter medo de escrever mais e desalinhar o que eu tinha dito. Escrevi no piano com um arranjo simples. Esse som comunica muito. Vejo como um reflexo da época também, me isolei uns meses pra compor.
CAMA VAZIA
Mazili
Luiz nem tinha dado tanta atenção a essa canção na época em que a compôs. Desde a primeira audição, gostei muito e sempre ficava pedindo para ele cantar de novo. Num outro dia, enquanto fazíamos testes de cenário e gravação, tivemos a ideia de fazer voz e violão. Depois, a música ganhou uma segunda parte e pelo menos uns cinco projetos com testes instrumentais, que pra mim deveriam ter um pé no samba. Acho que consegui fazer isso. É um som bem experimental que fiz com Moral, nosso guitarrista.
Luiz Lins
Uma faixa sobre o ciclo do abandono, reprodução de padrões e toxicidade. Aponta a situação de lidar com alguém emocionalmente quebrado e o risco de se quebrar no processo. Somos espelhos de situações da vida toda e acabamos reproduzindo as operações das violências que sofremos. Foi a primeira música de todas a ser composta. Creio que ressoa mais com a ideia inicial do projeto, que era o disco antes do disco ser. Gosto que a composição seja sutil. Não enchi de palavras. Foi a primeira a ter material gravado e a parte falada veio bem depois. Não era para integrar essa música mas as ideias casaram então aderi como parte da canção.
JOGO DE AZAR
Mazili
Essa música é uma saga. No início, lembro que a gente achava que essa música devia ter gritos e chegamos a passar uma tarde gravando. Os vizinhos não entenderam nada. Durante o processo tudo isso mudou e a música tá em outro patamar. De certa forma, é uma experiência.
Luiz Lins
Fala de toxicidade, de instabilidade emocional e mental e de perda. Retrata uma relação levada à exaustão por um parceiro consciente dos estragos que causa, mas que ignora as razões disso e o seu próprio estado, que cai em repetição. É alguém que sente a perda e mesmo assim não se vê de outra forma. Consegue amar, mas não consegue nutrir, cuidar.
A melodia do refrão veio na cabeça e ficou por meses, mas não sabia o que fazer, as palavras foram surgindo junto com coisas que eu queria dizer é nesse ponto foi rápido amarrar.
O QUE SOU PRA VOCÊ? (ft. LUCAS SILVEIRA)
Mazili
Simplesmente amo essa música. É a única do disco que não produzi. Eu e Luiz fizemos o instrumental e convidamos Lucas, que pediu permissão para fazer alterações. Ele salvou a ideia da composição, executou de outra maneira e a música ficou grande. A composição foi feita de um jeito único. Acho muito sincera e dolorida de ler. Sempre que escuto, é como se tivesse com um peso nas costas, depois que ela acaba, sinto um alívio no peito.
Luiz Lins
A música retrata uma pessoa ferida emocionalmente por um parceiro inacessível e nebuloso, que impacta sua vida com a ausência. Além da falta, machuca não entender porque isso acontece, o que gera insegurança, complexos e desespero. Foi feita aos poucos, as palavras vieram devagar. Eu tinha um riff inicial de violão, mas acabou se transformando totalmente quando Lucas entrou na faixa. Ele produziu do zero, de forma que não lembro mais da primeira versão. Uma mensagem densa em uma composição bem simples.
MIDAS
Mazili
“Midas” é para chorar sorrindo. Uma música feliz que trata sobre um assunto delicado. É bem confuso o sentimento dela mas também bem prazeroso, acho uma faixa libertadora e divertida. Uma das minhas preferidas.
Luiz Lins
“Midas” para mim é o sentimento que amarra este trabalho. Fala sobre um momento de consciência de uma pessoa instável e autodestrutiva, que mantém uma apatia artificial através de drogas e companhias. Nela, falo de como o que importa de fato vai ficando pra trás enquanto nos colocamos em situações que não queríamos estar de verdade, as relações vão se dissolvendo e tudo decai. Também fala da sensação de distorção do tempo e espaço gerada por algumas situações ou substâncias. É a cura de um grande peso, de uma carga emocional enorme. Comunica dissociação, fuga e remorso.
REPLAY
Mazili
Essa faixa originalmente seria para meu disco solo. Compus o instrumental, Luiz chegou no estúdio e começou a arriscar algumas melodias. Aí a música acabou sendo absorvida para o álbum “Plástico”. É minha vibe preferida do álbum, acho muito pra cima e ao mesmo tempo dinâmica. Ela evolui. Acho que passamos dois anos pra fazer a segunda parte da música, escrevemos juntos.
Luiz Lins.
Fala de liquidez e da falta de fé nos acordos românticos, das repetições nas relações ao longo da vida. Do cinismo que isso traz para nossas ações no presente, às vezes projetando uma relação na outra, agindo de forma ordinária, blasé. Desse ponto de vista, se relacionar é um risco à estabilidade mental e uma perda de tempo, já que tudo acaba.
Foi a última música a ser composta, a única que não comecei também, escrevi num beat que Mazili já tinha e me mostrou eventualmente em uma das sessões de voz do disco. Fiz o refrão no dia e ficou, mas no verso levei uns meses, soa simples mas não tinha feito ainda algo tão pop. O verso rimado veio de vez numa tarde e também ficou.
