Sacerdote de Candomblé e doutor pela USP, Bàbá Sidnei se une ao advogado e doutor em Direito Hédio Silva Jr. em debate no Festival Afropindotrans, em 31 de outubro, no MUHCAB
Rio de Janeiro, outubro de 2026 – O escritor, pesquisador e sacerdote de Candomblé Bàbá Sidnei Nogueira, mestre e doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (USP), e o advogado Hédio Silva Jr., mestre e doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), participam, em 31 de outubro, sábado, das 14h às 16h, do lançamento oficial no Rio de Janeiro de “O perigo de uma religião única”, publicado pela Editora Planeta. O encontro acontece no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), durante o Festival Afropindotrans 2026, realizado pela Azula Produções. Com entrada gratuita, a atividade terá mesa de debate, venda de exemplares e autógrafos.
A obra parte de uma questão que atravessa a relação entre fé e vida pública: o que acontece quando uma perspectiva religiosa pretende definir como toda a sociedade deve viver? Os autores discutem como essa imposição ultrapassa os espaços de culto e interfere na educação, na política e no exercício de direitos.
Inspirado no conceito de “o perigo de uma história única”, desenvolvido pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o livro examina como crenças, narrativas e valores podem assumir o lugar de referência para determinar o que uma sociedade considera legítimo, aceitável ou verdadeiro. Nesse processo, outras tradições e formas de compreender o mundo são silenciadas ou tratadas como inferiores.
“Uma religião se torna perigosa para a democracia quando deixa de querer compartilhar o mundo e passa a querer definir como todos devem viver nele. A liberdade de crença só existe de fato quando inclui também a liberdade do outro de acreditar diferente, de não acreditar e de existir fora dos nossos códigos religiosos”, afirma Bàbá Sidnei Nogueira.
O debate se aproxima da realidade das religiões de matriz africana e dos mecanismos que sustentam sua discriminação. Os autores analisam como discursos religiosos podem ser instrumentalizados para legitimar práticas racistas, misóginas e LGBTfóbicas, transformando convicções particulares em critérios para restringir os direitos de outras pessoas.
“Uma religião se torna perigosa para a democracia quando deixa de querer compartilhar o mundo e passa a querer definir como todos devem viver nele. A liberdade de crença só existe de fato quando inclui também a liberdade do outro de acreditar diferente, de não acreditar e de existir fora dos nossos códigos religiosos”, afirma Bàbá Sidnei Nogueira.
Ao longo da obra, a defesa do Estado laico está ligada às condições concretas de convivência: o direito de praticar uma religião, de mudar de crença ou de não seguir nenhuma, sem sofrer violência ou ter a cidadania condicionada à fé. A discussão aborda os usos da religião como instrumento de poder e suas consequências para a democracia.
Entre a linguagem, o terreiro e o Direito
O livro reúne a experiência de dois autores que atuam no enfrentamento ao racismo religioso por caminhos distintos e complementares. Bàbá Sidnei articula os estudos da linguagem aos saberes de sua trajetória no Candomblé. Hédio contribui com a análise jurídica e a atuação na defesa da igualdade racial e dos direitos das religiões de matriz africana, incluindo a defesa das cotas raciais e do abate religioso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de escritor e pesquisador, Bàbá Sidnei Nogueira é linguista, arte-educador e membro consultivo da Cátedra de Sustentabilidade da UNESCO (SOST). Iniciado há 40 anos para Ṣàngó, está à frente da Casa de Xangô. É autor de “Intolerância Religiosa”, obra da coleção Feminismos Plurais finalista do Prêmio Jabuti, e do livro infantil “A menina dos cabelos d’água”, selecionado entre os 30 Melhores Livros Infantis pela revista Crescer.
Hédio Silva Jr. é fundador do Jusracial e do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO). Advogado e Ògá, tem trajetória dedicada à defesa dos direitos da população negra e da liberdade religiosa, com atuação jurídica em questões que envolvem o reconhecimento e a proteção das tradições de matriz africana.
Na véspera do início do mês da Consciência Negra, a mesa no MUHCAB leva essas reflexões ao encontro dos leitores, em uma conversa sobre racismo religioso, pluralidade e os limites entre professar uma fé e impor suas regras ao conjunto da sociedade.
SERVIÇO
Lançamento oficial no Rio de Janeiro — “O perigo de uma religião única”
Com: Bàbá Sidnei Nogueira e Hédio Silva Jr.
Evento: Festival Afropindotrans 2026
Realização do festival: Azula Produções
Data: 31 de outubro de 2026, sábado
Horário: das 14h às 16h
Local: Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB)
Endereço: Rua Pedro Ernesto, 80, Gamboa, Rio de Janeiro – RJ
Entrada: gratuita
Atividades: mesa de debate, venda de livros e autógrafos
Ingressos do festival: Sympla
Informações: @afropindotrans
FICHA TÉCNICA DO LIVRO
Título: O perigo de uma religião única
Autores: Bàbá Sidnei Nogueira e Hédio Silva Jr.
Editora: Planeta
Páginas: 224
ISBN: 978-85-422-4177-8
Mais informações: Editora Planeta
Sobre Bàbá Sidnei
Bàbálórìṣà Sidnei Nogueira é escritor e pesquisador, cuja trajetória se constrói a partir do terreiro como lugar de produção de conhecimento, ética e ação política. Filho da Ìyálórìṣà Joesia Teles de Oyá e do Ọ̀gá Plácido de Ògún, é iniciado há 40 anos para o Òrìṣà Ṣàngó, referência que atravessa sua leitura de mundo e sua atuação pública.
Doutor em Semiótica pela Universidade de São Paulo, Bàbá Sidnei de Ṣàngó articula pensamento acadêmico e saberes ancestrais para refletir criticamente sobre as relações étnico-raciais, o racismo religioso e as formas de violência que atingem as religiosidades afro-brasileiras. É também membro consultivo da UNESCO – SOST. Sua escrita e sua fala partem da experiência negra para tensionar estruturas de poder, disputar narrativas e afirmar outras epistemologias possíveis.
Autor de diversos livros, entre eles Intolerância Religiosa, finalista do Prêmio Jabuti 2021, tornou-se referência nacional no debate sobre racismo religioso, colonialidade e liberdade de crença no Brasil. Em 2026, lança a edição revisada e ampliada da obra, reafirmando a atualidade de uma reflexão que permanece fundamental para compreender as relações entre religião, racismo e violência no Brasil contemporâneo.
Sua atuação pública reafirma o terreiro como espaço de produção de conhecimento, pertencimento e resistência, aproximando ancestralidade, pensamento crítico e transformação social

