Cantora se apresenta nos dias 31 de outubro e 7 de novembro, em Itaipava, com espetáculo que ganhou registro ao vivo lançado em setembro
Rio de Janeiro, outubro de 2026 — Aos 60 anos de carreira, Claudya chega ao Rock the Mountain para celebrar não apenas seis décadas de trajetória na música brasileira, mas também um dos momentos mais importantes de sua carreira recente. A cantora se apresenta no festival nos dias 31 de outubro e 7 de novembro, em Itaipava, na Região Serrana do Rio, levando ao palco o espetáculo “Deixa Eu Dizer”, mesmo nome do álbum ao vivo lançado em setembro.
As duas apresentações representam um dos pontos altos de um movimento de retomada que ganhou força ao longo de 2026. O ano em que Claudya celebra seis décadas de carreira foi marcado pela volta aos palcos, pelo interesse renovado da imprensa e pelo reencontro com o público, além da aproximação de novas gerações com uma obra construída ao longo de seis décadas.
A presença no Rock the Mountain representa o resultado de um processo de reconstrução de espaço e visibilidade. Depois de 60 anos de carreira, voltar a ser pauta, despertar o interesse da imprensa, conquistar novos públicos e ocupar um festival que reúne diferentes gerações é, para Claudya, uma celebração e uma vitória.
O espetáculo “Deixa Eu Dizer” reúne canções que atravessam diferentes momentos da trajetória da cantora e evidencia a diversidade de seu repertório. O roteiro parte da própria canção que dá nome ao projeto e passa por compositores e obras fundamentais da música brasileira e latino-americana, combinando samba, MPB, canção, ritmos afro-brasileiros e música popular.
O show abre com um medley que reúne “Deixa Eu Dizer”, “Só Que Deram Zero pro Bedéu”, “Agora Quem Ri” e “Garra”, seguido por “Menina Fulô” e “Ossain”. O repertório também recupera “Apenas um Rapaz” e “Soy Latino”, além do bloco formado por “Desacato”, “Frente Fria”, “Amigo” e “Minha Voz Virá do Sol da América”.
A apresentação ainda traz “Panema Leblon”, “Com Mais de Trinta”, “Reza, Tambor e Raça” e “Jesus Cristo”. Na reta final, Claudya interpreta “Mundo Maravilhoso”, em diálogo com “Vai e Vem”, antes de retornar a “Deixa Eu Dizer”. O encerramento fica por conta de “Pois É, Seu Zé”.
O repertório evidencia uma característica fundamental da trajetória de Claudya: a capacidade de transitar por diferentes universos da música brasileira sem perder sua identidade como intérprete. O espetáculo conecta canções de diferentes épocas e linguagens e, ao mesmo tempo, estabelece uma ponte entre a artista que construiu sua carreira a partir dos anos 1960 e o público que hoje a reencontra ou a descobre pela primeira vez.
O lançamento do álbum ao vivo “Deixa Eu Dizer”, em setembro, ampliou esse movimento. O registro funciona como documento de uma artista em plena atividade e como síntese do espetáculo que agora chega ao Rock the Mountain, transformando as duas apresentações em uma oportunidade de levar ao palco, diante de um público amplo e intergeracional, o trabalho que marcou esse novo momento.
Claudya começou sua trajetória ainda nos anos 1960 e construiu uma carreira marcada pela versatilidade e pela força de sua interpretação. Ao longo de seis décadas, atravessou diferentes períodos da música brasileira, gravou discos, participou de projetos importantes e consolidou-se como uma das vozes de sua geração.
Em 2026, essa história ganhou um novo capítulo. A celebração dos 60 anos de carreira provocou uma revisão de sua trajetória e colocou novamente em evidência uma artista que permanece ativa e disposta a estabelecer novas conexões com o público.
É justamente por isso que as duas datas no Rock the Mountain assumem um caráter simbólico. Os shows de 31 de outubro e 7 de novembro são, ao mesmo tempo, celebração e conquista. São a materialização, no palco, de um ano inteiro dedicado à reconstrução de uma presença artística e ao reconhecimento de uma trajetória que permanece viva.
A escolha do Rock the Mountain amplia ainda mais o significado dessa retomada. Ao reunir artistas de diferentes gerações e públicos, o festival cria uma ponte entre a história de Claudya e uma audiência mais jovem, permitindo que uma nova geração tenha contato com uma intérprete cuja trajetória começou muito antes de boa parte desse público nascer.
Para Claudya, chegar aos 60 anos de carreira dessa maneira significa olhar para o passado sem ficar presa a ele. O reconhecimento que vem recebendo em 2026 demonstra que sua obra continua capaz de despertar interesse, provocar novas escutas e estabelecer diálogo com diferentes gerações.
“Essas duas apresentações são uma celebração de tudo o que aconteceu ao longo de 2026. Chegar aos 60 anos de carreira e perceber esse reencontro com o público e com a imprensa é uma emoção muito grande. É uma vitória de todo um trabalho que foi construído durante o ano e, principalmente, uma confirmação de que ainda temos muita história para contar”, afirma Claudya.
No Rock the Mountain, portanto, Claudya não estará apenas comemorando seis décadas de carreira. Estará apresentando “Deixa Eu Dizer”, um espetáculo que ganhou registro ao vivo e que sintetiza esse novo momento, ao mesmo tempo em que celebra uma trajetória que atravessa gerações.
As apresentações de 31 de outubro e 7 de novembro chegam como dois dos momentos mais simbólicos de um ano em que uma artista de seis décadas de trajetória voltou a ocupar o lugar que sua história na música brasileira lhe reserva.
Sobre Claudya
Nascida Maria das Graças Rallo, no subúrbio do Rio de Janeiro, Claudya mudou-se ainda criança com a família para Juiz de Fora, em Minas Gerais. Foi ali que começou a cantar em festas escolares e programas de auditório locais, chamando atenção desde cedo pelo talento e pela presença de palco. Aos 17 anos, em busca de oportunidades profissionais mais amplas, mudou-se novamente com a família, dessa vez para São Paulo, então um dos principais polos da música popular brasileira e sede de programas televisivos que funcionavam como verdadeiras vitrines para novos talentos.
Naquele momento, um dos espaços mais cobiçados era O Fino da Bossa, exibido pela TV Record. Foi o trompetista Waldir de Barros, músico da orquestra da emissora e figura que Claudya considera seu grande apoiador, quem sugeriu que a jovem cantora fizesse um teste para o programa. Aprovada, foi contratada e escalada para a segunda parte da atração, dividindo o palco com nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues e Baden Powell. Foi ali que Maria das Graças deixou de existir artisticamente: por sugestão da própria cantora — inspirada na ascendência italiana do pai —, adotou o nome Cláudia. “Eles queriam um nome marcante”, relembra. Décadas depois, nos anos 1990, a grafia seria alterada para Claudya, por sugestão da numerologia.
O início era promissor, mas aquele período também marcaria um dos episódios mais dolorosos de sua trajetória. Em 1965, impulsionada pelas aparições na televisão, gravou seu primeiro disco, um compacto. No ano seguinte, foi convidada pelo jornalista e produtor Ronaldo Bôscoli para uma temporada de shows no Rio de Janeiro. A proposta inicial — batizar o espetáculo de Quem Tem Medo de Elis Regina? — causou estranhamento imediato. Claudya nunca compreendeu a ideia e recusou o título, que acabou sendo substituído por Cláudia: Não Se Aprende na Escola. Ainda assim, a história se espalhou e a cantora tornou-se alvo do que hoje se chamaria de fake news: passou a ser vista como oportunista, alguém que desejava ocupar o espaço de Elis.
Segundo Claudya, nada foi feito para desfazer o mal-entendido. “A intenção deles era botar mais lenha na fogueira, porque O Fino da Bossa estava perdendo audiência para o programa Jovem Guarda, do Roberto Carlos. Queriam fomentar rivalidade, briga — e eu não queria nada disso. Eu queria cantar, trabalhar, ganhar meu dinheiro”. Ela lamenta nunca ter conseguido conversar sobre o assunto com Elis, falecida em 1982. “Eu precisava falar com ela, sentia essa necessidade, mas infelizmente não foi possível”.
Mesmo com a insistência da direção para que permanecesse no programa, Claudya deixou a Record e migrou para a TV Excelsior, onde passou a integrar o elenco do Ensaio Geral, ao lado de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia. Ainda assim, o episódio afetou suas oportunidades no Brasil. Diante do cenário, decidiu ir para o Japão, onde permaneceu por seis meses realizando shows e gravando dois compactos e um LP. De volta ao país, encontrou nos festivais da canção um novo impulso: participou de disputas na TV Record e na TV Excelsior, além de festivais internacionais, defendendo obras de compositores como Marcos e Paulo Sérgio Valle, Baden Powell e Paulo César Pinheiro.
Apesar da visibilidade, Claudya nunca se sentiu confortável com rótulos. “Nunca gostei de ser marcada como cantora disso ou daquilo: romântica, de samba, de festival. Eu era crooner de orquestra, de grupos musicais em Juiz de Fora, estava acostumada a cantar de tudo”, afirma. Essa versatilidade marcou também sua passagem pela Odeon, no início dos anos 1970, quando lançou alguns de seus discos mais importantes. O disco Jesus Cristo (1971), impulsionado pela regravação da canção de Roberto e Erasmo Carlos, foi um grande sucesso, seguido por Você, Cláudia, Você e Deixa Eu Dizer. No auge da carreira, porém, outro revés: segundo a cantora, a chegada de Clara Nunes ao cast da gravadora fez com que as atenções se concentrassem exclusivamente na nova estrela. Àquela altura, Claudya já compunha — em um período, como ela própria observa, em que “não se confiava muito nas mulheres compositoras”.
Um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória viria em 1983, quando foi escolhida para protagonizar o espetáculo Evita, sobre Eva Perón. Cantando, dançando e atuando ao lado de Mauro Mendonça e Carlos Augusto Strazzer, permaneceu nove meses em cartaz no Rio de Janeiro. “Titubeei muito para aceitar, porque não era atriz e sabia que seria comparada a Bibi Ferreira e Marília Pêra. A trilha sonora era dificílima”, recorda. O esforço foi recompensado com elogios da crítica, capas em jornais e revistas e indicação ao Prêmio Molière.
Décadas depois, em 2008, sua voz alcançaria uma nova geração de forma inesperada. O sample de Deixa Eu Dizer — gravada por Claudya em 1973, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza — foi utilizado por Marcelo D2 no rap Desabafo, do álbum A Arte do Barulho. A canção se espalhou pelas rádios, pistas e chegou à trilha sonora de Velozes e Furiosos 5: Operação Rio. Subitamente, jovens ouvintes passaram a buscar seus discos e sua história, abrindo um novo e significativo capítulo em sua carreira.
Hoje, aos 78 anos e celebrando 60 anos de trajetória, Claudya segue fiel ao que define como teimosia: cantar. Mãe da cantora Graziela Medori, ela mantinha, antes da pandemia, uma série de shows comemorativos dedicados à própria obra. Para o historiador e pesquisador Ricardo Santhiago, “Claudya é uma cantora extraordinária, com timbre, técnica e percepção musical absolutamente únicos”. Segundo ele, os percalços enfrentados ao longo da carreira se agravam em um mercado musical que mudou radicalmente desde os anos 1960. “Por isso, é importante historicizar sua trajetória sem vitimismo”, afirma.
Discografia
1967 – Cláudia
1971 – Cláudia
1971 – Jesus Cristo
1971 – Você, Cláudia, Você
1973 – Deixa Eu Dizer
1977 – Reza, Tambor e Raça
1979 – Pássaro Emigrante
1980 – Cláudia
1985 – Luz da Vida
1986 – Sentimentos
1992 – A Estranha Dama
1994 – Leão de Judá
1994 – Entre Amigos (com Zimbo Trio)
1998 – Claudya Canta Taiguara
1999 – Brasil Real
2005 – Horizons
2011 – Senhor do Tempo: Canções Raras de Caetano Veloso
2016 – Para Sempre Amanhecer – Duo com o pianista Tiago Mineiro
2026 – Deixa eu Dizer – Ao Vivo
Serviço:
CLAUDYA — Deixa eu Dizer – 60 ANOS DE CARREIRA
Rock The Mountain
31 de outubro e 7 de novembro, em Itaipava, na Região Serrana do Rio
Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/rock-the-mountain-2026-2-final-de-semana/3091126
Fotos: Dani Gurgel

