Espetáculo com Renato Borghi e Soraya Ravenle terá audiodescrição, Libras, legendas e recursos de acessibilidade sensorial no dia 19 de setembro, no Teatro Claro Mais, em Copacabana; ação integra a V Mostra de Teatro Acessível, da Escola de Gente
No próximo dia 19 de setembro, Dia Nacional do Teatro Acessível, o espetáculo “Minha Estrela Dalva”, em cartaz no Teatro Claro Mais, em Copacabana, terá uma sessão com plena acessibilidade. Às 20h, pessoas com e sem deficiência poderão compartilhar a experiência teatral com audiodescrição, Libras, legenda e recursos voltados à diversidade sensorial.
A ação integra a V Mostra de Teatro Acessível, realizada pela Escola de Gente – Comunicação em Inclusão por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e aproxima duas histórias marcadas pela defesa do acesso à cultura: a trajetória de uma organização que promove a transformação do teatro acessível em uma pauta nacional e um espetáculo que celebra a memória de Dalva de Oliveira por meio do olhar de Renato Borghi.
Além de audiodescrição, Libras e legendas, estarão disponíveis abafadores de ouvido, óculos escuros/de proteção para pessoas com sensibilidade à luz e fotofobia e objetos táteis e autorreguladores. A sessão contará ainda com atendimento prioritário desde a entrada e reserva de lugares para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida.
Mais do que acrescentar recursos a uma apresentação, a proposta é chamar atenção para uma pergunta que acompanha a atuação da Escola de Gente há mais de duas décadas: quem consegue, de fato, exercer o direito à cultura? Para Claudia Werneck, jornalista, escritora, ativista de direitos humanos e fundadora da Escola de Gente, acessibilidade não pode ser entendida como concessão ou excepcionalidade.
“Cultura é direito. E um direito só existe plenamente quando pode ser exercido por todas as pessoas, sem discriminação. Teatro acessível não é criar uma experiência separada para pessoas com deficiência. É garantir condições para que pessoas com e sem deficiência estejam juntas, produzindo, participando e desfrutando da cultura. A acessibilidade precisa fazer parte da experiência cultural, e não aparecer apenas como exceção ou em datas comemorativas”, afirma Claudia Werneck.
Antes do início do espetáculo, Claudia fará uma breve fala ao público sobre o Dia Nacional do Teatro Acessível, a história da mobilização que levou à criação da data e o direito das pessoas com deficiência à participação na vida cultural.
Uma data que começou como mobilização e virou lei
O Dia Nacional do Teatro Acessível tem uma história diretamente ligada à Escola de Gente. Em 2011, a organização criou a campanha “Teatro Acessível. Arte, Prazer e Direitos”, defendendo um conceito no qual pessoas com e sem deficiência possam produzir, participar e desfrutar juntas da cultura, da arte e do entretenimento, com acessibilidade.
A mobilização chegou ao Congresso Nacional em 9 de maio de 2013, quando a Câmara dos Deputados sediou a primeira audiência pública, com plena acessibilidade, dedicada ao tema. Naquele mesmo ano, foi apresentado o projeto de lei que propôs a criação de uma data nacional.
Quatro anos depois, a mobilização se tornou política pública. A Lei nº 13.442/2017 instituiu oficialmente o Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos, celebrado anualmente em 19 de setembro.
A pauta ganhou também reconhecimento local no Rio de Janeiro. A cidade passou a contar com o Dia Municipal do Teatro Acessível, e o Estado do Rio também incorporou a data ao calendário oficial, ampliando o alcance de uma mobilização iniciada pela sociedade civil.
Em 2026, 15 anos após o lançamento da campanha, a Escola de Gente volta a celebrar a data no Rio colocando em prática o princípio que deu origem ao movimento: acessibilidade como parte do direito à cultura.
Dalva de Oliveira pelo olhar de Renato Borghi
A sessão acontece durante a temporada carioca de “Minha Estrela Dalva”, espetáculo escrito e protagonizado por Renato Borghi, inspirado em sua relação de admiração e afeto por Dalva de Oliveira, uma das grandes vozes da música brasileira.
A história começa na infância. Aos seis anos, Borghi ganhou da mãe um disco com a trilha sonora de “Branca de Neve”, em que Dalva dava voz à personagem-título. O encantamento atravessou décadas e, mais tarde, o ator teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a cantora que havia marcado sua formação afetiva.
No palco, essa memória se transforma em teatro, música e história brasileira. Borghi interpreta a si próprio e divide a cena com Elcio Nogueira Seixas, que também dirige o espetáculo e interpreta o Renato jovem. Soraya Ravenle assume o papel de Dalva de Oliveira, enquanto Ivan Vellame vive personagens que atravessaram a trajetória pessoal e artística da cantora, entre eles Herivelto Martins. A direção artística é de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas.
A presença de Soraya estabelece ainda uma ligação especial entre diferentes momentos dessa história: a atriz iniciou sua trajetória no teatro musical no coro de “A Estrela Dalva”, montagem de 1987 escrita e estrelada por Renato Borghi e protagonizada por Marília Pêra.
Para a Escola de Gente, realizar a ação em um espetáculo atravessado por memória, música e diferentes gerações reforça uma ideia central: não basta que a cultura exista; é preciso que todas as pessoas tenham condições de participar dela.
A sessão do dia 19 busca também contribuir para a formação de público. Pessoas com deficiência estiveram historicamente afastadas de muitos espaços culturais não por falta de interesse pela arte, mas, muitas vezes, porque esses espaços não ofereciam condições de participação. “Quando a acessibilidade passa a fazer parte da rotina da cultura, ampliamos não apenas o acesso, mas também o pertencimento. Pessoas com deficiência deixam de ser tratadas como visitantes excepcionais e passam a ocupar um espaço que sempre foi delas por direito”, acrescenta Claudia Werneck.
Sobre a V Mostra de Teatro Acessível
A V Mostra de Teatro Acessível é uma realização da Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet – Pronac 234177).
O projeto reúne apresentações, espetáculos de teatro com o grupo Os Inclusos e os Sisos, oficinas e outras ações culturais concebidas com plena acessibilidade, promovendo experiências compartilhadas por pessoas com e sem deficiência. A V Mostra conta com o patrocínio da Supergasbras, Wilson Sons, White Martins, Itaú e TechnipFMC e apoio da Linde.
Sobre a Escola de Gente
Fundada em 2002, a Escola de Gente – Comunicação em Inclusão é uma organização da sociedade civil com atuação nacional e internacional dedicada à inclusão, à acessibilidade, aos direitos humanos e à construção de políticas públicas capazes de garantir igualdade de direitos para todas as pessoas.
Criadora da campanha “Teatro Acessível. Arte, Prazer e Direitos” e do grupo Os Inclusos e os Sisos – Teatro de Mobilização pela Diversidade, a organização desenvolve metodologias, tecnologias e projetos voltados à acessibilidade e à não discriminação em diferentes áreas da sociedade.
SERVIÇO
Sessão acessível – “Minha Estrela Dalva”
Data: 19 de setembro de 2026, sábado – Dia Nacional do Teatro Acessível
Horário: 20h
Local: Teatro Claro Mais
Endereço: Rua Siqueira Campos, 143 – 2º piso – Copacabana, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 180,00 (Plateia Vip) R$ 160,00 (Plateia) R$ 140,00 (Frisa) R$ 120,00 (Balcão 1) R$ 100,00 (Balcão 2)
Link de venda: https://uhuu.com/evento/rj/rio-de-janeiro/minha-estrela-dalva-16294
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Recursos e medidas de acessibilidade:
Audiodescrição
Interpretação em Libras
Legendas
Abafadores de ouvido
Óculos escuros/de proteção para pessoas com sensibilidade à luz e fotofobia
Objetos táteis e autorreguladores
Atendimento prioritário desde a entrada
Reserva de lugares para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida
“Minha Estrela Dalva”
Temporada até 27 de setembro
Sessões: quintas e sábados, às 20h; sextas e domingos, às 17h
Ingressos: Uhuu e bilheteria do teatro

