Evento gratuito, em Botafogo, propõe trazer a filosofia para o cotidiano e discutir por que, 100 anos depois de seu nascimento, Michel Foucault continua ajudando a entender o mundo em que vivemos
Por que as redes sociais parecem saber tanto sobre nós? Quem decide o que aparece — e o que desaparece — na nossa tela? Por que estamos tão dispostos a expor nossa intimidade? E onde estão as possibilidades de liberdade em um mundo cada vez mais conectado, monitorado e orientado por algoritmos?
Essas são algumas das perguntas que podem ajudar a trazer o pensamento de Michel Foucault para bem perto da vida cotidiana. Para marcar os 100 anos do nascimento do filósofo francês, o Rio de Janeiro recebe, de 31 de agosto a 2 de setembro, o Colóquio Internacional “Qual é a ironia do dispositivo hoje? Sujeito, poder e desejo”, na Acaso Cultural, em Botafogo.
Com entrada gratuita e aberto ao público, mediante inscrição prévia, o encontro reúne pesquisadores do Brasil, da América Latina e da Europa para discutir temas que parecem estar em todos os lugares: redes sociais, algoritmos, desejo, comportamento, vigilância, produção da verdade e novas formas de controle.
A ideia é simples: filosofia também é coisa da vida real.
Mesmo quem nunca leu Foucault poderá encontrar no encontro perguntas muito atuais sobre o mundo em que vive. Ao longo de três dias, especialistas vão debater como as relações de poder atravessam o nosso cotidiano — muitas vezes de formas quase invisíveis — e de que maneira a tecnologia vem transformando a relação das pessoas consigo mesmas e com os outros.
Organizado pelo filósofo e pesquisador Marcio Tavares d’Amaral, referência nos estudos foucaultianos no Brasil, e pela pesquisadora argentina Senda Sferco, do Instituto Gino Germani, da Universidade de Buenos Aires, o colóquio reúne nomes como Paula Sibilia, Fernanda Bruno, Ernani Chaves, César Candiotto, Carla Rodrigues, Margareth Rago, Paulo Vaz, Marcelo Raffin e Marcio Tavares d’Amaral, entre outros.
Um dos destaques da programação é a participação do filósofo francês Orazio Irrera, professor da Universidade Paris 8 e pesquisador do Centre Michel Foucault. Integrante do grupo que trabalha com arquivos e manuscritos inéditos do filósofo, Irrera fará a conferência de abertura do encontro. Nos dias 3 e 4 de setembro, ele também ministrará um curso intensivo na Acaso Cultural.
A proposta é comemorar o centenário de Foucault sem transformá-lo em uma celebração restrita à universidade. A pergunta que move o encontro é justamente o que sua obra ainda pode dizer a quem está vivendo o mundo de agora.
Cem anos depois de seu nascimento, o filósofo que revolucionou a maneira de pensar o poder continua provocando uma pergunta incômoda — e talvez cada vez mais necessária: quem está nos governando quando ninguém parece estar dando ordens?
O encerramento, no dia 2 de setembro, terá a conferência de Marcio Tavares d’Amaral, “A ironia do dispositivo hoje é simular ser o último”, retomando o tema central das celebrações do centenário.
SERVIÇO
Colóquio Internacional “Qual é a ironia do dispositivo hoje? Sujeito, poder e desejo”
100 anos do nascimento de Michel Foucault
Quando: 31 de agosto, 1º e 2 de setembro de 2026
Onde: Acaso Cultural — Rua Vicente de Souza, 16, Botafogo, Rio de Janeiro
Entrada gratuita, mediante inscrição prévia: Faça sua inscrição
Programação:https://acasocultural.com/progfoucault
Curso Intensivo com Orazio Irrera
Quando: 3 e 4 de setembro de 2026
Onde: Acaso Cultural

