Quinto e último encontro da série foi realizado no Espaço Cultural na Justiça
A série Amor & Justiça, promovida pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), chegou ao fim nesta terça-feira, 25 de agosto, com uma reflexão sobre a possibilidade de um mundo orientado pelo amor: E se tudo terminasse em amor? O quinto e último encontro foi realizado no Espaço Cultural na Justiça e teve como convidado o cantor e compositor Pedro Luís, um dos fundadores e integrante do tradicional grupo Monobloco.
Pedro Luís foi recebido pela desembargadora Andréa Pachá e pela pesquisadora Bianca Ramoneda, responsáveis pela mediação dos cinco encontros da série. Ao longo das atividades, artistas, intelectuais e juristas foram convidados a refletir sobre o amor e suas relações com a justiça, a partir de diferentes perspectivas.
Ao falar sobre a concepção da série, a desembargadora Andréa Pachá destacou a inspiração em uma reflexão atribuída a Shakespeare sobre a relação entre justiça e amor.
“Nós pensamos em uma frase do Shakespeare que diz: o oposto da injustiça não é a justiça, mas é o amor, porque toda justiça que não se pratica por amor não é justiça, mas vingança. A partir disso, pensamos que poderíamos reconceituar o amor trazendo pessoas de áreas de atuação distintas. Não o amor romântico, mas o amor em movimento, e todos que participaram trouxeram percepções e conceitos muito originais”, afirmou.
Amor como inspiração
O último álbum de Pedro Luís, lançado em 2024, também se chama E se tudo terminasse em amor?. Com nove composições autorais e uma regravação — Muito Romântico, de Caetano Veloso —, o projeto começou a ser concebido logo após a pandemia e nasceu da intenção de sensibilizar as pessoas por meio de reflexões sobre o amor.
“Eu estava um pouco assoberbado com a intolerância e os conflitos entre as pessoas, as diferenças muito acirradas. Então, comecei a fazer canções em que tudo fosse em torno do amor. Queria chegar nas múltiplas reflexões sobre o amor, não apenas o carnal, mas o amor sobre todas as coisas que importam”, contou o músico.
Em voz e violão, Pedro Luís apresentou canções como Pena de Vida, Choro Punk e Indivídua, intercaladas com versos de poemas e reflexões sobre as diferentes manifestações do ato de amar.
Cantor e compositor, Pedro Luís foi o convidado do último encontro da série Amor & Justiça no CCPJ
Para Bianca Ramoneda, a diversidade de perspectivas apresentadas ao longo da série ampliou e aprofundou o debate sobre as relações entre amor e justiça.
“A primeira coisa que senti foi a vontade de ouvir novamente tudo que foi falado aqui. Cada um trazia suas ideias, mas a forma como as coisas foram colocadas mostrou que existe um caminho de diálogo muito possível. Nós conseguimos criar um ambiente propício para tratar de temas que, por vezes, são muito sensíveis”, afirmou.
Justiça e amorosidade
Ao fazer um balanço da série, a desembargadora Andréa Pachá destacou que as diferentes perspectivas apresentadas nos encontros podem contribuir para repensar a atuação do sistema de Justiça.
“Quando vivemos num momento tão caótico, em que os ódios transbordam e contaminam as pessoas, é fundamental que o espaço da Justiça seja também o espaço da amorosidade, que é uma linguagem que une, humaniza e faz com que a gente imagine um sistema melhor para todas as pessoas que precisam da Justiça”, concluiu.
No encerramento, Pedro Luís se despediu com versos de Vem Amar Comigo, canção que integra o álbum que inspirou o tema do encontro.
“E se tudo terminasse em amor?
Nada findaria, nada anoiteceria
A luz do dia, o refletor
Não do jeito que as coisas vão
Mas como devem ser”.
PB/SF
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ

