A mostra marca o retorno ao circuito artístico das obras de Aldir Mendes de Souza que permaneceu sob os cuidados da família por cerca de 15 anos após a morte do artista
A Galeria Contempo apresenta, de 15 de agosto a 19 de setembro, a exposição “Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem”, com cerca de 20 obras de Aldir Mendes de Souza (1941–2007), um dos grandes pintores brasileiros da cor e do espaço. Sob a direção das galeristas Marcia e Mônica Felmanas, a mostra tem curadoria de Fabrício Reiner e propõe uma nova leitura da produção do artista, relacionando sua pesquisa em pintura ao conceito de Arteônica, termo criado por Waldemar Cordeiro (1925–1973), um dos nomes mais importantes da arte brasileira do século XX, no início dos anos 1970, para definir uma aproximação entre arte, tecnologia e informação.
A exposição também marca o retorno da obra de Aldir Mendes de Souza ao circuito artístico após um longo período fora do mercado. Desde o falecimento do artista, em 2007, parte significativa do conjunto de obras permaneceu sob os cuidados da família por cerca de 15 anos, sem circulação comercial. Agora, reunido na Galeria Contempo, esse acervo volta a ser apresentado ao público e ao mercado em um projeto que busca ampliar o reconhecimento da produção de um dos nomes mais singulares da arte brasileira do século XX.
Reconhecido por sua trajetória multidisciplinar, Aldir Mendes de Souza participou de importantes momentos da arte brasileira, incluindo edições da Bienal Internacional de São Paulo, e realizou exposições individuais em instituições como MASP, Museu de Arte Brasileira da FAAP, Museu Nacional de Belas Artes, MAC-USP, Paço das Artes e Pinacoteca de São Paulo. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas, entre elas MASP, MAM São Paulo, MAC-USP, Pinacoteca de São Paulo e Fundação Nemirovsky.
“A retirada das obras do mercado nunca foi uma decisão premeditada. Após a morte do meu pai, nossa família simplesmente não encontrou, naquele momento, os interlocutores certos para dar continuidade ao trabalho e preservar o legado da maneira como acreditávamos que ele merecia. Hoje, essa parceria com a Galeria Contempo representa o reencontro da obra com o público e com o mercado, respeitando sua trajetória e sua importância”, afirma Aldir Mendes de Souza Filho.
Médico cirurgião plástico formado pela Escola Paulista de Medicina, Aldir Mendes de Souza desenvolveu uma produção que transitou entre pintura, desenho, gravura, escultura, performance e imagem técnica. Sua formação médica influenciou diretamente sua pesquisa artística, levando-o a produzir trabalhos em radiografias, obtidas por meio de raios X, e termografias, imagens produzidas a partir da captação da radiação infravermelha emitida pelo corpo humano.
Buraco Negro Azul Celeste Ano, 2006 óleo sobre tela 130 x 100 cm- imagem Victor Galvão
Essa relação entre arte, ciência e tecnologia esteve presente em diferentes momentos de sua trajetória. Em 1971, a convite deWaldemar Cordeiro, Aldir participou da Arteônica – Exposição Internacional de Arte Eletrônica, realizada no Museu de Arte Brasileira da FAAP, uma das primeiras iniciativas brasileiras dedicadas à relação entre arte e meios eletrônicos.
O que a exposição revela sobre Aldir Mendes de Souza?
A mostra na Galeria Contempo parte do contexto para revisitar a produção do artista e destacar como sua pesquisa em pintura se desenvolveu a partir de temas como a paisagem, o cafezal, a geometria e a construção do espaço por meio da cor. Ao longo de sua carreira, Aldir transformou elementos observados no mundo real em composições marcadas por planos, estruturas e relações cromáticas.
Nascido em São Paulo, em 1941, e falecido na mesma cidade, em 2007, Aldir Mendes de Souza construiu uma das trajetórias mais singulares da pintura brasileira da segunda metade do século XX. “Sua obra atravessou diferentes linguagens, incluindo pintura, desenho, gravura, escultura, performance, cinema experimental e trabalhos em técnica mista, aproximando sua formação médica de uma investigação visual sobre corpo, imagem, transparência e estrutura”, explica Fabrício Reiner.
Protegendo o Cafezal, 1975, óleo sobre tela 130 x 100 cm- imagem Victor Galvão
A partir de 1969, o cafeeiro e o cafezal tornaram-se temas recorrentes em sua produção, conduzindo sua pesquisa da paisagem observada para a geometria e para a construção cromática. “Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem“ apresenta um conjunto de trabalhos que reafirma a importância do artista na história da arte brasileira e evidencia seu diálogo pioneiro entre pintura, ciência e tecnologia.
Queremos preservar o trabalho do meu pai e mostrar às pessoas a importância e a dimensão da sua contribuição para a arte brasileira. Para ele, o mais importante era que sua obra fosse compartilhada, que chegasse ao público. Ver esse projeto acontecer nos traz uma sensação de missão cumprida”, finaliza Aldir Mendes de Souza Filho.
Serviço
Galeria Contempo
Exposição: “Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem
Abertura: 15 de agosto
Visitação: 19 de setembro
Endereço: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644
Horários: segunda – sexta: 10h às 19h – sábado: 10h às16h
@galeriacontempo
Sobre Aldir Mendes de Souza
Aldir Mendes de Souza (1941–2007) iniciou sua trajetória artística em 1962 e, ao longo de mais de quatro décadas de produção, construiu uma obra marcada pela investigação da cor, da geometria e das relações entre natureza e espaço. Autodidata, teve uma atuação relevante no cenário da arte contemporânea brasileira, participando das Bienais Internacionais de São Paulo de 1967, 1969, 1971 e 1973, período em que desenvolveu trabalhos experimentais em técnicas mistas e alinhados às pesquisas de vanguarda.
A partir do final dos anos 1960, passou a dedicar-se principalmente à pintura, criando uma linguagem própria que unia abstração geométrica e referências à paisagem brasileira. O cafeeiro tornou-se um elemento central de sua pesquisa, dando origem a composições que exploravam ritmo, repetição, perspectiva e síntese formal. Ao longo de sua carreira, desenvolveu séries como Cidade X Campo, Geo/Metria, Movimentos da Cor e Quartetos Cromáticos, consolidando-se como um dos grandes coloristas brasileiros.
Sua produção foi apresentada em importantes instituições e integra acervos como os do MASP, MAM-SP, MAB-FAAP e Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outros. Com uma obra dedicada à potência expressiva da cor e à construção de formas, Aldir Mendes de Souza deixou uma contribuição singular para a pintura brasileira contemporânea.
Sobre a Galeria Contempo
A Galeria Contempo, dirigida por Márcia e Mônica Felmanas, afirma-se como um espaço voltado à articulação entre reflexão crítica, prática curatorial e produção artística contemporânea, guiada por um compromisso sólido com a construção de sentido no campo da arte. Mais do que um lugar de exibição, configura-se como um ambiente de pesquisa, no qual a obra opera como um dispositivo capaz de ativar relações entre diferentes linguagens, contextos e modos de experiência. Esse posicionamento se traduz em um programa que valoriza o rigor formal, a consistência conceitual e a continuidade dos processos, entendendo a arte como um território de elaboração, e não apenas de circulação.
Sua inserção no circuito ampliado se dá de forma consistente, conciliando presença institucional e coerência programática, o que se evidencia tanto na participação recorrente em feiras, como a SP‑Arte, quanto na atuação internacional, marcada por projetos em instituições como a Casa de América, em Madri, que ampliam o alcance de sua produção e colocam a arte brasileira em diálogo com outras tradições e contextos culturais.
Sobre Fabrício Reiner
Fabrício Reiner é curador, pesquisador e crítico de arte. Formado em História e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em museologia na Itália, desenvolve desde 2005 pesquisas e projetos curatoriais voltados às artes visuais, à fotografia e às narrativas culturais contemporâneas. Atualmente é doutorando pela USP e colabora com instituições como a Biblioteca Mário de Andrade e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).
Entre suas curadorias destacam-se as exposições Watú não está morto! e Era uma vez o moderno, que propõem reflexões sobre os desdobramentos e as permanências do projeto moderno na contemporaneidade. Em seus projetos, articula pesquisa, crítica e prática curatorial para investigar novas leituras da arte e de seus contextos históricos e culturais.

