“Dobra 3” traz as faixas “Espada de São Jorge” e “Apothèke”, e continua a sequência de singles duplos com convidados especiais que antecipa o novo álbum
“Dobra 3” é mais um single duplo, o terceiro de uma série de seis, que apresenta as novas composições do artista carioca Breno Góes. Sua convidada especial da vez é a própria esposa do artista, Clarissa Paranhos, que canta “Apothèke” e divide os vocais de “Espada de São Jorge” com o compositor. É mais um fragmento do futuro álbum DOBRA, projeto que amadurece uma estética desenvolvida desde “Depois Do Susto“, de 2015, e “Judô“, de 2021. Nos próximos meses, Breno ainda lançará as “Dobras 4“, “5” e “6“, sempre trazendo um convidado especial diferente. Todos os lançamentos acontecem pelo selo Caravela Records.
Ouça “Dobra 3”: https://hypeddit.com/96re5i
Ouça “Dobra 2”: https://hypeddit.com/o85yz3
Ouça “Dobra 1”: https://hypeddit.com/m8egv6
Clarissa Paranhos já é uma conhecida do público de Breno. Ela fez sua estreia como cantora quando gravou a canção “Cicatriz” no álbum Judô, lançado em 2021, numa interpretação antológica. Apesar da relação afetiva entre ambos, Clarissa não está no projeto apenas por esse motivo. Suas credenciais como cantora são incontestáveis, já que ela é uma das componentes do naipe de contraltos do grupo vocal a capella Vozerê, e se prepara para sair em turnê com esse grupo na segunda metade de 2026, no espetáculo “Que tal o impossível“. Clarissa destaca-se, como cantora, pelo extraordinário domínio da intenção com que as palavras são enunciadas na canção, é uma intérprete que entende com profundidade o que está cantando.
A canção “Espada de São Jorge“, que abre o single, é um samba, do mesmo gênero a que pertence “O Pensamento“, do anterior “Dobra 2“. A diferença é que “Espada de São Jorge” se destaca pela nítida influência de Jorge Ben, presente no estilo do violão de Breno, e pela sofisticação do arranjo, que conta com flautas de Nayara Danielly e um extraordinário naipe de saxofones gravado por Yuri Villar. Liricamente, a faixa é uma celebração da tradição carioca de colocar vasos da planta Espada de São Jorge nas entradas das casas, como forma de trazer proteção aos moradores. A canção é uma oração para a própria planta: “Espada de São Jorge, que a terra forge folhas de ti”.
Já a canção “Apothèke” é uma declaração de amor que Breno faz a dois espaços que lhe são muito caros: as bibliotecas e os botequins. Escrita no auge do isolamento social provocado pela pandemia de COVID-19 e interpretada pela dupla Clarissa e Breno numa delicada versão voz & violão, essa canção celebra esses espaços de convívio em sua dimensão mítica e existencial. A letra é confessadamente inspirada em uma crônica escrita pelo historiador Luiz Antônio Simas, intitulada “Ágoras cariocas” e publicada no livro Pedrinhas Miudinhas de 2013.
Disponível em todas as plataformas digitais, “Dobra 3” conta com Breno Góes no violão das duas faixas; Pedro Leal David no baixo; Anderson Maia na bateria e nas percussões; Nayara Danielly nas flautas; Yuri Villar nos saxofones e Antônio Ziviani nos teclados. A produção técnica ficou a cargo de Leandro Dias (mixagem e masterização no Espaço Ipiranga), e o visual, com as capas dos singles e do álbum final, são frutos de fotos analógicas em dupla exposição do fotógrafo Ilan Vale, com design de Fabiano Araruna.
Ouça “Dobra 3”: https://hypeddit.com/96re5i
Ouça “Dobra 2”: https://hypeddit.com/o85yz3
Ouça “Dobra 1”: https://hypeddit.com/m8egv6
Ficha técnica
Composição: Breno Góes
Intérpretes: Breno Góes e Clarissa Paranhos
Violão: Breno Góes
Baixo: Pedro Leal David
Bateria: Anderson Maia
Flauta: Nayara Danielly
Saxofones: Yuri Villar
Teclado: Antônio Ziviani
Coro: Breno Góes, Camila Uchoa, Clarissa Paranhos e Fabiano Araruna
Foto: Ilan Vale
Design da capa: Fabiano Araruna
Produção, mixagem e masterização: Leandro Dias
Gravado no Espaço Ipiranga
Assessoria de comunicação: Paula Ramagem
Selo: Caravela Records
Letra:
Espada de São Jorge
Breno Góes
Espada de São Jorge
Que a terra forje folhas de ti
E cada uma delas corte
A dor ou morte
Que ouse espreitar aqui
Bem junto à porta habitas
Pra que as visitas passem por ti
E pra que o ar do Rio
afie o teu fio de Ogã
Lâmina Talismã
Inspira respeito
Teu conspícuo porte estreito
Teu jeito de quem conspira num canto
Teu nome de santo
Um santo guerreiro
Que fala banto
O PENSAMENTO
Breno Góes
Dá pra se perder na biblioteca ou no bar
Sem caminho certo pra atazanar
Livros e biritas labirintos são
E as Ariadnes se debruçam literatas bebuns no balcão
Dá pra se perder no bar ou na biblioteca
Sem inferno pra queimar quem peca
Um romance embebeda e o suor
De uma garrafa é onde se grafa
A epopéia de um verso só
Que diz que a gente é muito maior
Que o que cabe no nosso caixão
Mas cabemos no copo ou no livro
Que cabem na nossa mão
Eu só vou sair da biblioteca e do boteco
Quando Deus me der seu peteleco
Até lá fico por cá junto dos meus
Nessas boticas tiro as luvas de pelica que há nas mãos de Deus
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