Segundo espetáculo musical infantojuvenil realizado pelo CIA (Coletivo Indígena Autônomo) se inspira no livro de Eliane Potiguara para falar sobre grandes revoluções indígenas da América Latina para crianças.
Dando continuidade às pesquisas do CIA – Coletivo Indígena Autônomo, que tem se firmado na cena teatral como uma companhia indígena que reitera a importância dos debates contemporâneos, o espetáculo musical originário e inédito “A cura da Terra – Pequenas Revoluções” estreia dia 07 de março, às 16h, no Teatro Ziembinski, voltado para toda a família. Recebendo a assinatura de Rafael Bacelar na Direção Artística e Jessyca Meyreles na Direção Assistente, a montagem chega aos palcos tendo como ponto de partida o livro homônimo de Eliane Potiguara, considerada a primeira escritora indígena do Brasil. No projeto inédito contemplado pelo edital Fluxos Fluminenses, da SECEC – Secretaria de Estado, Cultura e Economia Criativa do RJ, assinam a dramaturgia Idylla Silmarov, Jessyca Meyreles e Juão Nyn, artistas com grande destaque na cena contemporânea nacional.
No livro de Potiguara, a partir das conversas com sua avó, Moína descobre as histórias de resistências de seu povo, a sabedoria dos ancestrais e como as crianças conseguiram a cura da Terra quando um grande mal assolou a todos. O espetáculo dialoga a partir da problemática apresentada no livro, através de uma banda de rock que ensaia e canta diversas revoluções indígenas da América Latina. Em meio a muita musicalidade e performances corporais, o espetáculo reflete questões urgentes como a emergência climática, a valorização das culturas indígenas, a promoção de um diálogo intergeracional e o sonho como lugar de revolução coletiva. Para além disso, o espetáculo insere a língua Apurinã, do tronco Aruak, através do ator Yumo Apurinã, como dispositivo socioeducacional.
Ao contar a história de como as crianças conseguiram a cura da Terra frente a uma crise ambiental, entremeada por grandes revoluções indígenas na América Latina, o espetáculo não só entretém, mas também educa as novas gerações sobre a importância da preservação ambiental, o respeito às culturas originárias e a importância de se engajar nas lutas políticas. Isso fomenta uma consciência crítica entre as crianças, incentivando-as a se tornarem agentes de mudança em suas comunidades. O espetáculo também destaca a importância da valorização da mulher, especialmente em um contexto em que a literatura indígena e as vozes femininas ainda são sub-representadas.
“Eliane é uma das personalidades mais importantes da literatura, pensamento e existência indígena. Quase todos nós já havíamos nos conectado com seus textos, e a partir do diálogo com o livro ‘A Cura da Terra’, montamos nossas Pequenas Revoluções. Essas obras têm a força que elas têm como literatura e, acredito, ganhamos mais força quando nos abrimos para relacioná-las com outras tantas questões poéticas, textos, desejos, ampliando assim a própria obra e como ela reverbera no mundo do teatro”, sublinha o diretor Rafael Bacelar.
Este é o segundo encontro de Bacelar com o elenco e surge do desejo de continuidade da pesquisa iniciada em “Karaiba: um musical originário“, que recebeu diversas indicações, ganhou prêmios e excursionou a convite de festivais de teatro do país. “Quem assistiu ao último trabalho que fizemos, perceberá a continuidade de uma investigação profunda sobre a ideia de presença, a criação cênica, a musicalidade e, sobretudo, o modo singular como construímos a relação entre teatro e pautas políticas. Nossa abordagem desse diálogo – teatro e política – se ergue de um gesto específico: o teor político (seja na palavra, no corpo ou na imagem) emerge principalmente da celebração dos corpos, da presentificação da vida em cena. Acredito que o impacto inicial será justamente esse: a presença massiva e total de corpos indígenas em cena, existências indígenas em diálogo direto com uma plateia diversa. Espero que o público possa caminhar conosco ao longo do espetáculo a partir dessas pequenas – e necessárias – revoluções”, pontua o diretor, enaltecendo ainda que a atual montagem foi concebida e realizada com uma ficha técnica majoritariamente indígena.
“Neste processo, temos o desejo de criar um espetáculo que reflita as questões indígenas por um viés do teatro contemporâneo voltado a um público ‘para todas as idades’. Há que se ater nesse termo, uma vez que faz parte do entendimento de pesquisa do grupo se voltar ao ‘processo de pensamento sobre a cena’ em que o espetáculo seja passível e possível de usufruir. Não é raro que se veja espetáculos voltados ao ‘público infantil’ se esquecendo do fato de que o adulto também faz parte daquela celebração teatral. E que será ele o sujeito capaz de mediar questões ‘pós-peça’ junto da criança. Então, se ele não é levado em consideração, qual seria a sua função naquele momento?”, finaliza Rafael Bacelar, provocando a reflexão.
SERVIÇO:
“A CURA DA TERRA – PEQUENAS REVOLUÇÕES“
Temporada: 07 a 29 de março
Horário: Sábados e Domingos às 16h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) / R$ 30 (inteira)
Local: Teatro Municipal Ziembinski
Endereço: Av. Heitor Beltrão, s/nº – Tijuca – Rio de Janeiro
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 60 minutos
Instagram: @coletivoindigenaautonomo
FICHA TÉCNICA
Direção: Rafael Bacelar
Assistente de Direção: Jessyca Meyreles
Dramaturgia: Idylla Silmarovi, Juão Nÿn e Jessyca Meyreles (em diálogo com o livro “A Cura da Terra”, de Eliane Potiguara)
Elenco: Danilo Canindé, Ludimila Dangelis, Una Terra e Yumo Apurinã
Direção Musical: Felipe Storino e Jessyca Meyreles
Composições: Jessyca Meyreles
Colaboração musical: Danilo Canindé, Ludimila Dangelis, Una Terra e Yumo Apurinã
Direção de Movimento: Rafael Bacelar e Jessyca Meyreles
Direção de Arte: Higor Nery
Visagismo: Luisa Kwarahy
Iluminação: Lara Cunha
Direção de Produção: Leandro Fazolla
Assistente de Produção: Valéria Árias
Operação de Luz: Rafa Domi
Fotos: Higor Nery
Designer Gráfico: Isza Santos
Produção Audiovisual: Patrick Lima
Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação
Redes Sociais: Una Terra

