Mostra traz uma rara coletânea de trabalhos do artista conhecido pela genialidade de transformar objetos simples do cotidiano em obras inusitadas, numa reconfiguração simbólica repleta de humor e poesia.
Curada por Adriana Nakamuta, “O tempo das coisas” faz refletir também sobre a abundância e a escassez, em tempos de emergência climática.
Com uma grande instalação de duzentos bambolês, exposição é estendida até 18 de dezembro.
A Galeria de Arte Solar, no Pavão-Pavãozinho, prorrogou a exposição “O tempo das coisas”, de Marcos Cardoso. Com curadoria de Adriana Nakamuta, a mostra permite visualizar diferentes momentos da trajetória do artista, conhecido pela genialidade de transformar objetos banais em obras que causam espanto e encantamento. A individual reúne 12 trabalhos feitos de bambolês, palitos de fósforo, rótulos de produtos, camisetas e sacolas, fazendo refletir também sobre a abundância e a escassez, em tempos emergência climática. A mostra, que terminaria no dia 6 de dezembro, vai agora até 18 do mês, com entrada franca. A Galeria de Arte Solar é uma instituição sem fins lucrativos, que funciona dentro do Solar Meninos de Luz, com patrocínio do Belmond Copacabana Palace e Estácio, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS RJ).
A exposição começa do lado de fora da galeria, com uma grande instalação multicolorida com aproximadamente dois mil bambolês e sete mil braçadeiras, que lembra a obra exposta no Jardim das Esculturas na última ArtRio, e na fachada do Shopping Leblon, em 2022. No interior, estarão quatro maquetes visuais, formadas por milhares de palitos de fósforo, encaixados, sem uso de cola (de 1,10 m X 0,70 X 0,40 m) – trabalho exposto no MAM, em 2013. Há também um cobogó, feito com palitos de picolé (0,20 X 0,20 m); além de uma pintura expandida, feita com rótulos de produtos e outras com sacolas de butique, batizadas como Aluízio Carvão, Ligya Pape, artistas neoconcretos do Grupo Frente. Outra obra, também exposta na ArtRio, traz 350 corações feitos com camisetas, além de quadros geométricos também feitos de bambolês. “É a primeira vez que faço uma exposição assim. Normalmente exponho o resultado de uma pesquisa, com o uso de determinados materiais. Dessa vez, é como se fosse uma coletiva de mim mesmo, uma coleção de diferentes pesquisas”, revela o artista, com prêmios em bienais internacionais, obras em relevantes acervos ao redor do mundo e um extenso currículo de exposições.
Segundo a curadora, quando Marcos Cardoso usa um objeto simples do cotidiano para produzir um objeto de arte, ele nos estimula a uma reflexão com muitas camadas de interpretação. “Sua obra se estende desde o reconhecimento da utilidade do objeto em si, como seu descarte posterior, numa reconfiguração simbólica que conecta diferentes tempos e espaços”, explica Adriana Nakamuta. “A construção da obra de Marcos Cardoso é uma maneira de rir da adversidade e propor a reinvenção contínua do real. Uma lição ética em uma época de obsolescência e consumo exagerados”, escreveu Luiz Camillo Osorio.
A Galeria Solar Meninos de Luz trabalha para que pessoas das mais diversas origens, crenças e poder aquisitivo tenham contato com a arte em sua diversidade de suportes, formatos, técnicas e narrativas. Seu objetivo é ajudar a democratizar o acesso à cultura e à educação, aproximando o público de comunidades cariocas ao universo da arte. “Essa mostra é um presente para a escola, para o PPG (Pavão-Pavãozinho e Cantagalo) e para a cidade. É uma exposição lúdica, alegre, colorida, poética e com muita reflexão”, diz Matilde Marie Pereira, produtora executiva da galeria.
SOBRE MARCOS CARDOSO
Formado pela escola de belas artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, 1992, frequentou a oficina de gravura do Ingá, de 1988 a 1990, e a escola de artes visuais do Parque Lage, em 1991. Foi aluno e amigo de Lygia Pape, a qual faz o seguinte relato do artista: “Marcos Cardoso metamorfoseou-se pelo mito do Carnaval e suas máquinas: reciclou pó e pano em palácios e castelos, faz-de-conta sem fim, hoje pura linguagem nobre, mergulhada no sensível, no sonho do alquimista que engendra transtornados objetos arfantes”. Desde 1986 vem participando de exposições coletivas e salões de arte no brasil e no exterior, com destaque para First Art Exposition – Brazil, Holland World Trade Center, Amsterdam, 1987; XIV Salão de Arte Contemporânea, Ribeirão Preto, 1989; IX Mostra de Gravura da Cidade de Curitiba; Casa de las Americas, Havana, prêmio 1990; I Bienal Internacional de Gravura da Espanha, Santiago de Compostela, 2º prêmio, e 10º Pará Arte, Belém, prêmio pró-labore, 1991; 49º Salão Paranaense, Curitiba, 1992; “Imagens Indomáveis”, Escola de Artes Visuais, Rio de Janeiro e “Lúdicos, Lógicos, Líricos, Lúcidos”, Galeria de Arte Universidade Federal Fluminense – UFF, Niterói, 1994. Participou também da mostra “48 Contemporâneos”, realizada pela Galeria de Arte UFF, em 1996. A partir de 1991, realizou exposições individuais no Bar Bar’atos, Fragoso – RJ, galeria do Instituto Brasil Estados Unidos, Rio de Janeiro, 1992; Galeria Anna Maria Niemeyer, também no Rio de Janeiro e Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói, 1995. Entre 2023 e 2024, realizou a individual “Tudo que não cabe em mim”, no Sesc Paraty, com curadoria de Paula Borghi. Sua obra está representada nas coleções da Universidade de Málaga e do Museu de Gravura, Santiago de Compostela, Espanha, Fundação Cartier, Paris, França, além da coleção João Satamini do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.
SOBRE A GALERIA DE ARTE SOLAR
A Galeria de Arte Solar é a primeira e única galeria estruturada com curadoria e calendário de mostras anual, situada em uma comunidade no Rio de Janeiro. A sala, inaugurada em 2007 já realizou mais de 40 exposições. Só nos dois últimos anos, recebeu mais de nove mil visitantes. As mostras duram dois meses em média e são intercaladas entre as dos artistas convidados pelo curador e as dos alunos do Solar Meninos de Luz. Todo artista que expõe na galeria é convidado a ministrar uma oficina aos alunos, com o mesmo tema e técnica da sua própria mostra.
SERVIÇO
Exposição de arte contemporânea
Título: O tempo das coisas
Artista: Marcos Cardoso
Curadora: Adriana Nakamuta
Abertura: 30 de outubro de 2025
Encerramento: 18 de dezembro de 2025
Visitação: De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábado, das 8h às 12h
Local: Galeria de Arte Solar
Endereço: Rua Saint Roman, 149 – Pavão Pavãozinho – Copacabana – Rio de Janeiro
Entrada Franca
www.solarmeninosdeluz.org.br

