Com Carla Voicu no elenco, espetáculo cumpriu temporada no Teatro Nathalia Timberg, no Rio de Janeiro , sob direção artística de Marcelo Aquino
Pássaro vivo apertado na mão levou ao Teatro Nathalia Timberg, na Avenida das Américas, 2000, no Rio de Janeiro, uma narrativa que mergulha no desejo de liberdade e na força simbólica da maternidade como território de conflito e esperança. Apresentado nos dias 26, 27 e 28, o espetáculo reuniu público e elenco para revisitar, com rigor estético, o drama de uma mulher que carrega no corpo a aridez de uma terra exausta, mas conserva na alma a possibilidade de renascimento.
Inspirada em Yerma, de Federico García Lorca, a montagem dirigida por Marcelo Aquino retoma o poema trágico que aborda a dor de uma maternidade que não se cumpre, ampliando seus significados para discutir opressões sociais que ainda moldam a experiência feminina. A metáfora entre ventre seco e terra infértil se materializa em cena como um retrato contundente de mulheres que, ao não atenderem padrões estabelecidos, tornam-se alvo de silêncio, julgamento e exclusão.
Com uma equipe técnica robusta, a produção constrói uma atmosfera sensorial guiada pela sonoplastia de Ivaly Triches, iluminação de Airton Silva e cenografia assinada por Ricardinho dos Inocentes, que também coordena a parte técnica ao lado da equipe de maquinária. O figurino de Sandra Aparecida de Queiroz e a maquiagem de Júlia Alvarenga reforçam a expressividade visual da montagem, enquanto Mari Amorim contribui com o movimento cênico e preparação corporal. A direção de produção é de Laila Paixão, Marina Bastos e Yasmin Dádiva, e a comunicação é conduzida por Rodrigo Calonga.
O elenco reúne Anny Vitória, Carla Voicu, Camila Taíse, Emerson Freire, Gabriel Videira, Júlia Alvarenga, Laila Paixão, Laura Campos, Maltezzi, Marina Bastos, Stanislas Houetola, Thaiane Albuquerque e Yasmin Dádiva, além das participações especiais de Caio Cortez, Guilherme Garcia e Tom Benvindo. A trilha ao vivo é executada pelos músicos Eric Pedrosa, Tarcísio Cisão e Silvio Caeiro, ampliando a dimensão sensorial e emocional da obra.
Realizada pela Escola de Atores Wolf Maya, a peça reafirma o papel do teatro como espaço de reflexão crítica em um momento de fortes debates sobre corpo, liberdade e identidade. Ao revisitar a dor, o silêncio e a resistência feminina, Pássaro vivo apertado na mão reposiciona o palco como instrumento de denúncia, memória e questionamento, recuperando sua vocação essencial de refletir e tensionar o tempo presente.
