Projeto reúne artistas e coletivos que tensionam limites estéticos e políticos da dança e da performance
Em sua segunda edição, o projeto Confrontos Coreográficos promove encontros entre trabalhos de dança e performance que se cruzam por meio de fricções conceituais, estéticas e políticas. As apresentações acontecem entre os dias 8 e 23 de novembro, sábados, às 18h, e domingos e feriados, às 17h, no Sesc 24 de Maio.
A cada encontro, o público assiste a dois trabalhos de artistas ou coletivos diferentes em sequência e, logo após, acompanha um bate-papo entre os participantes. O recorte curatorial propõe uma abordagem transversal, estimulando reflexões críticas e a criação de novos contextos de pensamento sobre as obras e artistas envolvidos.
As performances selecionadas utilizam práticas coreográficas como dispositivos de confronto e autodefesa, desestabilizando fronteiras entre linguagens artísticas e questionando violências estruturais que atingem corpos e populações marginalizadas. O projeto é voltado a públicos diversos e tem como objetivo oferecer experiências de formação e fruição ampliadas.
Programação:
O Tiro [Luiz Felipe Lucas] + Manifesto do Sonho [Wellington Gadelha]
Datas: 8 e 9/11 (sábado, 18h; domingo, 17h)
Classificação: 14 anos
Duração: 1º espetáculo: 45 minutos | 2º espetáculo: 40 minutos | Bate-papo: 1 hora.
O Tiro – Um tiro é disparado, e @cabezadenego começa a correr sem rumo até se confundir com a própria bala. A obra reflete sobre a condição estereotipada do homem preto e da bicha preta em constante movimento de diáspora.
Manifesto do sonho – Propõe uma reflexão sobre discursos e ações que controlam, gerenciam e ameaçam a possibilidade do sonhar negro, a partir da concepção de sonho e assombro.
Dembwa [Marcos Ferreira e Ruan Wills] + Órbita Vermelha [Yhuri Cruz]
Datas: 15 e 16/11 (sábado e domingo, 17h)
Classificação: 10 anos
Duração: 1º espetáculo: 45 minutos | 2º espetáculo: 40 minutos |Bate-papo: 1 hora.
Dembwa – Espirala lembranças e convoca corpos marginalizados a reencontrarem suas raízes, cruzando dança contemporânea e linguagens populares como pagode baiano, funk e samba de caboclo.
Órbita Vermelha – Cena do universo da ópera espacial Revenguê, narra a jornada de dois seres do planeta Plenér em busca de regeneração.
Modos Existir [Lucas Moraes] + Engasgadas [Zona Agbara]
Datas: 22 e 23/11 (sábado, 18h; domingo, 17h)
Classificação: 16 anos
Duração: 1º espetáculo: 40 minutos | 2º espetáculo: 50 minutos | Bate-papo: 1hora.
Modos Existir – Manifesto dançado que coloca o corpo gordo no centro da cena, questionando a normatividade dos espaços da dança e propondo novos modos de presença e criação.
Engasgadas – Rito cênico de corpas negras e gordas que se recusam a engolir o mundo indigesto que as silencia. Um gesto insurgente que transforma engasgo em dança, grito e futuro.
Mini bios
Luiz Felipe Lucas – Ator, diretor e performer, desenvolve trabalho híbrido no campo cênico e performativo, centrado na fisicalidade dos movimentos, nas perspectivas diaspóricas, na migração e no pertencimento.
Wellington Gadelha – Artista multidisciplinar e idealizador da Plataforma Afrontamento. Indicado ao Prêmio Pipa (2020), realizou projetos contemplados pelo Rumos Itaú Cultural e Funarte Artes Visuais. Integra a Cia. da Arte Andanças e atua em iniciativas voltadas a direitos humanos, juventude negra e contextos comunitários.
Marcos Ferreira – Iniciou seus estudos em dança em projetos sociais na comunidade de Pernambués (BA). Formado pela Escola de Dança da FUNCEB, atuou em companhias como Experimentando-nus, Balé Jovem de Salvador e Jorge Silva Cia. de Dança.
Ruan Wills – Iniciou a formação em dança ainda criança, com influência da irmã, diretora e coreógrafa. Passou pelo balé clássico, danças de salão, moderna e contemporânea, e teatro-performance negro com o Bando de Teatro Olodum.
Yhuri Cruz – Artista visual, escritor e dramaturgo. Desenvolve proposições cênicas e instalativas que tratam de arquivos históricos, ficções e fabulações da diáspora negra. É autor da série Cenas Pretofágicas e da exposição Revenguê: Uma exposição-cena, apresentada no Museu de Arte do Rio.
Lucas Moraes – Artista da dança, pesquisador e arte-educador. Atua também como educador social na APAE. Destaca-se pela valorização de corpos plurais e participou de projetos como a Conferência de Dança Contemporânea de Votorantim e a residência artística FAT DANCE/DANÇA GORDA.
Zona Agbara – Coletivo artístico que afirma a visibilidade e a valorização da produção de mulheres pretas e gordas, tendo a dança como ferramenta de transgressão e afirmação estética e social. “Agbara”, em iorubá, significa potência e força — conceitos que norteiam sua trajetória.
Assista:
Serviço:
Confrontos Coreográficos
Datas: 8 a 23/11, sábados às 18h e domingos e feriados, 17h
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109 – República, São Paulo, SP – Tecnologias e Artes (4º andar).
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou via app Credencial Sesc SP: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (Credencial Sesc).
* O ingresso dá acesso aos dois espetáculos e bate-papo no mesmo dia.
