Solo queer dirigido por Débora Lamm estreou inicialmente em São Paulo no dia 24 de setembro para apenas oito apresentações
Após ingressos esgotados em Lisboa, Nova York, Berlim, Rio e São Paulo, o solo queer “Selvagem”, de Felipe Haiut, que estreou nova temporada paulistana no dia 24 de setembro, no Teatro Sérgio Cardoso — Sala Paschoal Carlos Magno, acaba de ser prorrogado. Devido ao sucesso, o espetáculo fará três apresentações extras nos dias 24, 25 e 26 de outubro, sexta, sábado e domingo, sempre às 19h.
Dirigido por Debora Lamm, o espetáculo teve procura acima do esperado já nas primeiras semanas da temporada. Com narrativa autobiográfica e referências da cultura pop dos anos 1990 e 2000, Felipe Haiut mergulha nas memórias de sua infância queer, investigando a construção da própria identidade e as camadas de repressão enfrentadas no processo.
“Mesmo sendo sobre mim, a dramaturgia se conecta a muitas outras histórias que estavam acontecendo de forma parecida em diversas famílias, com várias crianças, na época. O mais duro é perceber que esse ciclo de violências se repete até hoje. O que me impulsionou a trazer isso tudo à tona foi o desejo de interromper esse ciclo. Defender o direito das crianças de viverem sua infância de forma plena, sem serem enquadradas pelo olhar normativo dos adultos. Muitas vezes, antes mesmo que a criança diga quem é, a gente já diz quem ela deveria ser. Isso sufoca o brincar, a descoberta, a espontaneidade. E isso fere”, lembra Haiut.
Encenada pela primeira vez há dois anos, “Selvagem” teve temporadas esgotadas em teatros no Rio de Janeiro — como Espaço Sérgio Porto, Teatro Glaucio Gill e Teatro Rival — e turnês internacionais em Lisboa, Nova York e Berlim. O espetáculo contou com participações especiais de artistas como Johnny Massaro, Emanuelle Araújo e Letrux, entre outros.
“‘Selvagem’ é um trabalho profundamente coletivo — nas diversas áreas de produção e criação, na escuta do público. Estamos há dois anos em cartaz, sustentando o projeto de forma independente, com o público querendo estar ali, escolhendo estar ali. A peça me ensinou que eu posso ser quem eu sou e, mais do que isso, que eu posso existir de forma íntegra, inclusive dentro da minha própria família”, vibra o ator e autor.
O sucesso da peça ultrapassou os palcos e se expandiu para outras linguagens. A dramaturgia foi publicada pela Editora Cobogó, sendo destacada entre os melhores livros do ano por colunistas do O Globo e da revista Quatro Cinco Um. O projeto também originou um documentário em pós-produção, um longa-metragem de ficção e o núcleo criativo Manada, voltado para artistas LGBTQIAPN+.
O Manada sensibiliza o público sobre situações de vulnerabilidade e discriminação enfrentadas por pessoas LGBTQIAPN+ desde a infância, promovendo reflexão sobre desconstrução de padrões normativos e preconceitos sociais. “Selvagem” se propõe a ser um movimento multiplataforma de memória e diálogo, com trilha sonora disponível nas plataformas digitais e o Museu das Crianças Selvagens, nas redes sociais do projeto.
“Hoje, a história que eu conto já não é só minha. Ela virou ponto de encontro. Está a serviço. Não é sobre mim. É sobre uma manada. Eu desejo que quem vá assistir ‘Selvagem’ consiga se conectar com a própria história. Que reencontre a criança selvagem que ainda vive dentro de si. Que, ao ouvir as minhas memórias, cada pessoa possa fazer também um mergulho — uma jornada de volta à própria infância, ao próprio corpo”, diz Haiut.
SOBRE FELIPE HAIUT
Felipe Haiut é artista formado em Cinema pela PUC-Rio. Na TV e no cinema, atuou em mais de 10 produções audiovisuais. Assinou o roteiro e produziu “A Cozinha” (Globoplay), longa-metragem exibido no Festival do Rio, Mostra de São Paulo e Festival Internacional de Cinema do Uruguai, além de “Autor Desconhecido”, coprodução Brasil–Alemanha. Atualmente circula com o espetáculo “Selvagem”, cuja dramaturgia foi publicada pela Editora Cobogó e destacada entre os melhores livros do ano por O Globo e Quatro Cinco Um. O projeto teve temporadas em Berlim, Nova York e Lisboa, e inspirou a produção de um documentário e de um longa-metragem de ficção. Haiut também é idealizador e cofundador da ONG Conexão do Bem, que atua com arte em hospitais públicos do Rio de Janeiro desde 2013.
FICHA TÉCNICA
Texto: Felipe Haiut
Direção: Debora Lamm
Elenco: Felipe Haiut
Iluminação: Felipe Lourenço
Direção de movimento: Denise Stutz
Figurino: Ticiana Passos
Cenário: Breno BL e Guilherme Larrosa
Video Instalação Cênica: Breno BL e Daniel Wierman
Trilha Sonora: Arthur Braganti
Visualizer: Vida Fodona
Assessoria de Comunicação: Primeiro Plano e Dobbs Scarpa
Música tema “Coco Melado”: Billy Crocanty, Felipe Haiut, Luiza Yabrudi
Vozes: Kelson Succi, Amália Lima, David Lamm, Thiago Menezes, Marta Supernova, Arthur Braganti, Debora Lamm
Direção de Comunicação: Maria Antonia
Marketing Digital: Victor Novaes
Arte gráfica: Estúdio Mirante
Produção: Thiago Menezes
Produtor associado: Bruno Fagundes
Realização: Felipe Haiut
SERVIÇO
📍 Teatro Sérgio Cardoso — Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 — Bela Vista, São Paulo
🗓️ Temporada: de 24 de setembro a 16 de outubro — quartas e quintas, às 19h
📆 Apresentações extras: 24, 25 e 26 de outubro (sexta, sábado e domingo), às 19h
💵 R$ 120 (inteira) | R$ 60 (meia)
⏳ Duração: 55 minutos
🔞 Classificação: 16 anos
