Evento reúne especialistas no assunto para destacar o valor da brasilidade e fomentar o desenvolvimento de pessoas e negócios
A trilha de cultura do Festival É, Faz & Fala 2025, realizada no Museu do Amanhã, reuniu especialistas para discutir como as manifestações artísticas e populares brasileiras são ativos estratégicos que unem identidade, economia e transformação social. O painel foi mediado pelo jornalista e pesquisador Fábio Fabato, que destacou o papel simbólico e político da arte ao cruzar memória, território e novas linguagens.
O painel trouxe pontos para destacar o papel simbólico da cultura na sociedade. (Créditos: Divulgação)
A mesa contou com a presença de João Gustavo Mello (pesquisador do Laboratório da Arte Carnavalesca e do Observatório do Carnaval), Potyra Lavor (fundadora e CEO da IDW, responsável pelo Afropunk no Brasil) e Marquinhos de Oswaldo Cruz (cantor e compositor, criador da Feira das Iabás e do Trem do Samba).
Para João Gustavo Mello, o Brasil tem uma vocação inquestionável para transformar festas em indústrias de conhecimento e prazer. Ele ressaltou que o samba une trabalho, aprendizado e alegria em uma mesma experiência, desafiando a lógica ocidental de separar lazer e produção. Ao comparar o Festival de Parintins a uma “Florença renascentista brasileira”, destacou como a cidade amazônica forma artistas capazes de desenvolver tecnologias únicas, como a “robótica cabocla” usada em alegorias. O impacto econômico é igualmente expressivo: o Carnaval movimenta cerca de R$ 5 bilhões, enquanto Parintins gira em torno de R$ 160 milhões.
Potyra Lavor reforçou a necessidade de autenticidade e cocriação nos negócios culturais. Ao citar a produção da visita de Beyoncé a Salvador — realizada 100% com fornecedores brasileiros, em sua maioria mulheres e pessoas negras, sob direção criativa de uma artista trans periférica —, ela defendeu que a cultura deve ser produzida a partir de uma perspectiva brasileira, majoritariamente afro-brasileira, e não como réplica de modelos estrangeiros. “Produzir cultura no Brasil é trazer amor e humanidade para os negócios. Quando trabalhamos com equipes locais, mostramos que a diversidade é fonte de autenticidade e valor real”, afirmou.
Na mesma linha, Marquinhos de Oswaldo Cruz destacou a força econômica e afetiva da cultura suburbana do Rio. Projetos como a Feira das Iabás, a Feijoada da Família Portelense e o Trem do Samba se consolidaram como motores de geração de empregos, movimentação financeira e preservação de tradições. O compositor alertou, no entanto, para a vulnerabilidade dos trabalhadores da cultura popular, como aderecistas, costureiras e mestres-salas, muitos dos quais ficaram desamparados durante a pandemia e não retornaram aos seus ofícios. “Esses profissionais são pilares do Carnaval e precisam de políticas públicas para garantir a continuidade de seus saberes”, disse.
O painel também trouxe reflexões sobre a lógica industrial e artesanal das festas brasileiras. Para os convidados, eventos como o Carnaval e Parintins não são apenas espetáculos, mas verdadeiros laboratórios de arte, técnica e inovação. Um exemplo citado foi a cenografia das escolas de samba, cuja tecnologia foi aplicada até no telhado do Museu do Amanhã — prova de que a criatividade popular brasileira deveria ser referência mundial.
Outro ponto central foi a crítica ao chamado “complexo de vira-lata”, que ainda leva parte do mercado a tratar a cultura afro-brasileira como nicho ou as festas regionais como expressões menores. Para os painelistas, investir em brasilidade não é altruísmo, mas uma estratégia de negócios com retorno comprovado: movimenta bilhões, gera inclusão e projeta o país de forma autêntica no cenário global.
A diversidade, destacaram, deve ser entendida como um ativo central. O Brasil, por ser o país geneticamente mais diverso do mundo, carrega em sua pluralidade um ponto de conexão que pode diferenciar marcas e modelos de negócios. Daí surgiu a provocação de que o país precisa de uma verdadeira “terapia de Brasil”: sair do ar-condicionado e mergulhar nas realidades culturais diversas que compõem sua identidade.
O debate terminou com convites práticos e reflexões poéticas. Marquinhos convidou o público a vivenciar a Feira das Iabás e o Trem do Samba, enquanto João Gustavo encerrou com um chamado à valorização das raízes afro-brasileiras: “Num Brasil mais africano, outra areia, o mesmo mar”.
Sobre a agência anacouto: Há mais de três décadas, a agência anacouto impulsiona o valor de pessoas e organizações com uma metodologia proprietária que oferece soluções que integram marca, negócio, experiência, comunicação e crescimento a partir da estratégia corporativa das organizações. Fundada pela designer Ana Couto e formada por um time de especialistas renomados, a agência é referência em branding no Brasil, atuando como parceira estratégica de marcas como Itaú, Natura, CBF, Brastemp e Havaianas. Com uma visão que compreende os desafios únicos dos principais setores econômicos do país, a anacouto acelera e transforma modelos de negócio, tendo atendido mais de 400 empresas e conquistado mais de 50 prêmios nacionais e internacionais. Seu ecossistema inclui a LAJE, plataforma de educação especializada em branding; o Valometry, ferramenta de gestão contínua que mensura o valor das marcas por meio de dados; e o Festival É,Faz&Fala., maior evento de branding, inovação e brasilidade que terá sua 2ª edição no segundo semestre de 2025.
Sobre Ana Couto: Ana Couto é CEO da agência anacouto, da plataforma de educação LAJE, da ferramenta de gestão contínua Valometry e do É,Faz&Fala., movimento que conecta branding, inovação e brasilidade. Referência em branding (da estratégia à execução) no Brasil, a agência anacouto já ajudou a impulsionar o valor de marcas como CBF, Havaianas, Cosan, Raízen, Brastemp, iFood, Eletromidia e muitas outras. Autora do best-seller A (R)evolução do Branding (ed. Gente), com mais de 10 mil cópias vendidas e 1º lugar como livro de negócios no país e finalista do Prêmio Jabuti 2024, Ana Couto acumula mais de 50 prêmios.
Sobre Festival É,Faz&Fala.: O Festival É,Faz&Fala. reúne líderes, especialistas e empreendedores para debater o Brasil que dá certo, explorando temas como inovação, cultura, branding e brasilidade. A primeira edição, realizada em 2023 em São Paulo, contou com 12 painéis, 23 palestrantes, mais de 9 horas de conteúdo e 700 participantes. Em 2025, o evento retorna ainda maior, transformado em um movimento que integra podcast, talks e workshops, oferecendo experiências práticas e colaboração com grandes nomes do mercado. O objetivo é desenvolver soluções conjuntas para desafios contemporâneos. Consolidado como referência em conhecimento e networking, o É,Faz&Fala. fortalece a cultura, os negócios e o branding do Brasil.
