Montagem reúne elenco de maioria negra e marca a estreia de Grace Passô na direção de ópera no Theatro Municipal. A ópera, que conta com o clássico Summertime, tem direção musical de Roberto Minczuk, coreografia de Mário Lopes e concepção cenografia de Marcelino Melo, conhecido como Quebradinha, tem estreia dia 19 de setembro.
Diretora cênica Grace Passô.
Foto: WEsser
O Theatro Municipal de São Paulo apresenta em setembro um dos maiores clássicos do repertório lírico do século XX, Porgy and Bess, de George Gershwin, com libreto de DuBose Heyward, em uma montagem inédita que reúne, em sua maioria, um elenco composto por artistas negros, reafirmando o compromisso da instituição com a diversidade e a representatividade nas artes cênicas. As apresentações acontecem de 19 a 27 de setembro, na Sala de Espetáculos. Os ingressos custam de R$33 a R$210 e duração de aproximadamente 230 minutos, com intervalo.
Com direção musical do maestro Roberto Minczuk, e direção cênica de Grace Passô, a montagem traz à cena o universo multifacetado desta ópera, que une as fronteiras do jazz, folk, do teatro e da música clássica, para contar uma história de luta e amor. “Quando pensamos em realizar uma montagem inédita de Porgy and Bess, o nome da Grace Passô surgiu imediatamente como a pessoa ideal para propor a concepção e assinar a direção cênica. Como dramaturga, diretora cênica, diretora de cinema e atriz, Grace soma atributos e se esmera pela contundência. Sua primeira abordagem da obra foi no sentido de criar paralelos entre o contexto estadunidense da época e o nosso contexto atual no Brasil”, explica Andrea Caruso Saturnino, superintendente geral do Complexo Theatro Municipal de São Paulo.
“Mas como a liberação dos direitos depende da aprovação dos herdeiros e eles são bastante criteriosos em relação às montagens que autorizam. Ficamos na expectativa do retorno que teríamos da parte deles e se poderíamos prosseguir com o projeto. O aval positivo veio junto com a notícia de que eles viriam para assistir à nossa versão, o que não só nos entusiasmou, como reforçou nosso entendimento de que as montagens cênicas são as possibilidades que temos de nos aproximar das obras por diferentes vieses, criando conexões que dialogam com o momento presente, trazendo novas perspectivas a serem compartilhadas com o público”, pontua.
A trama de Porgy and Bess gira em torno das dores e paixões dos moradores de Catfish Row, com personagens como Porgy, um homem humilde e com uma deficiência física, e Bess, em busca de redenção após uma vida de provações. Clássicos eternos como Summertime, célebre canção interpretada por artistas como Billie Holiday, Janis Joplin, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, My Man’s Gone Now e I Got Plenty o’ Nuttin’ dão voz e alma a esta narrativa que cruza fronteiras entre o jazz, o teatro e a música clássica, mantendo-se relevante por sua profundidade emocional e sensibilidade social.
Concebida originalmente por George Gershwin como uma “ópera folclórica americana”, estreou originalmente em 1935. No Municipal, Porgy and Bess foi apresentada, com um elenco majoritariamente negro com aproximadamente 20 cantores líricos, em uma montagem em 1992. Vinda da companhia da Ópera de Virgínia, a produção percorreu uma turnê pela América do Sul, passando pela Argentina e pelo Uruguai, até encerrar sua trajetória em São Paulo.
Capa do programa de 1992.
Foto: Acervo do Complexo Theatro Municipal de São Paulo
Nesta montagem, inteiramente feita no Brasil, a diretora Grace Passô traz elementos do contexto cultural e das comunidades das periferias brasileiras para a cena. Ela foi a primeira dramaturga negra a receber o Prêmio Shell no Brasil. Entre suas obras no teatro, dirigiu Por Elise (grupo de teatro Espanca!), Vaga Carne (com a própria autora), Herança (com Maurício Tizumba), Pretoperitaomar (sobre a vida de Itamar Assumpção) e O Fim e Uma Outra Coisa (com Zora Santos).
“O momento em que o Gershwin criou essa ópera, era um momento muito importante da música mundial por conta do impacto do Jazz e de como essa cultura lidava com as tensões raciais. Fazemos aqui o exercício de pensar o que está acontecendo no Brasil de hoje, através desta versão que imagina paralelos contemporâneos com a trama original escrita nos anos 1930”, explica Grace Passô, diretora cênica da montagem.
A concepção cenográfica é assinada por Marcelino Melo, conhecido como Quebradinha, artista plástico, cenógrafo e figurinista cuja obra transita entre a arte popular e o imaginário afro-brasileiro. Seu trabalho é amplamente reconhecido pelas detalhadas miniaturas de favelas, que recriam com precisão poética becos, casas e paisagens urbanas brasileiras, transformando memória e vivência em arte. Essas obras, já expostas em galerias e projetos culturais no Brasil e no exterior, revelam um olhar sensível sobre a vida nas periferias e a resistência das comunidades.
O espetáculo contará ainda com a participação especial do Coro Porgy and Bess, formado por cantores do Coro Lírico Municipal, integrantes do Coral Paulistano e artistas convidados. A fusão dessas formações corais, sob regência da maestra Maíra Ferreira, dará à montagem a força vocal e a riqueza harmônica que tornaram Porgy and Bess um marco no repertório lírico internacional.
O baixo Luiz-Ottavio Faria interpreta Porgy em todas as récitas. No papel de Bess, Latonia Moore canta nos dias 19, 21 e 27, enquanto Marly Montoni assume a personagem nos dias 20, 23, 24 e 26. Nas récitas dos dias 19, 21, 24 e 27, Bongani Kubheka interpreta Crown, Jean William será Sportin’ Life e Bette Garcés assume o papel de Clara. Já nas apresentações dos dias 20, 23 e 26, os papéis são interpretados, respectivamente, por Davi Marcondes (Crown), Carlos Eduardo Santos (Sportin’ Life) e Nubia Eunice (Clara). Michel de Souza (Jake) integra o elenco em todas as datas.
Serviço
Theatro Municipal de São Paulo – Sala de Espetáculos
Porgy and Bess, de George Gershwin, com libreto de DuBose Heyward
ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL
CORO PORGY AND BESS*
*Cantores do Coro Lírico Municipal, Coral Paulistano e convidados
19/09, sexta-feira, 20h
20/09, sábado, 17h
21/09, domingo, 17h
23/09, terça, 20h
24/09, quarta, 20h
26/09, sexta, 20h
27/09, sábado, 17h
Roberto Minczuk, direção musical
Grace Passô, direção cênica
Maíra Ferreira, regente do Coro Porgy and Bess
Marcelino Melo, concepção cenográfica
Vinicius Cardoso, projeto cenográfico
Wagner Antonio, design de luz
Mario Lopes, criação de movimento e coreografia
Guinho Nascimento, Malu Avelar e Veronica Santos, coreografos assistentes
Alexandre Tavera, figurino
Ana Vanessa, assistente de direção cênica
Luiz-Ottavio Faria, Porgy (todas as datas)
Latonia Moore, Bess (dias 19, 21 e 27)
Marly Montoni, Bess (dias 20, 23, 24 e 26)
dias 19, 21, 24 e 27
Bongani Kubheka, Crown
Jean William, Sportin’ Life
Betty Garcés, Clara
Juliana Taino, Serena
Edineia Oliveira, Maria
dias 20, 23 e 26
Davi Marcondes, Crown
Carlos Eduardo Santos, Sportin’ Life
Núbia Eunice, Clara
Zuzu Belmonte, Serena
Edna D’Oliveira, Maria
todas as datas
Michel de Souza, Jake
Elisete Gomes, Soprano Solo (Velório)
Mar Oliveira, Robbins
Mere Oliveira, Annie
Mikael Coutinho, Mingo / Nelson / Crab Man
Samuel Martins, Peter
Aline Serra, Strawberry Woman / Lily
Nathielle Rodrigues, Uma Mulher
Andrey Mira, Jim
Ádamo Oliveira, Frazier
Fúlvio Souza, Agente Funerário
Negravat, Scipio
Cena da Tempestade (Coro de solistas)
Elisete Gomes e Nathielle Rodrigues, sopranos
Mere Oliveira, Contralto
Samuel Martins, tenor
Andrey Mira, baixo
Atores:
Rodrigo Mercadante, Detetive
Washington Lins, Policial
Kaio Borges, Policial
Gustavo Lassen, Mr. Archdale
Felipe Venâncio, Legista
Malu Souza e Efraim Souza, filho de Clara e Jake
Bailarinos:
Allyson Amaral, Boogaloo Begins, Bruno Duarte, Caio Gabriel, Daniela Raio, Danilo Alves, Debora Vaz, Evandro Passos, Guidá, Guinho Nascimento, Pitbull, Rafa Araujo, Taísa Garcia, Tanisha Evy, Trindade, Willis.
Duração de aproximadamente 230 minutos, com intervalo
Classificação indicativa não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos de R$ 33 a R$ 210
Mais informações disponíveis no site.
Porgy and Bess
Ópera de George Gershwin com libreto de DuBose Heyward
The Gershwins’® PORGY AND BESS®
por George Gershwin, DuBose e Dorothy Heyward e Ira Gershwin
PORGY AND BESS is presented by arrangement with Concord Theatricals on behalf of Tams-Witmark LLC.
Editor original: Schott Music.
Representante exclusivo Barry Editorial
SOBRE O COMPLEXO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
O Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal de São Paulo.
O edifício do Theatro Municipal de São Paulo, assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi, foi inaugurado em 12 de setembro de 1911. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular, outras linguagens do corpo, dentre outras).
Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado. Além do edifício do Theatro, o Complexo Theatro Municipal também conta com o edifício da Praça das Artes, concebido para ser sede dos Corpos Artísticos e da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo.
Sua concepção teve como premissa desenhar uma área que abraçasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e que constituísse um edifício moderno e uma praça aberta ao público que circula na área.
Inaugurado em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m², o projeto vencedor dos prêmios APCA e ICON AWARDS é resultado da parceria do arquiteto Marcos Cartum (Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura) com o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.
Quem apoia institucionalmente nossos projetos, via Lei de Incentivo à Cultura: Nubank, Bradesco, IGC Partners, Lefosse, Banco Daycoval e Grupo Splice. Pessoas físicas também fortalecem nossas atividades através de doações incentivadas.
SOBRE A SUSTENIDOS
A Sustenidos é uma organização referência na concepção, implantação e gestão de políticas públicas na área cultural que já impactou a vida de mais de 2 milhões de pessoas em 25 anos de atuação. Atualmente, é gestora do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, do Conservatório de Tatuí e do Musicou, além do projeto especial MOVE e o festival Big Bang. De 2004 a 2021, também foi gestora do Projeto Guri, maior programa sociocultural brasileiro. Eleita pelo prêmio Melhores ONGs a Melhor ONG de Cultura em 2018 e uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2022, a Sustenidos conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo e outras, de empresas e pessoas físicas. As instituições interessadas em investir na Sustenidos podem contribuir por verba livre ou através das Leis de Incentivo à Cultura (Federal e Estadual). Pessoas físicas também podem ajudar de diferentes maneiras. Saiba como contribuir no site da Sustenidos.
