Pela primeira vez em São Paulo, a galeria cearense reúne 16 artistas com obras que dialogam sobre o inconsciente e ancestralidade
Charles Lessa, Agonia do convencimento, 2025, Acrílica sobre tela, 69 x 83 cm. Foto: Jaque Rodrigues
De 27 a 31 de agosto, a Cave Galeria, de Fortaleza, marca presença na SP-Arte Rotas Brasileiras, uma das feiras mais importantes da América Latina, realizada tradicionalmente na Arca, na Vila Leopoldina. A galeria apresenta uma seleção de artistas que refletem a potência e a pluralidade da arte contemporânea brasileira, alinhando-se ao objetivo da feira que é descentralizar o mercado e dar visibilidade a produções vindas de diferentes regiões do Brasil.
Fundada pelo galerista Pedro Diógenes, com produção de Larissa Brandão e curadoria de Lucas Dilacerda, a Cave nasceu no porão de um casarão histórico em Fortaleza e rapidamente se projetou para além das fronteiras regionais. Sua missão é inserir artistas brasileiros em diálogo com diferentes contextos, regionais e nacionais, mantendo viva a potência narrativa do Nordeste.
Jane Batista, Da série ‘Corpo limpo’, 1, 2023, Impressão fine art sobre papel, 80 x 60 cm. Foto Divulgação
A estreia na SP-Arte representa a consolidação da Cave dentro do cenário artístico contemporâneo. O espaço expositivo da galeria foi concebido como uma experiência imersiva, em que obras e públicos se conectam em um ambiente que estimula trocas, provoca reflexões e reforça o caráter plural de seu DNA curatorial.
Para esta edição, a Cave apresenta o projeto “Território Onírico”, com curadoria de Lucas Dilacerda. A mostra constrói um espaço simbólico que busca dar vazão a energias inconscientes e ancestrais, reunindo trabalhos de Charles Lessa, Jane Batista (indicada ao Prêmio Pipa 2025), Júlio Jardim e Navegante Tremembé (também indicada ao Prêmio Pipa 2025). A seleção se expande com participações de Acidum Project, Barbara Banida, Blecaute, Canttidio Brasil, Cristina Vasconcelos, Gi Monteiro, Leticia Façanha, Ramon Alexandre, Rian Fontenele, Sergio Gurgel, Telma Gadelha e Plantomorpho.
As pinturas de Charles Lessa reinventam o surrealismo a partir de uma perspectiva queer, anarco-regional e naif-punk. As fotografias de Jane Batista são autorretratos performáticos que traduzem a sua história de vida, celebrando a sua ancestralidade e a força das mulheres. As esculturas de Júlio Jardim constroem um bestiário fantástico entre os reinos da vida que a modernidade colonial separou, formando seres híbridos entre o animal e a planta. As pinturas de Navegante Tremembé, feitas de pigmento natural colhido da Terra, retratam paisagens oníricas e ancestrais onde expressa a conexão profunda entre a sua cultura indígena e a natureza.
Navegante Tremembé, Pé de mangue, 2025, Toá sobre tela, 100 x 100 cm. Foto: Pedro Bessa
“A Cave busca agregar artistas que apresentam propostas que dialoguem de forma local, nacional e global, contribuindo para a ampliação do papel do Nordeste no panorama brasileiro. Estar na SP-Arte Rotas Brasileiras é uma oportunidade de apresentar ao público um recorte potente da produção artística que representamos, formada por trabalhos que dialogam com questões urgentes do nosso tempo e que oferecem novas perspectivas sobre o Brasil contemporâneo”, afirma Pedro.
Com este primeiro passo no circuito paulistano, a Cave amplia sua rede de conexões e reafirma seu compromisso com uma curadoria experimental, diversa e comprometida com novas narrativas para a arte brasileira.
Sobre a Cave Galeria
A Cave é uma galeria de arte brasileira, localizada em Fortaleza (Ceará) e interessada na produção artística do Nordeste do Brasil, a partir da ótica do território, da cultura, da decolonialidade e das poéticas contemporâneas. Nos últimos anos, a galeria vem desenvolvendo ações em contexto local, nacional e internacional. Entre as suas principais ações, está o desenvolvimento de um olhar sobre a produção dos artistas do Ceará, bem como o estímulo à sua valorização e posicionamento no mercado de arte.
Com um perfil arrojado, a Cave busca agregar artistas que apresentam propostas que dialoguem de forma local e global, visando uma expansão da produção artística brasileira e do papel do Nordeste nesse sentido.
