Empolgado com os segredos e as diversões de sua profissão, o editor de som Daniel Turini roteirizou e dirigiu o curta-metragem “Memórias Sentimentais de um Editor de Passos”, em 2006, sobre a sincronização de sons com imagens. Turini conta os bastidores desse curta e de vários filmes importantes nos quais trabalhou no quarto episódio inédito da série exclusiva “Na Trilha Do Cinema”, que vem sendo exibida no Curta!.
Viabilizada pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), “Na Trilha do Cinema” é uma produção da Movioca e tem direção de Hewelin Fernandes. Convidados por André Abujamra, profissionais que se dedicam às trilhas e aos sons dos filmes conversam sobre as técnicas e os desafios da área, dissecando as obras e detalhando a construção de sons que marcaram o cinema brasileiro.
Formado em Cinema e Vídeo pela USP, Daniel Turini editou e mixou dezenas de filmes nacionais que passaram pelos principais festivais de cinema, como Berlim e Cannes, e trabalhou em longas de diretores como Adirley Queirós, Juliana Rojas e Gabriela Amaral Almeida. A longa experiência, segundo ele, gera efeitos até no cotidiano: ao ouvir os sons de calçados, seja de alguém andando na rua ou dançando num tablado, Turini é transportado a outra dimensão.
“A gente entra numa onda de começar a ouvir os passos em todos os lugares. Eu ia ao teatro e pensava que os passos já saíam sincronizados”, revela.
Na conversa com Abujamra, Daniel explica que, para aprimorar o trabalho e aguçar a criatividade, é preciso estar atento ao cotidiano. Segundo o convidado, é possível treinar o ouvido e ensinar como observar sons do dia a dia que, no fim, poderão ser levados às telas.
Outra habilidade destacada por Turini é a capacidade de improvisar. Ao analisar “O Animal Cordial” (2017), de Gabriela Almeida, ele ressalta que os espaços no roteiro deixados para o som não seriam necessariamente preenchidos com o que estava planejado. Segundo ele, observar com cuidado a gravação e a cena pode ajudar a construir o som mais adequado, que ajude a transmitir as emoções das personagens.
Além do longa de Gabriela Almeida, Abujamra e Turini também analisam os filmes “Piripkura” (2018) e “Era Uma Vez Brasília” (2017). Na conversa sobre o cinema e sobre a profissão, o convidado explica questões técnicas que costumam surgir entre os espectadores, como supostas diferenças do som em documentários e em ficções.
“Não vejo uma diferença tão grande assim em relação ao som. O som, o audiovisual como um todo, é intermediado por uma linguagem, por máquinas, microfones, que são uma criação artificial por si. A diferença é querer esconder essa artificialidade ou potencializar isso”, afirma.
Além de Daniel Turini, os demais episódios da série apresentam os trabalhos de Tide Borges, Guta Roim, Waldir Xavier, Mirian Biderman, Antonio Pinto, Luiz Adelmo, Flávia Tygel e do próprio André Abujamra.
“Na Trilha do Cinema” é uma produção original do Curta! viabilizada através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) em parceria com a Movioca. A série, com nove episódios de 24 minutos, também pode ser vista no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). Os episódios ficam disponibilizados um dia após a estreia na televisão. A estreia do episódio é no dia temático Quartas de Cinema, 18 de junho, às 21h30.
