Siga o som

Siga o som

Fortes são aqueles
Que transformam em luz o que é escuridão

Por mais que a expressão apareça na boca com uma certa frequência, no fundo eu não acredito em coincidências.

Nós, como humanos, somos seres em constante evolução, universos em expansão, e, como a música, permanentemente mutáveis a cada mínimo desdobramento do tempo.

Pra que isso aconteça, nosso consumo de combustível é imenso, seja para o corpo ou, principalmente, para o que há além dele. Existe dentro de nós essa necessidade de estar conectados a uma fonte de energia que mantenha o constante movimento e alinhe o horizonte como destino.

Observe que o nosso desempenho como máquinas é perfeito, quase utópico, e o rendimento desse combustível depende significativamente da qualidade e adaptação que a proporção mútua vai necessitar. Como consequência disso, toda essa transformação gera um subproduto do consumo, aquilo que sai  com o potencial de ser usado como combustível para outros.

Como falei ali, não acredito em coincidências, mas em convergências. Já ouviu falar em um documentário chamado Cosmos? Mesmo que não tenho visto, imagine o que acontece quando várias massas de energia concentrada se expandem dentro de um mesmo espaço. Inevitavelmente elas irão colidir, e dependendo do formato que possuem, vão entrar em conflito ou em conexão. Aqui não tem essa de opostos se atraírem e iguais se repelirem, não é tão simples assim, e sorte nossa que não.

De uma forma pessoal, essas atrações acontecem porque aquilo que a gente desenvolve como fruto do nosso consumo é talvez o que esteja faltando pro outro no momento, não tendo data certa de início ou fim. Sabemos que a conexão deu certo quando esse combustível se infiltra no íntimo da mente, passando do coração para as artérias e iluminando a alma como se fosse uma árvore de natal em pleno dezembro.

Somos seres individuais que buscam o coletivo, projetados para sermos completos como unidade mas com a eterna insatisfação de estarmos sós. Somos parte do todo e compomos o todo, que nada seria se perdesse qualquer das partes, porque um é tudo, e tudo é um.

Com o tempo entendi que conseguimos escolher transformar a energia que recebemos, da forma que vier, no produto que quisermos pra oferecer ao próximo, criando uma ligação que alimenta as duas partes pelo tempo que for preciso. Felizes são aqueles que não vêem fronteiras para se expressar.

Essa casca que nos contém por hora é capaz de realizar muito mais coisas do que a mente que governa ela consegue perceber.

Tudo acontece com um propósito, seja ele bom ou ruim. Depende de nós também transformar o meio para o propósito que temos e adaptar o propósito ao meio enquanto evoluímos com o todo que nos cerca.

Não esqueça que colisões também geram conflito, e os maiores conflitos são os que nos questionam sobre quem realmente somos, o que realmente queremos e o que podemos nos tornar.

Se tiver dúvida, siga o som daquela voz, aquela mesma, que te faz ouvir melhor todo o resto, e te guia pra o que realmente faz bem.

Thomas Krause,
numa manhã de chuva, em 23 de janeiro de 2018.

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