Sexta-feira 13

Para muitos a sexta-feira 13 é um dia de azar, um dia que as pessoas rezam mais do que o normal para sair de casa, pedem ajuda e proteção, não passam por baixo da escada, têm repulsa por cruzar com gatos pretos e outras crendices populares. Quer dizer, crendices populares para quem não acredita em superstições, certo? Isso SE forem superstições… (risos)… fato é que o dia preferido do Zagallo gera uma série de comoções nas pessoas. Eu, por exemplo, me casei numa sexta-feira 13. Para mim foi apenas uma coincidência, mas como essa sexta-feira 13 foi no dia de Santo Antônio, o peso foi equilibrado e nenhuma negatividade ocorreu (risos)… pegando o gancho deste folclórico (ou não) dia, Capivarock trará para a mesa alguns dos atos que usam/usaram o horror e bizarrices como tema de sua arte.

O primeiro nome que me vem à cabeça é sempre o de Alice Cooper. Vincent Furnier, nascido em Detroit há 69 anos, é um senhor considerado como um dos pioneiros na arte do Horror musical. Iniciou sua carreira como vocalista da banda The Spiders ainda nos anos 60 e no final desta mesma década, Furnier adotou o nome artístico que ele utiliza até os dias de hoje – apenas ressaltando que este era o nome da banda. Especializado em cenários, figurino, capas de álbuns e performances com referências a filmes de terror, Cooper foi um dos primeiros artistas a transformarem um show de Rock num concerto teatral. Uma de suas mais recentes investidas foi a banda The Hollywood Vampires, em que presta tributo a artistas dos anos 70 incluindo vários convidados na sua formação e nada mais nada menos que Joe Perry e Johnny Depp como membros efetivos. Esta banda se apresentou no palco mundo do Rock in Rio 2015.

 

 Alice Cooper – “School’s Out”

 

 Hollywood Vampires ao vivo no Rock in Rio 2015

Podemos refletir se o Punk Rock, música com cunho de protesto e mensagens contra o sistema, cairia numa “chacota” e ser teatral. Não caiu em chacota, mas pode ser teatral sim. A banda Misfits comprovou que no ápice de bandas como Sex Pistols e The Clash era possível uma banda não banalizar o estilo musical. Glenn Danzig, que nomeou a banda com o título do último filme de Marilyn Monroe (The Misfits – “Os Desajustados”, em português, 1961), tem uma passagem curiosa em sua discografia: seu álbum de estreia, Static Age, foi gravado em 1978 mas foi lançado completo apenas em 1996 por não encontrar uma gravadora que se interessasse em lançar o álbum completo e foram lançadas à época apenas 4 músicas. Notável por sua altura (pouca, que fique claro) e atitude no palco, Glenn Danzig ainda foi fundador de outras duas bandas bastante conhecidas: Samhain e Danzig.

Misfits – “Attitude” (ao vivo em 1978, somente áudio)

Danzig – “Mother”

Outro folclórico artista que se baseia no show de horrores e letras fazendo ode e reverência ao “coisa ruim” é um senhor dinamarquês chamado Kim Bendix Petersen, mundialmente conhecido como King Diamond. Famoso por ser uma das vozes mais agudas do Heavy Metal, King Diamond iniciou sua carreira em duas bandas (chamadas Brainstorm e Black Rose) e em seguida formou a mundialmente famosa e polêmica Mercyful Fate devido ao conteúdo de suas letras de culto a satã. Um de seus álbuns icônicos se chama “Melissa”, que foi lançado em 1983. Em seguida, King Diamond seguiu em carreira solo, sempre seguindo a mesma linha musical e sua face sempre maquiada com uma cruz invertida em sua testa e em outras partes do rosto. Mercyful Fate se enquadrava no estilo mundialmente conhecido como New Wave of British Heavy Metal (também conhecido pela sua sigla NWOBHM) que se consolidou no início dos anos 80 e continha bandas como Def Leppard, Tygers of Pang Tang, Saxon, Angel Witch, Raven, Iron Maiden e Venom. Estas duas últimas também foram conhecidas por escrever letras com referências ao satanismo, a banda Venom lançou álbuns com os títulos Welcome to Hell (1981) e Black Metal (1982) que são clássicos e dois dos principais álbuns influentes de um estilo que se iniciava à época, o Thrash Metal.

Mercyful Fate – “Melissa”

O Iron Maiden teve sua associação com o ocultismo marcada com o álbum The Number of The Beast (1982), que apesar da banda desmentir qualquer tipo de contato com práticas demoníacas, foi tachado como controverso e severamente criticado por ativistas religiosos. Outro ícone da música britânica que sempre é associado com práticas de ocultismo e magia negra é o Black Sabbath. Desde a capa do primeiro álbum, que ao ser tocado iniciava um barulho sombrio de chuva com sinos tocando e em seguida um riff assustador de Tony Iommi com inversão de um trítono e com um intervalo conhecido como diabolus in musica, considerado como inspiração de conotações satânicas. Se a gente listar quais músicas do Black Sabbath têm esta tendência, teríamos umas cinco semanas de coluna apenas as resenhando!(risos)… A carreira solo de Ozzy Osbourne também foi marcada por aspectos teatrais e citações ao “tinhoso”, basta observar todos os álbuns lançados por ele nos anos 80. TODAS as capas fazem referência a um show de horrores – talvez relatos autobiográficos da vida conturbada de Ozzy. O mais curioso é que o próprio Ozzy, assim como outros artistas, misturavam bom humor com toda esta prática “não convencional” para os padrões normais. Ozzy é um dos artistas mundiais mais debochados (no bom sentido), fazendo graça com a própria desgraça. E olha que desgraça não faltou na vida dele…

 

Iron Maiden – “The Number of The Beast”

Marilyn Manson é a mistura do nome de duas personalidades em campos completamente distintos: Marilyn Monroe, uma das atrizes mais famosas da história e sex symbol dos anos 50 cuja fama também foi impulsionada pela clássica cena em que ela cantou “Parabéns Pra Você” para o então Presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em 1962. Charles Manson ficou mundialmente conhecido como líder de uma seita e assassino em série e foi condenado à morte em 1971 por assassinato e conspiração para cometer assassinato de 7 pessoas, incluindo a atriz Sharon Tate. Sua sentença foi convertida em prisão perpétua em 1977, pois o estado da Califórnia aboliu a pena de morte. Mesclando estas duas figuras pitorescas, Brian Hugh Warner (nome de batismo de Marilyn Manson) é um artista notável pela sua caracterização bizarra no palco e com referências claras a um comportamento anticristão. Talvez mais famoso por suas polêmicas do que por sua própria música, o hit “The Beautiful People” é uma das músicas mais conhecidas do disco Antichrist Superstar (1996), que tem como enredo uma ópera-rock dividida em três partes chamadas de “ciclos”.

Marilyn Manson – “The Beautiful People”

A banda Gwar consiste em integrantes que se vestem como monstros em fantasias feitas de espuma e borracha estilizadas com temas variados como guerreiros bárbaros e mitologia de ficção científica, além de apelidos completamente esquisitos dos seus integrantes (exemplo: Balzac, as mandíbulas da morte e Beefcake, o poderoso) e simulações de decapitação. A parte cênica não fica atrás, com as performances satirizando violência, política e com humor escatológico, além do público ser “agraciado” com jatos de sangue, urina e sêmen – falsos, eles dizem (risos). A banda criou em 2009 um evento chamado “Gwar-B-Q”, um churrasco que reúne fornecedores do mundo do Rock, uma casa mal assombrada para visita e shows, em que bandas conhecidas como Clutch, Down e The Dickies já participaram. Após a morte do vocalista Dave Brockie (pseudônimo Oderus Urungus) por overdose de heroína aos 50 anos, seu personagem recebeu um funeral no estilo Viking e sua fantasia foi queimada numa pira.

Gwar – “If You Want Blood (You’ve Got it)” (ao vivo, cover do AC/DC)

Mas estamos para ver alguém mais bizarro do que GG Allin. É inacreditável que uma pessoa cujo nome verdadeiro é Jesus Christ (sim, é isso mesmo!) teria um comportamento extremamente oposto ao que seu homônimo mais famoso marcou na história. GG foi considerado por alguns canais de mídia como “o maior degenerado da história do Rock’n’Roll”, música era o que menos importava em sua carreira. Sua fama sempre se estendeu pelas atitudes grotescas ao vivo de defecar no palco, esfregar as fezes em seu rosto e jogá-las no público, atirar garrafas e agredir pessoas. Seu último show foi marcado por um corte de energia da equipe da casa de shows, gerando violência exacerbada de GG ao quebrar o local e em seguida sair pela rua despido e ainda coberto de fezes (sendo seguido por vários fãs) com destino à casa de um amigo para uma festa regada a drogas. O excesso de heroína causou inconsciência e as pessoas nesta festa ainda tiraram fotos de GG imaginando que ele estivesse dormindo. Na manhã seguinte, percebendo que GG estava na mesma posição sem esboçar reação, as pessoas saíram da casa e chamaram uma ambulância e os paramédicos declararam o óbito dele, que faleceu aos 36 anos.

GG Allin – “Die When You Die”

Relatamos apenas alguns dos inúmeros artistas de Rock que enveredaram no mundo fantasioso (às vezes nem tanto) do lado negro que é um simbolismo associado à data de hoje. O fato é que temos uma gama de personalidades que gostam de chocar o público e até mesmo a sociedade. Bom gosto e bom senso é algo individual, Capivarock não veste uma toga para ser a autoridade máxima e julgar. Mas que sabemos que há gente estranha nesse mundo, isso há! (risos)… com isso, abrimos os comentários para que comentem sobre artistas ou fatos ocorridos relacionados ao horror ou algo oposto à moral e bons costumes!

Por Fellipe Madureira

Na vitrola: Green Jelly – “Three Little Pigs”

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