Cinema Capivara – Glory – Review com Alex Calheiros

O que podemos esperar do cinema búlgaro? E do cinema grego? Imaginemos os dois em uma mesma produção… Para a minha agradável surpresa, apesar do nome pouco criativo, “Glory” (Originalmente Slava, marca de um antigo fabricante de relógios russo) é um excelente filme. Põe excelente nisto! Não é a toa ser multi premiado. Se não fosse o sotaque trava língua característico dos povos daquela região a trama poderia ser facilmente confundida com mais uma obra do ótimo cinema argentino. Vai por esta vibe.

Dirigido por Kristina Grozeva e Petar Valchanov, “Glory” conta a saga de Tsanko (Stephan Denolyubov), sujeito humilde, criador de coelhos e honesto que ganha a vida com a manutenção de uma ferrovia. A rotina do trabalhador é caminhar pela estrada de ferro apertando os parafusos dos trilhos. Durante uma destas andanças, Tsanko encontra uma bolada de dinheiro. Com a honestidade colocada a prova, Tsanko prima pela ética e relata o achado à polícia. A partir daí tudo vira de ponta-cabeça na vida do sujeito. Taxado de bobo pelos próprios colegas de serviço, o caso é, por outro lado, visto como exemplo a ser seguido na sociedade. Tsanko então vira um símbolo na luta contra a corrupção.

Diante deste cenário e aproveitando-se do contexto político-social, a relações-públicas do Ministro dos Transportes, Julia, interpretada por Margita Gosheva, prepara uma homenagem ao trabalhador. Inserido em um ambiente completamente diferente do seu, Tsanko é obrigado a participar de uma cerimônia oficial do Governo. Nela ele tem de trocar de roupa, além de de abrir mão do próprio relógio, uma herança do pai. A lembrança paterna é colocada de lado pelos cerimonialistas e o objeto perde-se em meio a vida corrida de Julia. Ela, por sua vez, vive um drama pessoal em paralelo a agitada e concorrida vida profissional. Julia faz um tratamento médico pró-fertilidade com o marido, o que fomenta ainda mais a história.

Se é possível criticar o filme, as minhas críticas vão para a câmera subjetiva tremida demais no início da trama e para a gagueira excessiva do protagonista em alguns diálogos. Vale ressaltar que Stephan Denolyubov, o Tsanko, interpreta de forma genial o personagem protagonista do filme. Talvez seja pura implicância minha… O longa traz tiradas engraçadíssimas, mostra a eterna luta política entre a situação e os seus opositores, a influência e o oportunismo da mídia, além da manipulação covarde e inconsequente dos poderosos em prol de benefícios próprios. A obra é uma amostra de como se faz cinema. Uma história simples e bem articulada entre roteiro/ direção. Te coloca dentro do set com questionamentos e desfechos absolutamente imprevisíveis. Indico demais!

por Alex Calheiros

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