Cinema Capivara – Bingo – Review com Alex Calheiros

Salve salve queridas capivaras!

Ele está de volta, Alex Calheiros, com mais uma resenha sobre um filme nacional que vem sendo bastante debatido.

Confesso que a minha expectativa era gigantesca. Acomodei-me na fila H, poltrona 08 e resmunguei durante os trailers. Nem pipoca e tampouco refrigerante. Concentração total e nada… Quanta demora! Ansiedade a mil! As instruções passaram batido e o filme, enfim, começou. De cara a viagem no tempo me arremessou de volta a infância. Bingo, leia-se: Bozo, fez parte da primeira fase da minha vida. Eram os anos 80 e a trilha com Supla e Doutor Silvana, entre outros, me arrancou um sorriso nostálgico. A molecada curtia “Eu fui dar mamãe” sem saber ao certo o que aquilo significava. Muito menos ainda imaginava-se que tudo era fruto da doideira de um palhaço cheirador. Nos dias de hoje… Inimaginável.

O filme Bingo: O Rei das Manhãs do diretor Daniel Rezende traz o impagável Vladimir Brichta como Augusto Mendes na pele do palhaço que reinou entre as crianças há mais de 30 anos no SBT. A história traz em imagens a surpreendente revelação de 1998 do tablóide Notícias Populares sobre a vida desregrada do palhaço. Interpretado na vida real pelo ator Arlindo Barreto, Bozo era movido a cocaína, bebia uísque como água, entupia-se de tabaco e não perdia uma orgia ao lado do parceiro e câmera-man. Aliás, este último interpretado no Longa com primor pelo excelente Augusto Madeira. Destacam-se ainda a sempre competente Leandra Leal como diretora do programa e Emanuelle Araújo como Gretchen.

Por falar em Gretchen, ela foi a única com o nome original mantido. Todo o resto, inclusive o próprio programa, mudou por razões de cunho jurídico. Voltando ao filme, a minha maior surpresa foi descobrir que o palhaço cheirador passou o cerol na mãe da(o) Thammy durante a entrega de uma premiação. Eles transaram no banheiro da casa de festas sem a menor cerimônia. Vale lembrar que a Gretchen era, na época, se não a mulher mais desejada, uma das mais desejadas do Brasil. Que inveja!

O filme apresenta conflitos entre a razão e a emoção, o protagonismo e a invisibilidade do ser humano por trás de uma pintura. Bingo: O Rei das Manhãs é pesado, real e a fotografia acentua bem esta atmosfera. A história cresce ao longo da trama na mesma proporção que a audiência do programa. Tudo até o limite entre a vida e a morte. Augusto Mendes (Arlindo Barreto) porém, sobrevive e a substituição dele (Brichta) por outro indica o início da decadência do personagem. O rompimento está aí, mas não é definitivo. Ele volta lá na frente de outra forma.

Bingo: O Rei das Manhãs é uma boa pedida desde que se consiga conter a expectativa. Caso contrário é possível sair do cinema com a sensação de que podia-se mais. Não chega a ser uma frustração, mas podia-se mais… Indico, apesar de tudo!

Em tempo: quem sofre de Coulrofobia, não assista!

Por Alex Calheiros

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